Tite soltou seleção e virou o jogo

Foto: Yuri Cortez/AFP

Jogo estava difícil. Brasil perdia para Venezuela. O técnico Tite, então, abandonou os próprios conceitos defensivos, soltou o time pondo a garotada em campo e a seleção virou de forma sensacional por 3 a 1, nesta quinta-feira à noite, em Caracas, se isolando ainda mais na ponta da tabela das Eliminatórias. Agora são nove vitórias em nove partidas. Os gols foram de Marquinhos, Gabigol e Antony.

Um teste de fogo para seleção. O baixinho Soteldo (ex-Santos) disparou pela direita e cruzou. Marquinhos e Fabinho escorregaram e Eric Ramirez testou para as redes de Alisson, 1 a 0. Empolgados, venezuelanos foram para cima e abusaram de lances individuais. Brasil apático e com pouca iniciativa ofensiva. Sem Neymar, o time cai muito de produção, não rende o esperado.

TIME ERRADO

Algumas peças estavam abaixo do normal. Fabinho, por exemplo. Mais atrapalhava do que ajudava. No ataque, Gabriel Jesus e Gabigol batiam cabeça, o mesmo ocorria com Lucas Paquetá e Gerson no meio campo. Everton Ribeiro perdido corria para lá e para cá, sem objetividade e função. Seleção parecia um catadão de Casados x  Solteiros em véspera de feriadão.

Uma lentidão irritante por parte da Canarinho. Venezuelanos se limitavam a cercar as ações ofensivas e buscavam contra-ataques. Tudo sob o comando de Soteldo. Torcida local aplaudia até bola recuada para o goleiro. Baixinho camisa 10 cruzou e Peñaranda pegou de virada para Alisson segurar. Contou para a seleção a bola no travessão de Graterol, chutada por Everton Ribeiro e desviada na zaga. Futebol fraquíssimo.

RAPHINHA ARRASOU

Ninguém entendeu nada.Tite sacou o melhor do time, Everton Ribeiro e colocou o tal de Raphinha. Venezuela pressionou no início da etapa final. Saída de Ribeiro tirou o pouco entrosamento da equipe e estava difícil reagir. Arana cobrou falta pela esquerda. Thiago Silva subiu e fez de cabeça. VAR entrou em ação. Demorou para analisar o lance e ratificou o impedimento, claro.

Vinicius Junior foi aposta de Tite, indo embora Lucas Paquetá. Milagre: tradicional treinador retranqueiro soltou a equipe. Era tudo ou nada. Mas a coisa não andava. Substituições demoraram para engrenar. Ai, então, escanteio pela esquerda cobrado por Raphinha, Marquinhos subiu no quinto andar, deu um “chute” de cabeça e deixou tudo igual, 1 a 1. Bola parada salvou a pátria.

Vieram Antony e Emerson, indo embora o inútil Gabriel Jesus e Danilo. Venezuelanos inconformados com a igualdade. Empurrados pelos torcedores, buscaram vitória. Em contra-ataque, González cometeu pênalti em Gabigol. Árbitro questionado pelo VAR. Outra vez decisão demorada. Lance finalmente confirmado. Gabigol bateu no meio do gol, 2 a 1, de virada. Jogador estava sem marcar há mais de um mês.

Arana, contundido, foi para os vestiários e deu lugar para Alex Sandro. Tite mostrou coragem, pôs o time no ataque e “matou” o fogoso adversário. A entrada de Raphinha, por exemplo, foi fundamental, embora no lugar de Everton Ribeiro. Emerson desceu pela esquerda, viu Antony livre em cima da linha do gol e tocou. Ex-são-paulino fez de bola e tudo, 3 a 1. Valeram a estratégia de Tite e a boa atuação da molecada.

E tenho dito!