Mano, um passo à frente

Foto: Vinnicius Silva/CEC

Quando assumiu a Seleção Brasileira, Mano deu as boas novas: o Brasil seria protagonista de novo. Traduzindo, pra usar um termo em moda, reativo. Ou seja: aquele time de futebol fosco, mais preocupado em se defender do em atacar com ciência e arte. E, de fato, isso ocorreu na sua estreia contra os EUA, quando Ganso e Neymar deram o tom.

Mas, Ganso logo em seguida se machucou e não mais voltou a ser o mesmo meia genial de passes imprevisíveis e acurada visão de jogo.

Consequência, aos poucos, o Brasil foi refluindo ao lugar-comum daquilo que treinadores e mídia chamam eufemisticamente, de equilíbrio. Isto é: um time equilibrado teria a divisão dos dez jogadores de linha em cinco mais defensivos e cinco mais ofensivos. Isso, porém, não se dá com a presença de dois volantes, o que escamoteia ou um meia ou um avante. Resultado: 6 a 4 pra defesa contra o ataque.  No sentido contrário, por exemplo, caminham o Fla de Jesus e o Santos de Sampaoli, não por acaso líderes do Brasileirão.

Contudo, já na sua despedida da Seleção, Mano havia encontrado uma solução para esse desequilíbrio.

No Cruzeiro, embora sem, obviamente, dispor de craques excepcionais, Mano conseguiu, em três anos de ação levar seu time a conquistar quatro títulos jogando um futebol aceitável, ainda que sem grandes destaques no Brasileirão.

Por fim, a queda trágica nesta temporada, em que a Raposa somou dezoito jogos sem vitória e um escasso número de gols produzidos, o que levou Mano a pedir demissão.

Chega agora a um Palmeiras em queda livre depois de início espetacular, em termos de resultados, sob o comando de Felipão. E chega crivado de rejeição por parte do torcedor verde já enjoado de ver um time estrelado se comportando em campo como um zero à esquerda, à base de chutões pra frente,sem outro recurso, jogo após jogo.

E é aí que recai a rejeição do torcedor à chegada de Mano: é mais do mesmo.

Mais ou menos, diria. Embora refém da Escola Gaúcha que tomou conta do mercado de treinadores no país, Mano sabe dar um pouco mais de equilíbrio em suas equipes, na passagem de bola da defesa ao ataque, com a bichinha trabalhada em vez dos chutões felipescos.

Poderia, claro, romper de vez a barreira entre o lugar-comum enraizado no nosso futebol em geral com o elenco que possui, tendo o Flamengo de Jesus como exemplo. Mas, Mano é um tipo cauteloso, que certamente pisará devagar em terras desconhecidas e minadas.

Mas, de qualquer forma, espero por uma melhora progressiva do desempenho do Verdão daqui pra frente, pois Felipão já esgotara a paciência até de seus maiores defensores.

 

7 comentários

  1. Um multi campeão. Contudo, não buscou se reciclar em tempos modernos não é salutar ficar parado no tempo, até mesmo no futebol. Chega Jorge Jesus e Sampaoli, mostrando um pouco de coragem engole os tecnicos com modelos utilizados por Felipão. Gosto muito dele, mas tem se reciclar. Bom dia.

  2. As suas análises são das melhores que encontramos no futebol.. Depois que descobri sua coluna a leio todos os dias. Parabéns. Além de corajoso em botar o dedo na ferida, aprofunda a discussão.

  3. Mano é, de fato, um passo bem a frente de Felipão.
    Como eu havia dito no comentário passado, ele sabe escalar jogadores certos em posições corretas.
    Mesmo o “arroz com feijão” que é um estilo dele, faz diferença quanto do tratamento da bola.
    A torcida palmeirense pode ficar tranquila, existe um bom treinador para seu riquíssimo elenco, podem ter certeza.
    Abraços e saudações.

  4. Sinceramente? O Palmeiras contrata um técnico que foi demitido exatamente por desclassificar o Cruzeiro em muitos campeonatos? Faltou visão para buscar um técnico estrangeiro. Não vejo futuro para Mano Menezes no Palmeiras e nem para Oswaldo Oliveira no Fluminense.

  5. Caro, Alberto Helena

    Todos os técnicos brasileiros estão ULTRAPASSADOS!!

    Quando o Brasil vai compreender que não é o individual que decide, mas sim o colectivo?

    Quando o Brasil vai compreender que o futebol hoje é colectivo e não individual?

    Quando o Brasil vai compreender que não se deve endeusar o “craque”, mas sim o colectivo?

    Quando o Brasil vai compreender que mesmo tendo imensos “craques” não somos campeões do mundo vai fazer 32 anos?

    Quando o Brasil vai compreender o porquê de países com muito menos “craques” jogarem de igual com o Brasil, e alguns ganharem ao Brasil e, outros conseguem ser campeões do mundo?

    Quando o Brasil vai compreender que um treinador competente é aquele que estuda os sistemas de jogo actuais.

    Quando o Brasil vai entender que o treinador deve retirar o melhor de cada jogador em prol do colectivo?

    Quando o Brasil vai deixar de se achar o “maior”, no futebol e que não precisa de aprender com os treinadores estrangeiros?

    Quando o Brasil vai entender que trocar um treinador desactualizado por outro desactualizado não resolve nada e, isso aplica-se aos clubes e à seleção……. Quando, pergunto eu?

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