
Ainda ontem tive de pedir socorro ao José, meu jovem e prestimoso amigo que cuida da saúde de meus velhos computadores, dizendo a ele que acenderia uma vela à Deusa da Cibernética nestes tempos tão sombrios.
Aliás, gostaria que essa luz alcançasse o já iluminado PVC, verdadeiro computador humano, querido amigo e grande comentarista esportivo que, outro dia, na tv, referindo-se ao esquema de jogo adotado por um time (já não lembro qual) disse que acabara de adotar o sistema WM, com cinco atacantes. Não foi a primeira vez que ouvi meu caro companheiro fazer esse tipo de alusão. Eis por que assumo o lugar do José lá de cima pra consertar esse computador infalível.
O sistema que previa cinco atacantes era o 2-3-5, no alvorecer da organização tática do futebol, na virada do século 19 para o 20.
Eram dois zagueiros (o back, que adotamos como beque, e o stopper), três médios e cinco atacantes. O sttoper, como revela sua denominação, saía para brecar o avante adversário, enquanto o back ficava na sobra, à espera de um último combate.
O WM, criado pelo escocês Herbert Chapman, no final da década de 20, alterou fundamentalmente esse esquema, passando a adotar o 3-4-3. Basta o amigo colocar o M abaixo do W e visualizará essa formação, apontando para as extremidades das duas letras. São três zagueiros (dois laterais e um central), quatro meio campistas (dois médios e dois meias) e três atacantes (dois pontas e um centroavante).
Os dois médios e os dois meias formam o que Chapman chamava de Quadrado Mágico, porque, dependendo da movimentação desse quarteto, o quadrado podia virar losango, retângulo ou triângulo.
Enfim, o WM acabou sendo a base de todas as configurações adotadas até hoje pelo futebol no mundo todo.
E isso vem a calhar quando neste momento ainda se discute a tal saída de bola da defesa ao ataque adotada por Fernando Diniz no São Paulo, com passes trocados entre zagueiros e goleiro, como se isso fosse uma grande novidade, uma internet inserida no campo da bola.
Pois, saibam o amigo e a amiga que o conceito e sua aplicação têm a existência de quase um século, desde a criação do WM.
Sim, porque a adoção daquele novo esquema tinha a intenção de qualificar a saída de bola desde a linha mais funda da defesa de um time. Tanto, que o até então center-half, o nosso centromédio, que era chamado de Eixo, pois cabia-lhe a função de distribuir as bolas para os companheiros a partir do meio de campo, foi recuado para a função de zagueiro central, no lugar do antigo back, um mero destruidor. Dali, esse novo zagueiro central iniciaria o trabalho de distribuição de bola, que passaria pelos médios e os meias antes de chegar aos atacantes.
Esse trabalho, o de sair jogando com mais refinamento, acabou se estendendo com o tempo a um dos médios, também chamados de médios apoiadores ou médios volantes (hoje, simplesmente volantes), que foi recuado para a a linha de zaga, adotando a denominação de quarto-zagueiro, a partir dos anos 50.
É bom sempre lembrar que os volantes de então eram meias recuados para essa função, portanto jogadores qualificados para melhor executar a tarefa do passe mais exato possível.
A partir daí, passou a ser comum a saída de bola trabalhada desde o goleiro para o lateral, deste para o volante, antes de chegar ao meia e aos avantes.
O que foi se alterando a partir dos anos 90, sobretudo, é a qualidade técnica dos zagueiros e dos volantes, mais preocupados em destruir do que em construir as jogadas, E, como isso chegou ao paroxismo daqueles intermináveis recuos de bola para o goleiro, a International Board resolveu mudar a regra: o goleiro já não poderia mais segurar bola atrasada por um companheiro com as mãos.
Então, o goleiro teve de aprender a jogar também com os pés, o que acabou por incorporá-lo a essa troca de bola na saída da defesa para o ataque, além de, nos casos de times que jogam de forma abertamente ofensiva, atuarem até como líberos.
E esse foi o único elemento realmente novo criado. O resto é mais antigo que a Sé de Braga.
O que se deve discutir, de fato, não é o conceito de sair jogando bola lá de trás, mas, sim, a sua execução.
O conceito de Diniz é corretíssimo e respaldado nos mais saudáveis preceitos do jogo. A questão é a execução, ainda falha, mas que deve e será aprimorada.
E, para isso, acendo outra vela.
Alberto Helena Jr.
Excelente texto e comentário de um jornalista sério que nos dá a esperança de que o jornalismo esportivo no Brasil ainda tem conserto, desejo a você e família um 2021 repleto de realizações e conquistas de coisas boas….obrigado meu amigo e desculpe a mancada de não tê-lo cumprimentado antes. Saudações palmeirenses.
Mestre, o Diniz não é especialista em mata-mata, mas é um expert em morre-morre hehehe
Alberto Helena Jr.
Queria cumprimentar meu amigo palmeirense Plinio Marques e dizer que você está correto Plinio quando diz que o Diniz é um colecionador de eliminações e 2021 não será diferente para o time do Morumbi pois se não ganhar o brasileirão por pontos corridos nesta edição do campeonato pode tirar o cavalinho da chuva que o time de Cotia irá continuar na sua interminável fila e falta de título que chega quase a uma década…..rindo até 2026. Saudações palmeirenses.
…bravo Alberto Helena, enfim um sempre lúcido comentarista e analista de futebol dá uma lição no PVC (badalado pelas asneiras que fala) sobre o futebol como um todo!!! Achando que os aficcionados do futebol vão engolir suas sandices!!! ABRAÇÂO e um FELIZ ANO NOVO!!! E QUE O PVC USE AS SANDALIAS DA HUMILDADE
Alberto Helena Jr.
Queria cumprimentar o Bernardo Patricio Netto e dizer a ele que concordo em gênero, númer0 e grau quanto a mediocridade do PVC como comentarista ele está mais para estatístico porque de bola não entende “niente”, além disso deu pisada de bola em relação ao Verdão, de quem se diz falsamente torcedor, quando divulgou falsa notícia sobre a dívida do Palmeiras, no caso o valor por ele dado seria relativo ao passivo contábil da instituição que é uma coisa muito diferente e foi depois da pixotada chamado a atenção pelo Verdão em nota oficial divulgada pelo clube portanto # fora PVC…..rindo até 2026. Saudações palmeirenses.