
O Galo apenas confirmou na Baixada a enorme vantagem obtida no jogo de ida, no Mineirão: 6 a 1 no agregado e mais um título importante – a Copa do Brasil – na galeria do terreiro histórico.
E não por acaso os autores dos gols atleticanos foram Hulk e Keno, os dois atacantes que fizeram a diferença para seu time nesta temporada gloriosa.
Keno abriu contagem aos 25 minutos de jogo, num contragolpe de rápida troca de bolas entre Vargas e Zaracho, culminando com finalização exata do ponta-esquerda. E, Hulk, numa cavadinha que lhe é proverbial, fruto de saída trabalhada de bola a partir do corte de Arana lá atrás.
Dois contra-ataques que, somados a mais uns quatro no mesmo estilo, poderiam elevar o placar ao nível do obtido no jogo de ida.
Isso porque o Galo, em Curitiba, mudou o braço da viola, e preferiu contrariar seu estilo habitual, mais ofensivo, por uma longa espera lá atrás, a fim de minar as forças anímicas do adversário, impulsionadas pela delirante torcida do Furacão que incentivou bravamente seu time derrotado, do início ao fim.
Esse comportamento alternativo do Galo, porém, aumenta ainda mais a capacidade de adaptação do time às circunstâncias de cada jogo, sem, contudo, abandonar seus princípios básicos: o claro esquema do 4-3-3, com dois volantes de alta técnica que viram meias como se estivessem tomando um copo d’água no parque em fim de tarde ameno, um meia de armação e chegada e três atacantes velozes, hábeis e bons finalizadores.
Prova cabal de que você não precisa rechear seu meio de campo de volantes essencialmente marcadores, tampouco recorrer ao velho recurso dos três zagueiros de fato, hoje retirado do mofo com ares de “modernidade” por parte dos incautos.
E tudo isso se deve, basicamente, ao técnico Cuca, experiente, vitorioso e pouco badalado, à sombra de tantos outros estrangeiros e nativos a quem nossos bravos comentaristas estendem um tapete vermelho gravado por uma sucessão de números quebrados, como se futebol de campo fosse pebolim ou game de computador.
Uma lição de simplicidade inteligente de Cuca, dono de arguto olhar para os detalhes do jogo e da sutil capacidade de escolher o homem certo para o lugar certo.