Bela ópera da bola no Scala

Foto: Marco Bertorello / AFP

A entrega dos prêmios de melhores do mundo, segundo a Fifa, foi um espetáculo digno do sagrado palco do Scala de Milão, assim como o procedente discurso de encerramento do presidente Infantino, conclamando o governo do Irã a abrir as portas dos estádios de futebol às mulheres de seu país, inspirado pela tragédia recente da moça que travestida de homem foi barrado pela polícia à entrada do campo e, em sinal de protesto, incendiou-se diante do Palácio da Justiça (?) do seu país.

Mas, o mundo já está cauterizado pelas tantas barbáries cometidas em nome das várias fés religiosas desde a mais remota Antiguidade até os dias de hoje.

Descrente de todas elas, prefiro falar de futebol, o melhor que ele possa nos oferecer como bálsamo à estupidez humana. E aqui, permita-me o amigo, como todo time começa pelo goleiro, quero saudar a escolha do brasileirinho Alisson, eleito o melhor do mundo, ainda que enfrentando paredões como Ter Stegen, Neuer, De Gea, Oblak etc.

E não é que em plagas tapuias ainda há quem resista à sua escalação como titular da nossa Seleção?

Restrição, porém, faço à presença na Seleção do Mundo do croata Modric, eleito o melhor jogador do ano passado, quando cumpriu excelente Copa do Mundo por seu time nacional. Desde então, contudo, Modric não anda jogando nada, a ponto de virar banco no Real. David Silva, do City, ou mesmo De Beek, parceiro de De Jong no Ajax que encantou na Copa dos Campeões da Europa, mereciam muito mais essa ilustre camisa.

Mas, a grande lambança mesmo foi escalarem o beque central De Light na lateral direita, lugar reservado a Kimmich, claro. Mas, enfim…

Enfim, a bola de ouro voltou às mãos e aos pés de Messi, esse extraordinário jogador argentino do Barça, o maior jogador de futebol deste século. Nada mais justo.

Quanto à escolha de Klopp em lugar de Guardiola, disparado o melhor técnico do mundo desde que assumiu o banco do Barça, passando pelo Bayern e agora no City, justifica-se pela conquista do Liverpool da Copa dos Campeões da Europa.

Por fim, quero deixar aqui uma gota de comoção ao  discurso lúcido e ao mesmo emocionante da brasileira que recebeu o prêmio destinado aos fãs do futebol, a mãe dedicada que leva o filho cego aos jogos do Palmeiras e passa o tempo todo narrando a partida para o garoto, com amor e dedicação.

Ainda há uma réstia de esperança.

Foto: Marco Bertorello / AFP

 

 

 

5 comentários

  1. Matou-se muito mais em nome de sistemas políticos e de Estados do que de religião. E todas, excetuando-se uma que prega o amor ao inimigo, existem desculpas para matar. Sempre é bom separar as coisas.

  2. Alberto Helena Jr.

    Uma linda lição de amor incondicional de uma mãe para o seu filho de coração que está acima de qualquer sentimento humano, diria até que a nível de divino, cujo esporte serviu de sedimentação para o amor destes dois seres especiais, que mostraram ao mundo que vale a pena viver…só podiam ser palmeirenses….obrigado mais uma vez Sra. Silvia e Nicolas pelo privilégio de escolherem o Palmeiras para torcer e mostrar para o mundo nosso time de forma tão humana e tão sublime…isto vale para nós palmeirenses até mais do que um mundial. Saudações palmeirenses.

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