
Fiquei ensimesmado por quê razão Messi não quis tirar um sarro da seleção brasileira depois de conquistar a Copa América em pleno Maracanã? Primeiro, pensei por ter tido, talvez, uma péssima apresentação. Afinal, na etapa final, perdeu um gol feito, dígno de um pé de rato.
Não, não pode ser por isso. Durante o jogo, correu uma barbaridade. Voltou para marcar, driblou, deu passes e fez lançamentos. Jogou para o time. Então, levantei outra hipótese. Quem sabe por causa de Neymar? Os dois atuaram juntos no Barcelona, fizeram boa parceria e até amizade.
Não, também não seria por isso. Amigos amigos, negócios a parte. Lá estava Messi servindo com amor e patriotismo a seleção argentina. Queira ou não, é o herdeiro natural de Maradona e não poderia decepcionar “Los inchas” fanáticos do seu país. Lá futebol é uma questão de honra. Motivo para um duelo ao por do sol.
Então sobrou o quê? Simples: o respeito pelo futebol brasileiro, pentacampeão do planeta, que ensinou ao mundo a arte com a bola nos pés, bem ao ritmo do velho e bom samba dos morros cariocas. Reverenciou o Maracanã, onde o finado Maradona perdeu, empatou e ganhou. Tirou o chapéu para a criatividade pura e singela da capacidade técnica do adversário derrotado. Ajoelhou-se diante do passado glorioso da bola verde amarela.
Ou seja, por um momento deixou de ser argentino para ser brasileiro. Naquele preciso instante, ele era Pelé, Garrincha, Rivellino, Zico, Falcão, Tostão, Gérson, Carlos Alberto Torres, Careca e todos “deuses da bola” nascidos em um país de Terceiro Mundo, porém glorificados para todo sempre por serem talentos natos.
Messi agiu com elegância, grandeza e admiração. Isso é coisa de gênio sim. Dentro e fora de campo. Humilde, sábio, conhecedor da história e senhor absoluto de si mesmo. Aí, então, senti vergonha. Muitos compatriotas foram na mão inversa do hermano. Desdenharam da seleção brasileira, “rasgaram” a gloriosa camisa canarinho e menosprezaram o passado, as lembranças, a própria memória . Perderam a identidade.
Infelizmente, prevaleceu mais uma vez a tal da “síndrome de cachorro vira-latas”, sacramentada pelo “Shakespeare” brasileiro, Nelson Rodrigues. Aliás, faz tempo que a “pátria não calça chuteiras”, como sentenciou o magnífico escritor, jornalista e teatrólogo. Triste. Muito triste.
Obrigado Messi por lembrar as nossas origens, reviver o sonho de toda criança brasileira e argentina de um dia pisar no Maracanã e ser campeã, erguer uma taça com merecimento e alegria. Imensa alegria.
E tenho dito!