Lusa: um século de lembranças

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

A Lusa, neste mês, completa um século de existência. Nada a celebrar no presente. Ao contrário, só a lamentar pela queda vertical,, tão profunda que a aproxima de outros grandes que não conseguiram mais se recuperar sua antiga dimesão, como o América carioca, por exemplo.

Mas, se o amigo olhar por sobre o ombro pra trás, verá cintilações de momentos dourados da Portuguesa.

Dona da camisa mais bonita dentre todas, aquela de listas horizontais verde e vermelho, a Lusa já nos anos 30 andou levantando canecos por aqui, nos tempos da divisão das ligas – amadoras e profissionais. Mas, seu grande salto foi no início dos 50, com aquele esquadrão que chegou a ceder nove jogadores pra Seleção Brasileira, à época dirigida pelos cariocas, em tempos de forte rixa com os paulistas. Só pra ter uma ideia, o time era o seguinte, conforme erradamente era escalado pela imprensa de então no sistema clássico do 2-3-5: Muca; Nena e Noronha; Djalma Santos, Brandãozinho e Ceci; Julinho, Pinga II (depois, Renato, com breve passagem de Rúbens, o Dr. Rúbis do Fla, revelado pelo Ypiranga), Nininho, o Jacaré, Pinga I e Simão.

Na verdade, embora a crônica esportiva seguisse atrasada, já se jogava por aqui no WM, ou 3-4-3, como queiram. Assim, o time deveria ser escalado com Muca; Djalma Santos, Nena e Noronha; Brandãozinho, Ceci, Renato e Pinga; Julinho, Nininho e Simão.

Venceu o Torneio Rio-São Paulo, o germe do Brasileirão de hoje, fez duas excursões vitoriosas à Europa, o que lhe concedeu o título de Fita Azul, e só não foi campeão paulista porque a juizada não colaborava, pra ser o mais delicado possível.

Só pro amigo ter uma vaga ideia, em 1952, quando o Corinthians de  Idário, Roberto Belangero, Luisinho, Cláudio e cia. bela levantou seu bi, a Lusa simplesmente massacrou o futuro campeão por 7 a 3, com um futebol lancinante que exortou a bola de Julinho e quase encerrou a carreira de Gilmar, o maior arqueiro de nossa história, bicampeão mundial pela Seleção Brasileira.

Era de se ver aquele time deslizar em campo, sempre em busca do gol. Julinho, o mais completo de nossos pontas pela direita, de quem Cristiano Ronaldo do Manchester me fazia lembrar; Pinga, com seu rush irrefreável a partir do meio de campo; Brandãozinho com a elegância  de um mestre-sala e a precisão nos passes, essa turma encantava quem a visse em ação.

Depois, com o rolar da bola do tempo, vieram Ipojucã, Edmur, Amaro, Dicá, Servílio de Jesus, filho do Bailarino, Sílvio, Enéas, Félix Lorico, Zé Maria, Denner, Zé Roberto, enfim, uma plêiade de craques inesquecíveis.

Mas, só conquistou o título paulista naquele erro de conta do Armando Marques, na cobrança de pênalti da decisão com o Santos. Título, aliás, dividido no banheiro do estádio entre o presidente da Federação, Zé Ermírio de Moraes e os dois presidentes. Isso, porque Otto Glória, malandro velho, percebeu o engano do juiz e mandou sua tropa se retirar de calção e chuteira do estádio pra que se criasse o impasse (o Santos ainda tenha um pênalti a cobrar quando Armando apitou o fim de tudo).

Isso foi lá pela metade dos anos 70, quando a Lusa ainda festejava a construção do estádio do Canindé, erguido sobre o velho arcabouço de madeira comprado anos antes do São Paulo. Dali em diante, tirante alguns surtos de melhora, a Lusa foi decaindo até chegar ao estado deprimente atual, sobretudo por conta de gestões desastrosas, quando não criminosas.

Há quem ainda se ressinta de a Portuguesa não ter mudado de nome com o objetivo de expandir além das fronteiras da colônia lusitana a sua torcida, que sempre foi a segunda dos fãs do Trio de Ferro, dividindo essa preferência com o Moleque Travesso da Mooca. Raul Tabajara, o grande nome da rádio Panamericana e da TV Record dos Carvalhos, morreu lutando para que a Lusa fosse chamada de Bandeirantes, em vão. Talvez, a história tivesse sido outra, quem sabe?

Enfim, deixo aqui minha singela homenagem, escalando a seleção lusa dos tantos craques que vi em campo ao longo destes setenta anos de atento e apaixonado espectador da bola: Félix; Djalma Santos. Nena, Marinho Perez e Zé Roberto; Brandãozinho, Denner e Eneas; Julinho, Servílio e Pinga.

 

 

 

2 comentários

  1. Alberto Helena Jr.

    Não se dou meus parábens ou meus pêsames a outrora gloriosa Portuguesa de Desportos e que hoje em dia é um espéctro de ex time de futebol ainda em atividade, foram tantas gestões amadoras, desastrosas e até nebulosas (para ser bem educado) culminando com aquele imbróglio envolvendo jogador não regularmente inscrito que jogou a Lusa para o ostracismo “ad perpetuom” (para sempre), se eu fosse a colônia lusitana radicada no Brasil e em São Paulo encerraria as atividades no departamento de futebol, que definha a cada ano que passa, e pôe a Portuguesa hoje na prateleira de clubes da série A 3 do campeonato paulista e nem sei se a Lusa consta de alguma divisão mais do campeonato brasileiro, talvez a série D né, sinto muito pela torcida lusitana/brasileira que é bacana demais tendo porém dirigentes ao longo dos ultimos anos que podemos considerar mediocres (para ser bem educado)…..a Lusa é hoje como figurante daquela série americana Walking Dead (morta viva), infelizmente não sei se é para se comemorar ou amargar aniversário….coitada da instituição Lusa pagando caro pelos pecados mortais de seus dirigentes, hoje em respeito a Lusa não vou escrever rindo até 2026 e sim chorando até 2026. Saudações palmeirenses.

  2. Alberto Helena Jr.

    O senhor deitou falação sobre os cem anos da Portuguesa de Desportos porém não vi hoje dia 26/08/2020 nenhuma linha parabenizando o aniversário do Palmeiras….eita coraçãozinho tricolor hein Alberto….rindo até 2026. Saudações e parábens ao meu querido time o Verdão de história limpa no futebol… bem diferentes de outros times que faliram três vezes armaram virada de mesa na F.P.F. para mudar regulamento e não ser rebaixado no campeonato paulista e chegados a conchavos políticos em federação e confederação e governo para tentarem levar na mão grande o Parque Antartica durante a 2ª guerra mundial.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *