
Direita, volver! E assim caminha a humanidade: um passo à frente e dois pra trás na busca por um mundo mais igualitário e em paz.
Um conflito eterno entre o bem e o mal que habitam o cerne da alma humana.
Agora mesmo estamos assistindo a uma cena peculiar em que o cinza tenta se sobrepor às cores do arco-íris, fenômeno dos céus, um instante de deslumbramento que logo se esvai .
Falo, claro, da proibição da UEFA sobre o desejo dos alemães – justamente aqueles cujos ancestrais recentes elevaram o ódio ao extremo máximo de suas dimensões com o advento do nazismo, incorporado na figura ao mesmo tempo sinistra e caricata de Hitler. Regime que se dedicou à monstruosa tarefa de eliminar da face da terra os diferentes – negros, judeus, homossexuais, os vários tons e etnias que não se encaixassem nos padrões germânicos do ideal.
Pois, ao longo dos últimos anos, depois da Segunda Guerra, esses mesmo alemães saíram da escuridão em direção à luz, e agora resolveram iluminar seus estádios com as cores do arco-íris, que passou a ser um símbolo do movimento LGBTOQ, sei lá quantas letrinhas mais compõem tal dístico. A UEFA decidiu proibir tal gesto, em meio a várias manifestações racistas e preconceituosas advindas das regiões mais atrasadas da Europa, durante as disputas da Eurocopa, como a Hungria, por exemplo.
Vivo repetindo aqui que o futebol é, no fundo, uma representação desses movimentos sociais, da vida das pessoas, do cotidiano, enfim. Isso se dá em forma de espetáculo.
Então, adentrando-se o campo de jogo, o que se vê é esse vaivém expresso na forma com que os times se comportam no gramado.
Há aqueles que preferem se apoiar no medo, fechando-se na defesa, distribuindo pontapés etc. E há os que preferem um jogo mais arejado, ofensivo, buscando a essência do jogo – o gol.
Nesse sentido, a grande e festiva celebração cabe à Itália, que jogou na lata do lixo da história o velho Catenaccio (tradução: cadeado, ferrolho e similares).
É mais um vaivém. Embora o Catenaccio tenha prevalecido na maior parte de sua história, a Itália, vez por outra foge do roteiro, apresentando um futebol mais refinado e ousado, como aquela seleção de 82. Mas, sempre é bom lembrar que o resultado final daquela campanha teve um início desastroso, com os italianos recuando bolas pra seu goleiro diante de Camarões, a fim de garantir um empate vergonhoso que lhe valeu a classificação para as fases seguintes daquela Copa do Mundo.
Coube a Arrigo Sacchi dar o passo avante, no inesquecível Milan dos anos 80/90. E o futebol italiano seguiu nessas idas e vindas até que Mancini, nesta Eurocopa, desatou o nó e o que vemos é uma Itália forte na defesa, porém, ágil e incisiva no ataque, construído com um jogo de passes a partir do meio de campo, antes impraticáveis.
E isso sem os talentos extraordinários de um Antognoni, um Baggio, um Rivera, um Sandrino Mazzola, um Gianini, o Príncipe de Roma etc.
Enfim, que seja um passo adiante definitivo, embora este sempre anteceda os dois pra trás, o rato acuado que exala o ódio por todos os poros.
se você lesse mais a Bíblia,você saberia quem é o mal e o bem nessa história.lê mais a palavra de Deus meu camarada
Ler um texto de Alberto Helena, é assistir uma aula da mais alta cultura e sabedoria, parabéns!
Belo texto!
Gostaria de acrescentar como passo atrás a ação dessas milicias estúpidas e racistas que se denominam torcidas organizadas e agora se dedicam a perseguir e agredir jogadores na saída de supostas baladas ou mesmo nos locais de trabalho deles.. Uma decadência continuada da civilidade é o que se vê por aqui.