
Antes de mais nada, é preciso distinguir a instituição Flamengo, um signo da nacionalidade, do seu time de futebol e da atual diretoria do clube.
O escudo do Fla paira acima de tudo o mais a ele relacionado.
O time foi até o início da pandemia algo extraordinário, seja nos resultados obtidos, seja na forma lúdica e eficiente de jogar.
Mas, a diretoria, uma lástima, desde quando seu presidente foi puxar o saco do poder em Brasília até esse vídeo idiota exarado na internet por um de seus cartolas, protagonizado por um clone filmográfico do execrável Hitler.
Tudo isso reflete a dimensão atual dos nossos dirigentes em praticamente todas as esferas de decisão. Fruto da deseducação generalizada (e aqui me refiro também a gerações), essa turma se apequenou de tal maneira que é praticamente impossível enxergá-los sob o prisma da história. É como se eles nos conduzissem rapidamente à Idade das Trevas.
E, pelas trevas da ignorância e do fanatismo, segue também o nosso futebol, comandado por fanáticos ignorantes.
O futebol brasileiro, meu caro, era pra ser um dos mais ricos e poderosos do mundo, recheado de clubes milionários, elencos poderosos construídos a peso de ouro, tudo isso que vemos rolar na Europa, caso nossos dirigentes fossem dotados de um mínimo de inteligência, visão e ousadia empresarial.
Afinal, o que é o futebol? Um espetáculo oferecido por vinte e dois carinhas lá no campo verde. Ora, não há nem nunca teve uma usina de jogadores como a nossa, por várias, que vão desde a numerosa população até à execrável pobreza da maioria dos brasileiros que veem nos gramados da bola a única pista de voo social e econômico ao seu alcance.
Isso, além de um inexplicável talento para o jogo, cevado desde o início do século passado.
Pois, mesmo sendo pentacampeões do mundo, produtores do maior jogador de bola da história – Pelé -, da maior Seleção de todos os tempos eleita pela Fifa – a de 70 – e tal e cousa e lousa e maripousa, aqui estamos, à beira do progresso, mendigando esmolas do resto do mundo e oferecendo a preço de banana nossos futuros talentos, enquanto colhemos o bagaço dos veteranos que voltam para o último suspiro profissional de sua vidas.
O amigo vai dizer que, enfim, somos um país pobre, sem recursos pra competir com os mais desenvolvidos.
É verdade, somos um país pobre, embora cá estejam operando cerca de 58 bilionários, uma safra razoável, convenhamos.
Mas, o futebol corre, de certa forma, em paralelo à riqueza ou a pobreza resultantes das demais produções industriais ou comerciais.
Pegue-se o exemplo da Espanha de Franco, nos anos 50. A Europa acabava de sair da destruição da Segunda Guerra Mundial, e aquele país, embora poupado pela isenção no conflito, nem devidamente industrializado era. Seu povo, desde o final do século anterior, era obrigado a emigrar para os EUA, o Brasil, a Argentina, o Uruguai e demais países da América do Sul para sobreviver.
Pois, no futebol, era uma potência técnica e financeira como nenhum outro país no mundo, com o Real de Di Stefano e o Barça de Kubala.
O que é, então, que nos falta?
Bestunto! Faltam cabeças pensantes no lugar desses cartolas amadores, fanáticos, botocudos no trato dos assuntos de real interesse de seus clubes. Prova disso, a incapacidade de se criar uma Liga Brasileira a exemplo do que acontece nos centros mais adiantados da Europa. Desde que elas passaram a pontilhar na Europa, o futebol de lá criou asas. Passou a ser um centro de importação de craques do mundo inteiro, desde a mais tenra idade, colhidos por uma rede extraordinária de olheiros pelo planeta afora, e hoje oferecem um espetáculo sedutor e milionário pra todos nós.
Para tanto, deram um chapéu em todas as idiossincrasias, desde as rivalidades regionais até os preconceitos racistas que se restringem hoje a certos grupos de torcedores deste ou daquele clube. Prova disso, a enorme legião de negros africanos ou deles descendentes que povoam os campos da Europa hoje em dia.
Infelizmente, vou virar cinzas antes que esse cenário mude por aqui. Se não ficar ainda mais trevoso.
ÓTIMO SR HELENA, A MANCUMUNAÇÃO ENTRE POLÍTICOS E DIRIGENTES DE FUTEBOL EM DETRIMENTO DOS CLUBES E A FORMA COMO O GOVERNO OLHA PARA OS CLUBES ABREM UMA PORTA PARA A CORRUPÇÃO, LAVAGEM DE DINHEIRO, EMPRESÃRIOS PICARETAS, MARIAS-CHUTERIAS, JORNALISTAS TORCEDORES E OUTROS PERSONAGENS QUE BEBEM DESSA MINA. A DIFERENÇA LÁ FORA É QUE O TAMANHO DA CORRUPÇÃO ACEITA É MÍNIMO. AQUI É PRAXE.