Memórias do Mesa Redonda

Foto: Acervo/Gazeta Press

O Mesa Redonda, Futebol, Debate foi consagrado pelo jornalista Roberto Avallone e faz parte da rotina de qualquer torcedor aos domingos, das 9hs às 11hs da noite, há 56 anos. O programa é ótimo. Tem de tudo, reportagens, melhores momentos dos jogos principais, gols da rodada, entre outras atrações. Isso é o que o público vê. Mas existe um outro lado, por trás das câmeras, que acaba fazendo parte do folclore da TV brasileira.

Lembro-me de que certa feita Avallone pediu para eu fazer uma chamada de cinco minutos, no máximo 10 minutos, antes do programa começar. Uma tática para “esquentar” os assuntos que seriam abordados. Lá fui eu. Tudo normal. Já estava no fim da chamada quando um câmera e um integrante da produção começaram a rolar no estúdio, numa briga para ninguém botar defeito. Eu não conseguia parar de falar. Fiquei nervoso. Ainda bem que a turma do deixa disso entrou em ação e separou a dupla de brigões. Achei um “ponto final” e consegui terminar.

O programa sempre foi um sucesso de audiência e de vendas. Publicidades, as mais variadas, nunca faltaram. Os famosos testemunhais para divulgar os mais diversos produtos. Certa feita, o Avallone tinha para fazer 22 deles em um programa de 2h30 (na época ia das 10h à meia-noite e meia). A uma certa altura, ele apitou na curva. Cansado, pediu para eu fazer alguns deles. “É muita coisa, Chicus”, desabafou depois, aliviado.

O bicho pegou mesmo em uma discussão com o então técnico Eduardo Amorim, na época técnico do Corinthians. O programa começou com uma cadeira vazia, justamente a do treinador. Avallone, então, em seu estilo inconfundível, provocou o convidado fujão dizendo que a cadeira iria permanecer no mesmo lugar durante todo o programa. Quando fui chamado a intervir, disse que Eduardo não viria porque era um “traíra” (o próprio Mário Sérgio Pontes de Paiva me disse isso com todas as letras). Foi aí que o “ofendido” resolveu aparecer. Discutimos feio. Tanto é que quase saímos na mão. Desesperado, Avallone entrou no meio e nos separou. Chegou a segurança e sobrou para eu deixar o estúdio. O convidado foi preservado. A confusão acabou na capa da “Vejinha” .

A final do Campeonato Paulista de 1999, marcada pela “embaixadinha” do Edílson, então do Corinthians, gerou um tumulto em campo sem precedentes. Nesse dia, a Produção deu um show e conseguiu trazer todos os protagonistas do “espetáculo”, inclusive o Capetinha. O programa foi um sucesso. Nos bastidores, muitas histórias acontecem que o público não fica sabendo, mas que são importantes também, inclusive para deixar a Produção e a Reportagem “cascudos”. Fazem parte de um folclore desconhecido pelo grande público, mas digno de ser registrado.

E tenho dito!