O Brasil que não dá liga

Foto: Alexandre Vidal/Flamengo

A definição de que o brasileiro é antes de tudo cordial, cravada pelo grande Sérgio Buarque de Holanda, pai do Chico e autor de livros preciosos como Raízes do Brasil, foi mal entendida por muita gente durante décadas.

Não se trata de cordialidade no sentido de cortesia, mas, sim, de que o brasileiro é movido pela paixão acima da razão. Cordial aqui vem no sentido de coração.

E assim é. Por exemplo no futebol, universo que replica a sociedade como um todo. E essa confusão entre Globo e Flamengo ilustra bem o que estou dizendo.

Qual a raiz de fato dessa balbúrdia?

Resposta: a falta de uma Liga de Clubes forte e atiiva, a exemplo do que ocorre nos principais centros futebolísticos do mundo. Por lá, há décadas, os clubes sentaram-se à mesa, debateram seus problemas conjuntos e chegaram à conclusão de que deviam tomar das mãos das federações as rédeas da construção de um novo sistema do espetáculo chamado futebol.  O êxito foi imediato. Os clubes encheram seus cofres, o jogo ficou mais excitante, e seus emblemas viajaram oceanos pela tv, a ponto de aqui, no chamado País do Futebol, multiplicarem-se nas redes sociais grupos de torcedores de times ingleses, alemães, espanhóis, italianos, portugueses, o diabo a quatro.

No Brasil, lá pelos anos 80, resolveu-se criar uma Liga de Clubes. Resultado: a realização de um Campeonato Brasileiro cujo desfecho é até hoje disputado entre Flamengo e Sport do Recife.

Essa Liga, ao correr dos anos, foi reduzida a um mero balcão de negócios entre os clubes e a TV Globo, sem nenhuma ingerência de ambas na construção de um calendário racional e produtivo, tanto para os clubes quanto para a emissora. Isso, o essencial, seguiu nas mãos sempre incompetentes, quando não corrupta, da CBF, controlada politicamente pelas federações estaduais, esse eterno anacronismo.

E até mesmo o poder de barganhar preços com a tv foi quebrado, há alguns anos, pelo Corinthians de Andrés Sanchez, que fez um acordo com a Globo por fora das negociações da Liga, que se esfarelou de vez.

A incapacidade de nossos dirigentes colocarem a razão acima da paixão e dos seus interesses mesquinhos, levou-nos a esse cinza que recobre o futuro mais próximo, aquele que virá depois da pandemia e do pandemônio vigentes no país.

É cada um por si e Deus… Deus bota as mãos na cabeça.

NA LINHA DO GOL

A goleada do City de Guardiola sobre o Liverpool de Klopp pode ser atribuída a um natural relaxamento do campeão antecipado e de campanha avassaladora no Campeonato Inglês. Mas, o fato é que o City, mesmo fugindo um pouco de suas características – domínio absoluto da bola e dos espaços -, foi mais Liverpool do que o próprio. Isto é: cauteloso na defesa e cirúrgico nas investidas ao ataque. Por fim: o que joga esse De Bruyne, hein, meu!

O Real, com a vitória por 1 a 0, gol de pênalti  de Sérgio Ramos, cada dia melhor, distanciou-se ainda mais do Barça. Aliás, foi uma vitória dessas que timbram os escolhidos, pois jogou mal diante do Getafe, e, por pouco, não perdeu a partida. Destaque, além de Sérgio Ramos: o nosso Casemiro, tão desprezado no São Paulo quanto na Seleção de Mano. Joga demais. Protege sua área como nenhum outro, passa, lança e ataca com perigo e eficiência. Ainda outro dia, fez o gol da vitória do Real, também em jogo encruado. A meu ver, trata-se do melhor volante do mundo.

O que será do Palmeiras sem Dudu, pois tudo indica que o craque alviverde, desta vez, deverá escapar do Parque e das possíveis pressões sobre seu affaire conjugal. Não tenho dúvida de que seria um baque para o Palmeiras, que tanto tem dependido dele nos últimos anos. É esperar pra ver.

 

 

 

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