Dali e Zé do Caixão no STJD

Foto: divulgação

Nem se Salvador Dali se juntasse ao Zé do Caixão conseguiria a dupla produzir uma cena tão surreal como a que vivemos nesta pátria amada tão pouco gentil.

No futebol, palco onde se reencena o nosso cotidiano a cada rodada, a última produção em cartaz é essa história bizarra em torno do jogo entre Botafogo e Palmeiras.

Velha e surrada frase acompanha o Glorioso há décadas: “Há coisas que só acontecem com o Botafogo”.

E uma dessas coisas aconteceu quando o juiz do jogo, depois do lance entre o zagueiro e o centroavante Deyverson, reiniciou o jogo e deixou a bola rolar por três toques, antes de ouvir o chamado do VAR pedindo que ele revisse o lance na tv. Reviu e apontou pra marca de cal. Gomez bateu e fez o gol da vitória verde.

A questão é que, no protocolo do VAR, esse tipo de decisão deve ser tomado antes de o juiz haver recomeçado a partida. No caso, recomeçou. Portanto, o protocolo foi quebrado, e a questão foi levada ao STJD, essa excrescência que persiste no nosso futebol, fruto do bacharelismo que marca a história brasileira.

Informações filtradas da alta corte do futebol brasileiro, dão conta de que a tendência do tribunal é negar o pedido de anulação da partida feita pelo Bota. Por quê? Porque os três toques na bola dados pelos jogadores botafoguenses não tiveram maiores consequências.

Ora, ora, ora. Nesse caso, o tribunal estaria predisposto a saltar sobre a regra estabelecida para julgar os efeitos antes das causas. Surreal!

Por enquanto, o tribunal resolveu suspender o placar do jogo, à espera da manifestação do Palmeiras, seguida do julgamento final.

Confesso que não sou  versado nesses escaninhos jurídicos; portanto, nem imagino se é caso de anulação ou não da partida. No que me toca, o pênalti existiu. Além do mais, o Palmeiras é muito superior, tecnicamente, do que o Bota e mereceu a  vitória, ainda que apertada no placar como é de hábito com o time de Felipão, com as exceções de praxe.

Mas, desconfio que toda essa barafunda termine com a manutenção do resultado da partida e uma bela suspensão ao juiz, que, no fim das contas é quem comanda o espetáculo.

A propósito, vale ressaltar que o VAR, ao contrário do que muita gente insiste em incriminar, nada decide. Ele apenas assessora o juiz, provido dos recursos tecnológicos que escapam ao controle do árbitro do jogo. É este quem dá a última palavra, Ou, a penúltima, neste caso.

 

Veja fotos de Botafogo x Palmeiras no Brasileirão

 

7 comentários

  1. O mistério Casemiro. Acaba copa começa copa e lá está ele, firme e forte como sempre. Um intocável. Será pelo futebol que joga ou pelo piano que carrega? Muito mais pelo piano que carrega. O futebol dele é uma mixórdia. Numa seleção que prioriza as individualidades- no caso da brasileira ´só uma- há que ter alguém como Casemiro e Fernandinho para assegurar o show do sua maior estrela. Com isso o futebol de conjunto é jogado às favas. Se a maior estrela jogasse para o time, ajudasse na marcação e tivesse um futebol mais solidário, pra que Casemiro?

  2. Meste,
    “…o tribunal estaria predisposto a saltar sobre a regra estabelecida para julgar os efeitos antes das causas. Surreal!”… Mas isso aconteceu numa partida do Palmeiras contra o Corínrhians ano passado, quando numa disputa de bola entre o Jailson e o Renê Jr., o árbitro, próximo ao lance, viu e a considerou normal. Mas, depois, ao ver sangue na perna do jogador do Corínthians (efeito), o árbitro desprezou sua visão inicial e correta (causa – não houve falta) e marcou penalti e expulsou o Jailson. Acontece.

  3. A lembrar que o STJD é historicamente ocupado por membros de uma família que se notabiliza por torcer pelo Botafogo. Hum… será que aí tem coisa?

  4. Caro Alberto Helena Jr., creio que o absurdo não está no pleito do Botafogo (é legitimo, no caso de sentir-se prejudicado),, nem no equivoco do árbitro e do var em deixar o juiz reiniciar a partida enquanto revisava o lance. Falhas humanas, podemos assim dizer. Mas a coisa vai ao despropósito quando: 1) antes de qualquer julgamento final, a CBF já retira os pontos do Palmeiras. O jogo foi realizado por completo e até que se decida pela sua anulação, os pontos estão valendo. Suspendê-los é só uma forma espúria de criar pressão e tumulto sobre a tabela; 2) Ouvir o Palmeiras para que? Que importância tem sua posição. É obvio que ele deseja os 3 pontos que ganhou em campo. Ele não apitou o jogo, nem interferiu na marcação do juiz. Quem tem que decidir sobre a demanda do Botafogo é o Tribunal., a partindo dos fatos ocorridos, analisados a partir das regras estabelecidas. Parece que há o desejo de criar confusão ou, de acordo com aquela máxima, criar dificuldades para vender facilidades.

  5. Lembro do São Paulo em 2009 enfrentando o Botafogo com 7 jogadores suspensos arbitrariamente pelos botafoguistas do STJD, pra ajudar o time a se livrar de outro rebaixamento (assim como ajudaram virando aquele 6×1 no caso Sandro Hiroshi).

    Por mim Botafogo, Fluminense, são times que poderiam ser EXTINTOS. Só tem bandido e corrupto apoiando.

    Se por causa de 3 toques na bola for anular um jogo em que os corruptos perderam, pode parar com o futebol brasileiro. Por essas e outras que o povo prefere campeonato inglês, champions league, lá não tem torcedor dos clubes cariocas fazendo merda no STJD.

  6. A. Helena caso o jogo do Botafogo x Palmeiras seja anulado, a partida teria que ser realizada no estádio Mané Garrincha DF, pois se o jogo for anulado ele nunca existiu, e se não existiu tenho direito como consumidor de ver , pois se o mandante vender ingresso novamente estará vendendo o mesmo produto duas vezes, caindo como enriquecimento ilícito

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