
O Palmeiras goleou o São Paulo por 4 a 0 e sagrou-se campeão paulista de 2002, na tarde desse domingo, no Allianz Parque. No resultado agregado, 5 a 3 para o Verdão (primeiro encontro deu 3 a 1 para o Tricolor). O grande herói da conquista acabou sendo Raphael Veiga. Já tinha dado sobrevivência para o time de Abel Ferreira com um gol na partida anterior. No ex-Palestra Itália, fez mais dois, passou a régua e fechou a conta. Danilo e Zé Rafael completaram o elástico e inesperado placar. Rafinha tomou cartão vermelho por ter dado tapas em Wesley. Agora, em nove torneio, o portuga chega a invejável marca de cinco conquistas, reforçando a tese de que seria o maior treinador palmeirense de todos os tempo.
Logo de cara, um lance polêmico. Danilo chuta para o gol, bola bateu no braço de Éder. Jogada muito parecida com o pênalti dado a favor do Tricolor no primeiro jogo. VAR interviu e chamou o árbitro. Técnico Rogério Ceni reclamou e levou cartão amarelo. Arbitro interpretou que nada houve. Palmeirenses reclamaram demais. Rafael Klaus chamou a responsabilidade e fim de conversa. Pênalti claro, que deveria ter sido assinalado sim senhor, levando-se em consideração os últimos critérios utilizados em partidas anteriores do mesmo campeonato.
DANILO NA REDE
Se o clássico, por si só, já tinha um clima de disputa e rivalidade, daí para frente a coisa pegou fogo. Defesas implacáveis. Ou ficava a bola ou o adversário. Verdão acelerando a partida. Queria logo um gol para descontar o prejuízo. São Paulo, por sua vez, retrancado até o último. Pressão total. Dudu cruzou na área. Gustavo Scarpa pegou em cheio e Jandrei salvou. Danilo acertou rebote na linha de zaga. No rebote, Piquerez obrigou Jandrei a encaixar.
Na sequência, Palmeiras na rede. Gustavo Scarpa mandou da esquerda para a grande área. Desvio no beque, Danilo entrou livre, sem marcação e de cabeça abriu o placar, 1 a 0. Time de Ceni continuou no resguardo e a equipe de Abel Ferreira, manteve a ofensividade. Palestra infinitamente melhor do que o rival. Foi para cima buscar a diferença, sem dó e nem piedade. Dudu fazendo gato e sapato pela direita e já merecendo o segundo gol.
ZÉ RAFAEL TIROU VANTAGEM
Zé Rafael, de fora da área, fuzilou. Bola no poste direito e para o fundo do gol. VAR chamou a atenção do árbitro que, na origem da jogada, Danilo teria cometido falta em Calleri. Klaus foi até o VAR e optou por validar o gol, 2 a 0. Em casa, ao lado da torcida, a tendência era pular na frente do marcador a qualquer momento. Tricolor, entrou para segurar a vantagem e se deu mal. Rony (contundido) deu lugar para Gabriel Veron. Com o empate, Alviverde tirou o pé e passou a cadenciar o ritmo.
Os jogadores são-paulinos estavam fazendo apenas “figuração”. Tinham grande dificuldade de tocar um para o outro, articular lances ofensivos, sem objetividade alguma. Uma atuação perfeita palestrina e, ao contrário, uma péssima postura do oponente. A vantagem do Morumbi foi para o devido espaço. No placar agregado, 3 a 3. Se continuasse assim, decisão iria para penalidades máximas. Palmeiras consciente, dividindo para ganhar. Queria decidir durante os 90 minutos. Gustavo Scarpa tentou “gol olímpico”, porém Jandrei estava atento e espalmou. Raphael Veiga arricou e goleiro pegou.
RAPHAEL VEIGA E A VIRADA
Ceni sacou Wellington e colocou Arboleda. Mesmo assim, o Tricolor continuou passivo, ou seja, sem agredir no setor ofensivo. No primeiro lance, aos 2 minutos, Dudu desceu pela direita, driblou Diego e alçou para a pequena área. Raphael Veiga entrou de carrinho e fez 3 a 0. Outra vez Dudu livre, leve e solto pela direita, o que já era previsível com o Verdão atuando no Allianz. Nessa Ceni bobeou. Treinador, então, resolveu chamar Luciano. Éder foi embora. Piquerez saiu e entrou Jorge.
Espertos, jogadores alviverdes deixaram a pelota para os são-paulinos e tentaram administrar o resultado. Diante dos espaços deixados pelo Palestra, o desesperado adversário avançou, meio que na base da inércia. Era única alternativa frente ao placar desfavorável. Até os 20 minutos, o goleiro Weverton era apenas um telespectador privilegiado da decisão. Time do Morumbi tinha liberdade para chegar somente até o meio campo. Dali para frente, batia na “Muralha Verde” e não conseguia agredir.
RAPHAEL VEIGA E O TÍTULO
Calleri tocou para Alisson. Ele tinha Luciano sem marcação ao lado e preferiu arriscar sozinho. Para fora. Louve-se o esforço de Calleri. O único a dar trabalho no ataque para os defensores alviverdes. Os jovens de Cotia, dessa vez, deixaram o nervosismo tomar conta e não conseguiam produzir absolutamente nada. Pesou a inexperiência. Veio Nikão e se mandou Rodrigo Nestor. O atrapalhado São Paulo insistia demais no jogo aéreo, o que facilitava para Gustavo Gómez e Murilo, a dupla de zaga soberba.
O argentino, na única chance criada para valer, pegou um rebote após cobrança de eswcanteio pela direita, e mandou para fora. Jandrei tentou sair jogando com Arboleda, Zé Rafael recuperou e rolou para Gabriel Veron, que enfiou para Raphael Veiga, 4 a 0, sem dó e nem piedade. Luciano e Zé Rafael trocaram farpas e levaram cartão amarelo. Abel mudou. Vieram Myke e Wesley. Deixaram o gramado Dudu e Gustavo Scarpa. Rafinha deu dois tapas no rosto de Wesley e acabou expulso.