Fla, uma lição perdida

Pedro Martins / MoWA Press

Disse aqui e repeti no Gazeta Esportiva da Fada Loira que se fosse o Tite montaria a Seleção sobre a base do Flamengo. De fora, apenas o goleiro Alisson, a dupla de zaga já entrosada formada por Tiago Silva e Marquinhos, Casemiro em vez de Arão e lá na frente Neymar no lugar do uruguaio Arrascaeta. Todos os demais – Rafinha, Filipe Luís, Gérson, Everton Ribeiro, Gabigol e Bruno Henrique -, do Fla.

Nenhum deles porém, está na lista de Tite divulgada nesta sexta-feira. E, se justifica. Afinal, nosso calendário é tão absurdo que o técnico da Seleção Brasileira não pode recorrer a jogador algum do time que pratica o futebol mais brilhante e vencedor da atualidade. Fica pra próxima, ou quando der.

Porém, mais importante do que o simples transplante de jogadores do Fla pra Seleção, seria Tite abraçar a mensagem valiosa que Jorge Jesus manda através do seu Flamengo ao mesmo tempo vitorioso e cintilante: um futebol sem dois volantes, com um meia armador de fato (Gérson), vertiginoso na saída da defesa ao ataque, com trocas surpreendentes dos três atacantes e tal e cousa e lousa e maripousa, capaz de resgatar no tempo e no espaço aquele jogo criativo, envolvente e eficaz que fizeram do Brasil o país do futebol, em épocas ´passadas.

Contudo, espiando a convocação de Tite não vislumbro uma vírgula desse discurso. É o mesmo do mesmo: mais volantes do que meias ofensivos e sem a presença do autêntico articulador de meio de campo.

Traduzindo: Tite simplesmente vai experimentando jogadores mais jovens do que os habituais, o que é positivo, diga-se, embora os nomes chamados não componham um grupo tão seleto, tecnicamente.

Enfim, nada de novo no que realmente interessa.

Eis por que faço cara de dúvida quando se fala em legado de Jorge Jesus, algo que possa mudar a mentalidade em geral dos técnicos brasileiros, e, por consequência, o nível da imensa maioria dos nossos times. O brasileiro, em geral, não gosta de ler, despreza o passado, por conseguinte, não entende o presente e muito menos é capaz de preparar o seu futuro. Pior: limita-se a respirar o ar tóxico do medo eterno.

Um comentário

  1. Nobre, Helena Júnior, esse bando de “treinadores adoradores de volantes”, que estão demolindo o nosso futebol, tem em comum, falso desprezo aos craques, os meias e atacantes. A meu ver, no fundo eles tem inveja, dos artistas da bola, que são os verdadeiros protagonistas do espetáculo, com seus repertórios variados, que fazem a alegria do torcedor. Pouquíssimos deles, foram jogadores medianos, a maioria, foi medíocre ! Essa atitude, de barrarem quem brilha, pode ser facilmente explicada por psicólogos e psiquiatras. Mas a manutenção desses, frustrados treinadores, a frente dos Clubes, e Seleções, bancados por dirigentes, já é um caso de Polícia …

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