Segredos em campo minado

Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Às vésperas de jogo decisivo contra o Paraguai, o Brasil não pôde fazer sequer um treinamento no campo do jogo, o estádio do Grêmio. Motivo: o gramado da tal arena inteligente está estropiado, algo corriqueiro no nosso futebol, onde se investe tanto em comissões técnicas altamente especializadas, em jogadores caríssimos etc., menos no piso onde a bola rola, o que é essencial para a bichinha rolar de fato e não sair por aí dando pinotes.

O amigo velhote como este cronista haverá de replicar que nos bons tempos o Pacaembu, por exemplo, era um charco onde se podia assistir espetáculos de altíssima categoria técnica, como, por exemplo, aquele inesquecível Santos 7, Palmeiras 6, dos tempos em que se amarrava cachorro com linguiça.

Mas, isso seria mero saudosismo, pois já naquela época os europeus, que não possuíam um pingo da nossa habilidade, exibiam gramados verdinhos, rentes e lisos feito bumbum de nenê.

Lembro, por exemplo, das fotos coloridas estampadas nas revistas brasileiras do Estádio do Jamor, em Portugal, quando nossa Seleção estreou na excursão à Europa em 56. Foi um espanto para o brasileiro ver aquele campo que parecia pintado de verde, com as faixas alternando o claro e o escuro.

Fico imaginando: se aquele futebol brasileiro fosse disputado naqueles gramados a perfeição morreria de inveja. embora o Brasil, na tal excursão, tivesse sido um vexame, sobretudo pela desorganização, outro traço do nosso DNA.

Desorganização que cultivamos até hoje e que marca esta Copa América de gramados descuidados, preços altíssimos dos ingressos cujas trocas obrigam o espectador e fazer périplos pelas cidades e tal e cousa e lousa e maripousa.

Isso, pra assistir um futebol tecnicamente medíocre, apesar da presença de astros internacionais, como Messi, Suárez, Vidal, James, Guerrero, Cavani etc.

Mas, voltando ao treino do Brasil… que treino? Ninguém, fora a turma da Seleção, sabe, pois trata-se de um segredo de estado, guardado a sete chaves. Os repórteres e câmeras têm quinze minutos de nada para observar ao vivo antes de serem expulsos.

O segredo, todos sabemos, é o pai do embuste, sobretudo pra nossa mídia sempre disposta a exaltar os técnicos de futebol e seus variados modelos de jogo, que, no fundo, não passam de variações fictícias, a não ser as tais duas linhas de quatro com claro viés defensivo que todo mundo por aqui adotou e passou a chamar de equilíbrio.

Bem, mas o que rola nesses treinos escondidos da imprensa e do público?

Não é difícil adivinhar. Treinam-se as jogadas de bola parada, tanto na defesa quanto no ataque, chutes a gol, especialmente cobranças de pênaltis, em ocasiões como esta, e, exaustivamente, aquele treino alemão, de campo reduzido, pra esmerar a troca de passes rápidos. Se, por acaso, no jogo, surgir uma combinação excepcional, o comentarista logo dirá que foi jogada ensaiada. Como o amigo sabe disso se o treino foi secreto?

Apenas retalhos de um jogo de futebol de fato, isso, sim.

Ora, até meu neto que nem foi encomendado ainda sabe que futebol é conjunto Conjunto se obtém por meio de treinos coletivos, constantes, predominantes, para que os jogadores saibam por osmose onde os companheiros estão na hora de decidir o passe, única maneira de formar aquela rede de entendimentos que facilite a condução da bola à meta adversária, objetivo final de uma partida de futebol.

São os retalhos colando-se uns aos outros pra formar o grande mosaico do jogo jogado.

Ainda ontem assistia pelo Sportv um programa com Falcão falalando sobre a histórica Seleção de 82, em que o Rei de Roma contava que, sob Telê, era coletivo todo dia, o que conferiu àquele time de craques inexcedíveis um futebol primoroso, tato individualmente quanto coletivamente.

Cobri ao vivo cerca de sete Copas do Mundo, a partir de 74. E nunca – antes ou depois de 82 – testemunhei, por parte dos companheiros de outros países, tanto ardor e respeito pela nossa Seleção como a de Falcão, Cerezo, Zico, Sócrates, Eder e cia. bela.

Lembro de um jornalista escocês, com quem dividia a bancada no Sarriá naquela fatídica derrota para a Itália, que, percebendo, minha angústia, tentou me animar:

-Que é isso, brasileiro? Seu time é o melhor do planeta, já, já, vira esse jogo.

Não virou, mas entrou para a história como um marco divisório em que o nosso futebol passou a ser europeu e o europeu, brasileiro.

De qualquer forma, com ou sem coletivos, seja lá de que forma secreta nos preparamos para o embate com os paraguaios, nosso time é tecnicamente superior e deve passar para a próxima fase da Copa América, ainda que apertado no placar.

 

 

 

6 comentários

  1. Alberto Helena Jr.

    Prepare-se amanhã para fortes emoções amigo Alberto menos para mim que já vejo o trio do sistema defensivo da seleção paraguaia Gatito Fernandes, Balbuena e Gustavo Gomes formando um paredão quase que intransponível e quem vai furar esse paredão o William por exemplo….faz-me rir…o nosso treineiro não sabe jogar com a bola nos pés de forma ofensiva pois mesmo tecnicamente inferior o Paraguai transmite pesadelos no Adenor que já sabe né…se perder o famosao olho da rua o espera e ele aí ele vai na covardia derrubar o seu pupilo Carrille do comando técnico do time de itaquera ou talvez a dupla trabalhe junto com o sugestivo nome de re….tranca. Saudações palmeirenses.

    1. Espetacular seu texto! Realmente acabaram com o futebol brasileiro! Infelizmente a derrota em 82 e a conquista em 94 reforçou o negativo no inconsciente coletivo dos operadores do futebol brasileiro! Acredito ser quase impossível resgatar, até porque, desde a base os meninos e meninas são mecanizados… Aqui, como em tantos outros bairros, não vejo mais as peladas de rua como antes! Infelizmente não.somos mais.o pais do futebol porque perdemos essa identidade!

  2. Jota Jr. Sei que é dificil pela freguesia que dói tanto em vcs, vergonhas passadas e tal e cousa e lousa e maripousa mas vc precisa esquecer o Timão…Isso vai te fazer mal, meu caro…

    1. Alberto Helena Jr.

      Como vai meu amigo Tião Fiel tudo bem ? Comigo tudo bem graças a Deus eu vou te falar amigo Tião uma coisa que o Joelmir Betting falou mas não com as palavras sábias que ele usou porém o conteúdo é mais ou menos assim não é necessário explicar a outro palmeirense o que é ser palmeirense porém é impossível explicar a torcedor de outro time o que é ser palmeirense e com relação ao time de itaquera é obrigação de todo palmeirense torcer sempre contra pois é nosso maior rival e ninguém chuta cachorro morto não vamos espinafrar quaisquer times que se rivalizam conosco nos gramados só os times que durante a história do futebol se mostraram nossos maiores e mais duros rivais então tome como elogio essa minha peocupação em “detonar” o timão mas só no campo esportivo é lógico como digo sempre rivais em campo inimigos fora de campo nunca. Um abraço e saudações palmeirenses.

  3. Espetacular seu texto! Realmente acabaram com o futebol brasileiro! Infelizmente a derrota em 82 e a conquista em 94 reforçou o negativo no inconsciente coletivo dos operadores do futebol brasileiro! Acredito ser quase impossível resgatar, até porque, desde a base os meninos e meninas são mecanizados… Aqui, como em tantos outros bairros, não vejo mais as peladas de rua como antes! Infelizmente não.somos mais.o pais do futebol porque perdemos essa identidade!

  4. Espetacular seu texto! Realmente acabaram com o futebol brasileiro! Infelizmente a derrota em 82 e a conquista em 94 reforçou o negativo no inconsciente coletivo dos operadores do futebol brasileiro! Acredito ser quase impossível resgatar, até porque, desde a base os meninos e meninas são mecanizados… Aqui, como em tantos outros bairros, não vejo mais as peladas de rua como antes! Infelizmente não.somos mais.o pais do futebol porque perdemos essa identidade!

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