Clássicos e Ceni x São Paulo

Foto: Mauro PIMENTEL/AFP

 

Este final de semana  do Brasileirão já se inicia promissor, com um clássico nacional entre Corinthians e Grêmio, em Itaquera. São duas camisas pintadas de glórias mas de modelitos diferentes não só nas cores, mas, sobretudo, no jeito de jogar.

O Corinthians, apesar dos esforços de Carille pra lhe dar uma nova feição, um pouquinho mais ofensiva, segue naquele padrão convencional: muita organização defensiva, embora quem acabe sempre se destacando seja o goleiro, Cássio, e praticamente nenhuma criatividade no meio de campo, o que se reflete lá na frente, onde os atacantes carecem do passe-surpresa ou das tramas bem urdidas que nascem mais atrás.

Afinal, Jadson, de todos os meias disponíveis em Itaquera, o único com habilidade para

tanto, não consegue atingir uma forma física capaz de lhe permitir executar essa missão com proficiência. E, Sornoza, dono de boa bola parada, não possui essas qualidades específicas.

É ali, por sinal, que reside a preocupação de Renato Gaúcho, cujo Grêmio atingiu o auge nos dois anos passados justamente pelo poder de trabalhar a bola com esse refino artesanal, sob o comando de Maicon, o meia que não erra passes nem a pau.

Renato, porém, começa a trilhar o caminho inverso, sem, contudo, abdicar de seu estilo. Só que anda treinando a alternativa do passe longo, principalmente partindo lá de trás dos pés de Michel, exímio lançador. Não se trata de uma mudança de estilo, mas apenas de agregar esse recurso a mais ao setor de criação do Tricolor gaúcho.

Vale a pena observar como se sairão Renato e Carille nessas buscas por novidades.

No domingo, mais dois clássicos envolvendo os grandes paulista.

No Mineirão, o Galo tenta manter a liderança diante de um Palmeiras que vem cavalgando a galope montado nos números, embora ainda longe de produzir o futebol que sugere seu ilustre elenco. Mas, Felipão está pouco se lixando com isso. Seu negócio é fechar a casinha e, se possível, ganhar por 1 a 0, ainda que o ataque verde seja o mais positivo do torneio até agora.

Será um teste decisivo para o Galo, pois, vencendo o favorito ao torneio, ganhará uma dimensão espiritual capaz de colocá-lo de vez n páreo.

Se perder, para o Verdão pouca diferença  fará nesse sentido, pois o campeonato é longo e esse time tem mais recursos do que os demais pra enfrentar essa maratona, já que o rodízio de jogadores é a lei de Felipão em vigor.

Já no Pacaembu, o Santos recebe o Vasco, inflado pela chegada de Luxa a São Januário.

O Malandro, como costumo chamá-lo na intimidade, não deverá ainda ficar no banco. Mas, certamente, como não consegue ficar de boca fechada, estará espalhando suas ideias pelo vestiário cruz-maltino.

Boas ideias, segundo a entrevista concedida outro dia à Espn. Algo similar aos tempos em que era o mais inventivo e vencedor técnico brasileiro, capaz de armar times ganhadores e, ao mesmo tempo, agradáveis de se ver, com um claro viés ofensivo e tal e cousa e lousa e maripousa.

Seu declínio, não por acaso, começou justamente quando mudou o braço da viola e passou a ser mais um seguidor dessa abjeta forma de jogar, cheio de volantes e mais preocupado com os resultados do que com o desempenho de seu time.

Não sei se conseguirá aplicar esses conceitos no Vasco de tão modesto elenco. Mas, vale a pena ficar de olho, já que o Peixe de Sampaoli habituou-se a nadar contra a corrente  e vem ganhando espaço cada vez maior.

Por fim, um confronto que não se pode catalogar como clássico, mas que chega com um tempero especial: Rogério Ceni, o mito tricolor, contra o São Paulo dos meninos de Cotia que vêm fazendo a diferença.

O Fortaleza, que vem lampeiro sob as asas de Ceni, acaba de se classificar para a decisão da Copa do Nordeste, e, sob o impulso de sua delirante torcida, promete surpreender o São Paulo de Cuca.

Que São Paulo?  Ainda não se sabe ao certo como Cuca montará sua equipe, a não ser que o garoto Walce ocupará a zaga no lugar de Anderson, e, que Pato não joga, ressentindo-se daquela lesão no cervical sofrida contra o Flamengo.

Se Cuca merecer o apelido, poderá meter medo no Leão mesmo sem Pato, pois Toró dá conta do recado lá na frente. É com seu meio de campo que o treinador do São Paulo deve afiar seu olhar.

Quando o Tricolor jogou mais solto e impositivo contra o Fla? Quando Hudson voltou à lateral-direita e a dupla de volantes (sic) foi formada por Tchê Tchê e Liziero, dois médios com força e habilidade para levar o time à frente com a devida frequência. Como Hernanes não tem condições físicas pra iniciar o jogo, basta Cuca escolher entre o menino Igor Gomes, que fez um excelente fim de Paulistinha, e Vítor Bueno, dois meias com viés ofensivo e de bom passe e finalização certeira.

Mas, como o jogo é lá, não me surpreenderia até se Cuca optasse por uma formação com Juicilei e Hudson por ali. Seria a tragédia anunciada, embora o futebol, como estamos cansados de saber, é uma estranha teia tecida também pelo acaso.

 

Um comentário

  1. Alberto Helena Jr.

    Precisamos nos superar e muito para ganhar do patético mineiro lá pelas bandas de Minas Gerais e se o Verdão ganhar assumiremos a liderança do campeonato e se mantivermos o foco respeitando todos os adversários temos chances de ganhar a 11ª taça do brasileirão. Saudações palmeirenses.

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