A interpretação de Abel

Foto: Divulgação/PAOK

Abel Ferreira? Conheci pessoalmente lá nos meados dos anos 60 quando produzia e às vezes dirigia o programa Dois na Bossa, com Elis e Jair Rodrigues, na TV Excelsior do Rio de Janeiro. Era um músico excepcional, mestre da clarineta e autor de choros dengosos, mais conhecido como Abel da Clarineta, embora mandasse ver bem no saxofone tenor.

Sim, sei bem que não se trata do mítico personagem do cancioneiro popular brasileiro, pois este já se foi há muitos anos.

Desse Abel Ferreira, que vem para ser treinador do Palmeiras, nada sei, confesso, a não ser que é português e dirigiu o Braga e o PAOC, da Grécia, de onde sai sob vaias de boa parte da mídia de lá. Afinal, pouco vejo jogos do futebol português e muito menos do grego.

Dizem que o moço gosta de trabalhar com jovens promissores, o que parece coadunar com o espírito verde dos últimos tempos, desde que esvaiu seu cofre recheado por Nobre, o antigo presidente, e que Luxa abriu as portas para os novatos: Patrick, Danilo, Wesley, Verón, Gabriel Menino etc.

Mas, a questão nem é essa. A questão é saber se ele vai seguir os passos iniciados pelo nosso Cebola, o interino Aldayr Lopes, ou virá com pranchetas exóticas onde repousam fórmulas esdrúxulas, ditas modernas por nossos vetustos jovens da mídia em geral.

Sim, porque o modesto e aparentemente simplório Cebola assumiu o time principal e, de imediato, aplicou o óbvio, o elementar e eficaz sistema – o mais moderno em vigência nos principais clubes da Europa: quatro defensores, um volante apenas, dois meias e um trio atacante com dois pontas hábeis e velozes e um centroavante.

Básico e funcional, que resultou num enxame de gols verdes onde antes havia só escassez, gols de empate obtidos nos acréscimos das partidas e olhe lá. São cinco pra cá, três pra lá, e assim a torcida verde, que andava pê da vida com seu time, passou a dançar a tarantella.

Claro, com dois meias acionando pontas velozes e um centroavante móvel como Luís Adriano, o time ganha verticalidade e as chances de surpreender a defesa adversária será sempre maior do que aquela toada rasteira de se defender acima de tudo com a bola sendo tocada de lado ou pra trás, entoada pela maioria dos times brasileiros, inclusive o Palmeiras, de elenco ainda ilustre.

Vai perder, empatar? Claro que vai, pois isso é um jogo, não uma equação matemática. Mas, sempre estará mais perto da vitória.

Na verdade, há duas formas básicas de um time se movimentar com eficiência em campo: uma, trocando bolas progressivas e envolventes, no estilo do Barça de Guardiola; outra, em linha direta, saindo da defesa, passando pelo meio de campo e chegando rapidamente ao ataque, como o Liverpool de Klopp, pra citar dois exemplos recentes, sem falar no atual Bayern de Hansi Flick, melhor time do mundo, que alterna com precisão as duas fórmulas. Vale lembrar que Flick, agora, tem quatro pontas excepcionais – Gnabri, Coman, Douglas Costa e Sané, pra brincarem à vontade, com Lewa na área.

O que não dá é pra ficar no meio do caminho, aquele que não leva a lugar nenhum.

Vejamos qual vai ser a escala preferida pelo treinador Abel Ferreira. Que não seja a dissonante, espero.

Um comentário

  1. Saudações Mestre Helena Jr. Há que se ficar com “a pulga atrás da orelha” com a vinda desse técnico português ao Palmeiras. Não propriamente pelo técnico, que ainda é uma incógnita no cenário futebolístico brasileiro, mas com um fator semelhante ocorrido em 2009, quando o Palmeiras trocou um técnico interino pelo treinador Muricy, que foi mandado embora do São Paulo e assumiu o comando técnico do verdão no lugar do Jorginho, que vinha muito bem, após a demissão de Vanderlei Luxemburgo ( de novo ele) .Foi uma amarga experiência, já que o Muricy estreou com vitória por 1 a 0 sobre o Fluminense, no Palestra Itália, em 29 de julho daquele ano, isolando o verdão na liderança do Campeonato Brasileiro, com 31 pontos, na 15ª rodada. O treinador não conseguiu manter o Palmeiras no topo. A equipe acabou perdendo o título e a vaga na Libertadores na reta final, terminando na quinta colocação, e o verdão, na época , começou a entrar em “parafuso” e o Muricy acabou sendo mandado embora, cuja multa contratual causou enorme prejuízo ao clube. A história agora é análoga : saiu o Luxemburgo, assumiu o interino “Cebola”, que sai e entra em seu lugar o treinador português . O Palmeiras está muito bem na Libertadores, na Copa do Brasil e no brasileirão. Espero que o desfecho da história de 2009 não se repita e o Palmeiras continue indo muito bem nas mãos do Abel Ferreira. Falei….

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