
Numa quarta-feira tenebrosa para os grandes do planeta (City, Barça, Real e Bayern, que levou de 5 a 0 pela Copa da Alemanha), o Peixe, que já foi o maior de todos nos tempos de Pelé, conseguiu escapar no Alçapão da zona da morte, ao bater o Flu por 2 a 0.
Mas, segue ainda ameaçado a não ser que doravante reproduza o futebol equilibrado desta noite de quarta.
Nada excepcional, mas o suficiente pra assediar o Flu em boa parte do jogo, e abrir a contagem aos 33 minutos do primeiro tempo, num belo levantamento de Zanocelo para o cabeceio exato de Madson.
E, na etapa final, garantir a vitória com Tardelli – aquele que não corre; desliza em campo – tocando às redes tricolores preciso cruzamento da direita, em veloz contragolpe caiçara.
Aliás, vale ressaltar a presença de Tardelli na condição de centroavante, um 9 dobrado como sua camisa ostenta, pois tanto vem aqui armar como se atira à área quando necessário.
E isso era ainda mais necessário por conta do esquema de três zagueiros adotado por Carille, recurso que acaba subtraindo um jogador de meio de campo ou de ataque.
Enganam-se os que consideram a liberdade de ação ofensiva dos laterais, nesse sistema, o suficiente para compensar essa ausência, posto que a ação desses laterais é, na prática, apenas um apoio intermitente, não constante, permanente.
A propósito, domingo passado, no Mesa Redonda do Flavinho, Muricy, que adotou esse expediente na conquista do tri do Brasileirão pelo São Paulo, esclarecia bem a questão: “Tudo bem se você tiver, ao menos, dois beques que saibam sair jogando”.
O Tricolor de Muricy tinha até mais: André Dias, Breno, Miranda dez anos mais jovem, Pirulito etc. O Santos de hoje não tem, a não ser quando o técnico usa o volante Balieiro nessa função de zagueiro.
Mas, isso é papo pra mais de metro. O que interessa, agora, é o Peixe respirando ares menos salubres, nesta fase crítica da história do glorioso clube da Baixada.