Cantillo, de 24 à camisa 8

Foto: © Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians

Quando se fala que o brasileiro é preconceituoso, as fuinhas de plantão logo se manifestam de maneira contrária: “De jeito nenhum. Aqui é a terra da paz e do amor”. Não é verdade. A violência campeia em cada esquina da Grande São Paulo, por exemplo. E as pessoas torcem o nariz ao ouvirem qualquer gracejo homofóbico. Foi o que aconteceu com o meia colombiano Cantillo, jovem volante recém contratado pelo Corinthians.

Ele atuou durante a carreira com o número 24 às costas. No Timão, agora, foi obrigado pela diretoria a trocar de 24 para 8. O número em questão, no jogo do bicho, se refere ao viado. Dirigentes entenderam que, no Brasil, o garoto poderia ser alvo de chacota e mudou a numeração. Optaram pela camisa 8, usada pelo também colombiano e ídolo do clube, ex-jogador Freddy Rincón (capitão na primeira conquista do Mundial de Clubes em 2000, há 20 anos atrás)

Chegou a hora de se quebrar tabus e corrigir defeitos históricos. Cantillo poderia atuar com a camisa 24 sem problemas. Aliás, o grande goleiro Cássio foi campeão da Libertadores com o tal número polêmico às costas. Na época, as reações foram quase nulas. Valeram o desempenho do jogador e suas defesas fundamentais para a conquista do título.

Diretoria corintiana escorregou no preconceito e pisou na bola.

E assim caminha a mediocridade…