
Depois de um primeiro tempo deprimente do Brasil em Caracas, encerrado com a vitória da Venezuela por 1 a 0, gol de cabeça de Ramirez, quando a dupla de zagueiros Thiago Silva e Marquinhos escorregaram a foram ao chão, o Brasil conseguiu se reerguer na etapa final.
E só o fez porque Tite, no intervalo, trocou Everton Ribeiro por Raphinha, num gesto de ousadia inusitada no qurido treinador.
Raphinha, jogador desconhecido por aqui, vem esmerilhando no Leeds do Loco Bielsa, e assim estreava na Seleção Brasileira. Canhoto, cheio de truques com a bola, veloz e versátil, pois tanto atua pelas duas pontas como pelo meio, Raphinha acabou sendo o propulsor da virada brasileira, com seus dribles, passes surpreendentes e disparos certeiros. Como, por exemplo, na cobrança do escanteio que Marquinhos colheu de cabeça para empatar a partida, aos 25 minutos. Assim como participou da jogada que resultou no pênalti em Gabigol que o artilheiro do Mengo converteu nos 2 a 1.
Por fim, já aos 50 minutos, recebeu passe de Emerson, junto à linha de fundo e tocou de jeito pra Antony, outro estreante da noite, completar o placar: 3 a 1.
Se o desempenho brasileiro, no geral, foi abaixo do esperado, dada a enorme diferença técnica em relação ao nosso adversário, a simples presença de Raphinha e de Antony semearam uma ponta de esperança de que, afinal, o Brasil possa sair desse lugar-comum em que se meteu há tempos.
Enfim, um time de espírito jovem, inventivo, ousado, justificando no campo de jogo a célebre frase de Zweig sobre o futuro. Só que, no caso, tratar-se-ia, de fato, num resgate de seu passado encantador.
NA LINHA DO GOL
Pouco antes do jogo do Brasil, São Paulo e Santos não saíram do lugar: 1 a 1. gols de Sanchez e Calleri, de pênalti. Ambos lutam para não ficar ali rondando o descenso; portanto, a vitória era imprescindível. E quem esteve mais perto dela, de fato, foi o São Paulo, que, pela primeira vez abdicou do esquema formal de três zagueiros e teve a bola a seus pés por mais tempo do que o rival. O diabo para ambos, porém, é conseguir meter a bola nas redes. E isso, no fim, é tudo.
A seleção brasileira está caminhando bem, espero que continue assim. Agora, quanto ao São Paulo ter tido mais a posse de bola contra o peixe, meu pai sempre dizia que o time que tem mais posse de bola é que falta criatividade para chegar ao gol adversário, então toca pra lá, toca prá cá, volta a bola pro goleiro, toca de lado…No caso, o paixe foi mais efetivo, porque teve menos a posse de bola mas o mesmo número de gol que o tricolor. Mas cá entre nós, Helena, que saudades dos velhos tempos, hein, quando seu São Paulo e o Santos eram times realmente poderosos. Agora, nem sombra, amigo, nem sombra…