
Nada supera a categoria e a técnica da individualidade de um jogador de futebol. O talentoso Calleri decidiu a partida contra o Água Santa, na tarde dessa segunda-feira, com um golaço de bicicleta. São Paulo venceu por 2 a 1, de virada, em uma partida disputada do começo ao fim (outro gol foi de pênalti cobrado por Reinaldo). O árbitro expulsou dois jogadores do time local, recebeu uma bolada do gandula e foi pressionado pela torcida e dirigentes. Uma curiosidade: o resultado, por incrível que pareça, classificou o próximo grande adversário de sábado, no Morumbi: o Corinthians, que já está na próxima fase do Paulistão. Argentino foi eleito o melhor em campo e só entrou na etapa final..
Como ensina o Mestre Alberto Helena Júnior, o futebol está mais próximo da geometria do que se possa imaginar. Ou seja, todas táticas são uma variação do antigo “W/M”, daí as expressões “quadrado mágico”, “triângulo mágico”, “Retângulo mágico” e assim por diante. Então, o quê fez o técnico Sérgio Guedes? Esqueceu qualquer tipo de “mágia”, retrancou a equipe, deu a bola para o Tricolor e jogou por aquele lance salvador. Não é preciso ser gênio para perceber ter o adversário se atrapalhou.
REINALDO DE PÊNALTI
A equipe de Rogério Ceni encontrou enormes dificuldades para propor as ações em campo. Os laterais desciam e cruzavam mal. Falta criatividade no meio campo e no ataque a ausência de um “matador” era evidente demais. Por isso, o primeiro tempo acabou sendo algo parecido com o desenho de “Tom e Jerry”, uma perseguição onde o gato tenta caçar o rato e só se dá mal. Isso tudo debaixo de um calor entre 30 e 34 graus.
A partida teve de ser realizada nessa tarde de segunda-feira porque no estádio do Água ainda não colocaram refletores, o que não deixa de ser o fim da picada. Cadê a Federação Paulista de Futebol para intervir? Deixa para lá. E o árbitro, apoiado pelo VAR, resolveu o drama são-paulino. Juan driblou dentro da área e chutou. Goleiro Victor Souza fez um “milagre”. Porém, um lance antes Alex Silva puxou a camisa de Juan. Pênalti. Reinaldo cobrou com categoria, 1 a 0.
VILÃO ATACOU E EMPATOU
Por ironia do destino, o autor da penalidade fez o gol de empate. Pelota da direita para esquerda em desvio de Fernandinho, Alex Silva bateu cruzado sem defesa para o goleiro Jandrei, 1 a 1. Tricolor, na verdade, não soube segurar a vantagem. Tentou resolver a partida se aproveitando de um suposto abatimento do Netuno, e quebrou a cara. Equipe da casa foi para cima, nas costas do próprio Reinaldo, e nivelou tudo para a chamada estaca zero.
Juan por duas vezes (uma por cobertura e outra caindo pela esquerda) teve boas chances. Água recuou de novo e armou-se para outro golpe eventual e fatal. Enquanto isso, gandula perdeu a paciência e atirou uma das bolas no juiz. Apitador, por sua vez, não pensou duas vezes e deu vermelho para o catador de bola abusado demais. Só na bola nacional acontece uma cena hilária como essa. Ainda bem que a punição foi acatada sem revolta. Chega de violência, certo?
CARTÃO VERMELHO
As equipes voltaram com as mesmas formações e as mesmas táticas. Caique arrancou pelo meio e driblou dois são-paulinos. Pelota escapou e sobrou para Álvaro, que girou de primeira para fora. Cabeça de área tricolor (Pablo Maia e Rodrigo Nestor) voltou meio desconcentrada e Fernandinho, com duas fintas, ameaçou de fora da área com perigo. Desatenção total na defesa tricolor. Reinaldo recuou para Jandrei. Goleiro foi sair jogando, perdeu o controle da bola e cedeu escanteio.
Ceni mudou por atacado. Marquinhos, Calleri, Gabriel Sara e Luciano vieram para o pega. Saíram Igor Gomes, Rigoni, Juan e Éder. A expectativa era ver o São Paulo ganhar maior mobilidade e dinâmica do meio campo e no setor ofensivo. Quarto árbitro pegou uma cotovelada de Fernandinho em Reinaldo. Jogador do Água Santa foi para o chuveiro mais cedo e time da casa ficou com um homem a menos. Sérgio Guedes armou duas linhas de quatro e ficou na dele. A obrigação de vitória, agora, era do time de Ceni, que sacou Pablo Maia e colocou Andrés.
CALLERI DE BICICLETA, GOLAÇO
Quem esperava uma avalanche são-paulina decepcionou-se. Visível o transtorno da marcação do Netuno sobre o adversário. O tal Netuno, no entanto, muito na defesa, quase não tinha poder de fogo no setor ofensivo. E voltou aquela brincadeira de gato e rato. Defesa deveria marcar do grande círculo para frente, afunilando o jogo em direção a área do Água. Marquinhos até tentou cavar outra penalidade, sem sucesso. Choque normal dentro da grande área.
Faltou organização e calma para a equipe de Ceni. Todos queriam resolver a partida e embolavam as ações ofensivas. Aí, então, Marquinhos alçou para a grande área. Zagueiro desviou e o argentino Calleri, com maestria, meteu uma “bicicleta” e marcou um golaço, 2 a 1. Valeu a técnica e a categoria do hermano, que entrou na etapa final para resolver. É a velha história: dá no Calleri que é gol. Na seq1uência, zagueiro Helder recebeu o segundo amarelo e também foi expulso. Muita discussão e reclamações do banco do Água. No entanto, tudo em vão. São Paulo passou a régua e fechou a conta.
E tenho dito!