O impacto de não termos, pela primeira vez desde 1972, o GP Brasil de F1

É difícil acreditar, mas o Brasil ficará de fora do Mundial de F1 pela primeira vez em quase cinco décadas de esporte. Desde 1972, quando a primeira prova foi realizada, ainda de maneira extra-oficial (para homologar o traçado de Interlagos), os carros da principal categoria do automobilismo mundial faziam uma parada aqui em terras brasileiras para realizar um Grande Premio.
Como torcedor, vibrei com diversos GPs em Jacarepaguá, mas tive a chance de ver de perto pela primeira vez a F1 em 1990, quando o GP Brasil voltou a ser disputado em Interlagos, com a reforma que deixou o traçado praticamente idêntico ao atual, com o S do Senna (desenhado e concebido pelo próprio Ayrton Senna).
O impacto de ter a elite do esporte a motor correndo perto de nossas casas é algo muito maior do que um simples GP. Este repórter, por exemplo, aos 12 anos, teve ainda mais vontade de trabalhar com automobilismo depois de ver a Mclaren de Senna, a Benetton de Nelson Piquet, a Ferrari de Alain Prost a poucos metros de distância passando a mais de 300 km/h nas retas de Interlagos.
Quantos outros sonhos não foram alimentados de 1972 a 2019? O próprio Felipe Massa me disse em recente entrevista que sonhava em pilotar os carros da F1 que ele via ali da arquibancada, quando era jovem. Chegou até a trabalhar de “delivery boy” no box da F1 em 1997 só para dar um jeito de ver os carros de perto…
Agora, em 2020, o sonho de um futuro jornalista, de um futuro engenheiro ou até mesmo um piloto vai ter que ser adiado. Sim, a pandemia do novo coronavírus prejudicou bastante, mas não é coincidência o fato de os três países das Américas que tiveram seus GPs cancelados serem justamente os países que mais tiveram problemas na administração da crise.
A imagem do Brasil no exterior segue indo de mal a pior, que o digam os pilotos daqui que precisam competir na Europa e nos Estados Unidos – fazem verdadeiras maratonas para conseguir chegar aos países de competição, já que quem está no Brasil hoje tem restrições seríssimas de voo.
Uma pena que não veremos Lewis Hamilton e companhia em 2020 aqui em Interlagos – já pensou se o inglês superasse o recorde de vitórias de Schumacher justamente no GP Brasil de F1? Aliás, ele está a apenas cinco provas desta marca – falamos disso na TV Gazeta nesta semana no Momento Velocidade, confira o link abaixo.
No programa, também trouxemos como boas notícias os bons desempenhos de Enzo Fittipaldi na F3, Felipe Drugovich na F2, a volta da Stock Car e o ótimo desempenho do jovem kartista Miguel Costa, que inclusive já assinou contrato com o programa de jovens talentos da Sauber, ligada a equipe Alfa Romeo na F1.
Se pelo menos no presente as notícias não são animadoras, pelo menos o futuro do Brasil no automobilismo ainda parece animador. Nada mais justo para um País que tem tanta história e tradição no esporte a motor – o terceiro maior em títulos e vitórias na F1 e o segundo maior nas 500 Milhas de Indianápolis. Saudades dos tempos que os nossos recordes impressionavam os estrangeiros. De maneira positiva, claro.
