O recuo que é um avanço

Foto: Divulgação/Marcelo Cortes

Aquele lance em que Diego Ribas salva  em cima da risca gol certo do Palmeiras remeteu-me à uma antiga observação deste velhote sobre esse negócio de tantos volantes brucutus no nosso futebol, processo que teve início lá pela segunda metade dos anos 80, incrementado dos 90 em diante: “É mais fácil ensinar o Djalminha a marcar do que o Galeano armar”.

Óbvio: destruir exige menos habilidade, reflexos, visão de jogo, muitos desses dons natos, não adquiríveis ao longo da vida.

Diego Ribas construiu uma brilhante carreira no Santos e além-mar jogando como um meia avançado, despreocupado com a marcação ao adversário e focado na construção e conclusão de jogadas ofensivas, Guardadas as devidas proporções, um Djalminha dos novos tempos.

E, por isso mesmo, não passava no Flamengo de uma alternativa no banco para um lugar no ataque do seu time, até que Rogério Ceni assumisse a direção técnica e fizesse a fundamental e corajosa mudança. Exorcizou de vez a maldição dos dois volantes de ofício, escalando por ali dois meias escarrados – Gérson e Diego.

Uma decisão que, em tempos atuais, deixaria nossa mídia, geração 80, de cabelos em pé: “Afinal, quem marca nesse meio de campo, quem cuida de proteger a defesa?”

É que a moçada tem como referência apenas o que ela viu em campo. E o que viu até então era mera repetição do dogma estabelecido dos dois volantes de marcação. No máximo, mais recentemente, de um volante que ia de área à área, o que nada tem a ver com organização de jogo, mas, sim, de impulsos esporádicos. Diria mesmo que esse tipo de volante joga por por instinto, enquanto o verdadeiro armador joga por juízo, a capacidade de escolher a melhor jogada.

O fato é que, na mudança efetuada por Ceni, o volante genuíío, Arão, virou zagueiro. E., como bem disse outro dia o técnico rubro-negro, Arão conferiu uma saída de bola ainda mais bem feita a partir lá de trás.

Como todos sabemos, a história vai e vem e vorta e vem e tal e cousa e lousa maripousa. Muitas vezes, como farsa, a exemplo do que ocorre na esfera política e social deste país que, segundo Zweig era do futuro, mas se revela, neste instante, a bordo de uma dilgência célere em busca do passado.

No futebol, porém, refiro-me a esse avanço colhido num passado que remonta aos meados dos anos 50, quando se criou a figura do quarto-zagueiro. Eram todos médios apoiadores (volantes), no sistema Diagonal de Flávio Costa, uma variante do WM, que foram recuados para jogar ao lado do beque central, entre os dois laterais. Formiga, no Santos, Brandãozinho, na Lusa, Fiúme, no Palmeiras, Pé de Valsa, no São Paulo e por aí vai.

Todos eles, por sinal, ex-meias que haviam sido recuados para a posição de volantes, assim como aqueles que ali permaneceram, tipo Bauer, Zito, Dequinha etc. Esse processo era um tremendo avanço no refinamento do jogo bem jogado, desde a defesa até o ataque, passando pelo meio de campo.

Vale dizer que isso é tão atual que basta acompanhar o trabalho de Guardiola, fã do nosso futebol dos tempos de seus pai e avô. No seu vitorioso e brilhante currículo lá estão o volante Mascherano recuado para a zaga do Barça e Fernandinho frequentemente fazendo essa função no City.

Beato o dia em que nossos treinadores (e aqui incluo os estrangeiros de plantão) seguirem por esse caminho, valorizando a técnica e a habilidade em todos os setores do campo. Os espetáculos, então seriam mais agradáveis e os resultados, por certo, melhores.

NA LINHA DO GOL

Neymar poderia ter saído de campo nesta terça de Liga dos Campeões consagradíssimo, com quatro gols no seu cartel, diante do poderoso Bayern. Foram três bolas disparadas com ciência, duas nos postes e uma no travessão, além da chegada milímetros atrasada no passe de Di Maria, redes abertas. Mesmo assim, jogou pra burro, deu dribles desconcertantes nos adversários, passes magistrais para M’Bappé e acabou celebrando a ida de seu time para as semifinais, ainda que derrotado por 1 a 0, graças aos três gols qualificados do PSG no jogo de ida.

Foto: Franck Fife/AFP

 

 

Um comentário

  1. Alberto Helena Jr.

    O Rogério Ceni burro é que não é, e agora quero que me digam se o urubu joga diferente do que jogava com Jesus e a resposta é não então o Rogério Ceni vem na esteira que apregoava o português mas tem um detalhe que acho que nem a maioria e nem própria diretoria percebeu que o time do “Framengo” é um time envelhecido uma equipe para mais uma temporada talvez a começar pelo goleiro, pelo jogador citado por você o Diego Ribas, o Bruno Henrique e isso é visível para quem vê e enxerga futebol o time “prega” no segundo tempo e essa perda de intensidade e falta de pernas do time no segundo tempo quase custou a perda do jogo da Super Copa, mais cinco minutos e o Verdão teria virado o jogo mas como o “se” não existe no futebol a sorte, a arbitragem e o VAR estiveram do lado rubro negro carioca…..rindo até 2026. Saudações palmeirenses.

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