O que é mais uma flechada no santo?

Foto: Carl de Souza/AFP

E a boiada continua passando, cada vez mais numerosa, tocada pelo espírito do Dr. Mengele, em direção ao cemitério da insensatez sob a zeladoria do Dr. Adam Smith que não para de contar as notas verdinhas como os campos da Pátria Amada. É a Lei do Mais Forte em plena vigência. Ou, se preferirem verdeamarelar esse decreto: a Lei do Meu Pirão Primeiro.

A  turma só pensa naquilo, um dos tantos termos do Lunfardo portenho importado há décadas e que a turma imagina seja gíria por nós inventada: Grana.

Por falar em argentinos, eles, sabiamente, barraram na fronteira da sensatez essa Copa América que acabamos de acolher com fogos de artifício disparados do Planalto em celebração ao advento da tal imunidade de rebanho, que se pode traduzir em genocídio dos mais fracos.

Afinal, o que é mais uma flechada no peito de São Sebastião?

A bola rola solta nos gramados brasileiros e nos demais do continente, dia sim, dia não, acumulando-se competições de todos os matizes: Brasileirão, Copa do Brasil, Sul-Americana, Libertadores, Eliminatórias etc., por que não mais essa Copa América?

Pão e circo pra moçada, gente, que ninguém é de ferro!. Enquanto isso, a cartolagem vai contando as verdinhas, fingindo que é pros clubes não fecharem as portas definitivamente por conta da incúria, safadeza e cupidez que antecede em muito à pandemia e, pelo jeito, se estenderá até o Juízo Final.

 

 

 

 

Um comentário

  1. Bem colocada a sua matéria ,Helena Junior. Saindo de um país por crise política ( Colômbia) e de outro por crise sanitária (Argentina), a Copa América acabou no Brasil, que tem ambas. Com média móvel de 1800 mortes por dia e 60 mil novos casos de corona vírus por semana, o país tem mais de 460 mil mortos pela doença. Somadas, Argentina e Colômbia têm menos de um terço deste número.
    Mas dois fatores pesaram na transferência da Copa América para o Brasil. O primeiro deles é uma questão de grana: o campeonato custa dinheiro , e rende muito mais para seus organizadores. A Conmebol tinha adiantado uma cota de US$ 10 milhões (parte do dinheiro que ela arrecada com patrocínios) às dez associações e confederações de futebol sul-americanas filiadas a ela. Cada confederação (a brasileira CBF, inclusive) recebeu US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,2 milhões) nesse adiantamento.
    Caso a Copa América fosse cancelada, todo mundo teria que devolver o dinheiro. Imagine Helena, você trabalhando com o salário adiantado sem ter entregado seu trabalho e depois ficando comprometido com a dívida. Parece absurdo, não? Mas no futebol isso é regra. E quem manda no futebol NUNCA devolve dinheiro.
    O segundo fator é puramente político. A parceria entre a CBF (que gere a seleção brasileira e os campeonatos nacionais) e o Governo Federal é forte. As instituições trabalharam juntas para a volta do futebol (e outras atividades) em meio à pandemia em 2020 e pela realização da maior quantidade de campeonatos possíveis dentro da “normalidade” – com a conivência dos clubes, ressalte-se, O Brasil, com quase meio milhão de mortos por causa do corona vírus, vai realizar um evento internacional que outros países se recusaram a sediar por causa do… Corona vírus. Há BOM SENSO nisso? A CONMEBOL refuta e diz que os todos os jogadores participantes foram vacinados mas…e o resto? Os jornalistas e demais convidados e profissionais envolvidos nas partidas são muitos (e provavelmente sem vacina). Que país é esse?…afff !

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