
Quando se pergunta ao torcedor brasileiro qual sua preferência – o resultado ou jogar bonito -, de imediato rola no inconsciente coletivo uma falsa interpretação do tema. Isto é: jogar feio é obter o resultado positivo; jogar bonito significa perder. E logo alguém saca do bolso a Seleção Brasileira de 82: e daí?, jogou bonito e perdeu!
São esses clichês que se imprimem pra sempre na cabeça de quem prefere não refletir sobre qualquer assunto e apenas seguir o rebanho pra onde ele for.
Jogar feio não significa necessariamente vencer e vice-versa, ô cara-pálida. Ao contrário, jogar bonito, jogar bem, com boas trocas de bola e um olhar ofensivo em busca do gol, o objetivo do jogo, é o que determina, se conquistado mais vezes, o vencedor.
Jogar feio, como costuma jogar a maioria de nossos times, é flertar mais com a derrota do que a vitória. Portanto, a pergunta correta seria: o que você prefere, vencer jogando bonito ou vencer jogando feio? Sim, porque o resultado a favor é desejo básico de qualquer torcedor de futebol em qualquer parte do mundo. Ou, melhor: perder jogando feio ou perder jogando bonito?
No Brasil atual, praticamente todos os times jogam feio, em busca do resultado apoiando-se num modelo defensivo e tedioso. Só um é campeão. O resto, com raríssimas exceções (o Santos, por exemplo), é composto de perdedores que jogam tão feio como o campeão, embora a primeira rodada deste Brasileirão tenha servido como alento, pois tivemos vários jogos de alta qualidade técnica e muitos gols.
Nos centros mais avançados da Europa, hoje, pratica-se um futebol ao estilo daquele que abjuramos há duas décadas, por baixo.
Por exemplo: tava aqui vendo a vitória do Ajax, por 1 a 0, sobre o Tottenham, pela Liga dos Campeões.
Que jogo, meu! O Ajax, que voltou a praticar aquele futebol empolgante dos bons tempos desse time e da Seleção Holandesa, começou arrasador. Mesmo no campo adversário, acuou os ingleses, com uma marcação avançada e muitas trocas de passes, dribles e infiltrações até que, aos 15 minutos, Van de Beek, um meia que aqui seria chamado de segundo volante, recebeu o fruto de bela trama iniciada por Neres na área, sozinho, e guardou.
Mesmo vencendo um jogo decisivo, na casa do inimigo, sob delirante torcida adversária, o Ajax, desprovido de um elenco milionário, porém, altamente técnico, seguiu avante, criando embaraços na área do Tottenham até que houve aquele choque entre dois ingleses que terminou na saída de Vertonghen, zonzo, amparado por dois membros de sua comissão técnica.
A propósito, vale aqui ressaltar a atuação do juiz que se mostrou mais perceptivo do que os médicos dos Spurs, pois insistiu com eles que o jogador não tinha condições de seguir em frente. Vertonghen voltou a campo e segundos depois teve de sair nos braços dos acompanhantes.
Isso, permitiu que o Tottenham se reposicionasse em campo, sobretudo depois da entrada de Sissoko, até então poupado no banco. E o jogo fluiu mais parelho até o final, embora os ingleses insistissem demais nas bolas aérea Foi quando o goleiro Osana mostrou seus bons reflexos e impulsão.
E, antes do término, Neres teve a chance de emplacar o segundo gol ao receber boa troca de passes na esquerda e fuzilar no poste esquerdo, goleiro batido.
O Ajax, meu, joga bonito e vai ganhando de muita gente boa, como o Real e a Juve, por exemplo, sem falar no Tottenham, agora, que havia eliminado ninguém menos do que o City, outro que joga bonito e vence a imensa maioria de seus jogos.
Nesta quarta, enfrentam-se o campeão espanhol Barça, que joga bonito há décadas, e o Liverpool, sério pretendente ao título inglês, que passou a jogar bonito sob o comando de Jurgen Kloop. Um deles sairá vencedor, ao fim das duas partidas das semifinais da Liga dos Campeões. Qualquer que seja, será um time que joga bonito ao longo de toda a temporada, mesmo perdendo aqui ou ali, pois isso é do jogo. E o torcedor do perdedor não sairá pelas ruas lamentando-se: ah, jogou bonito e perdeu!
Essa é a imensa e total diferença entre as cabecinhas de lá e de cá.
Nobre, Helena Júnior, que tempos, estamos vivendo ! , escassez de craques, e dos poucos que existem, uma boa parcela está sendo preterida , por treinadores, que tem como filosofia o, “bola pro mato ……. de campeonato “, que vibram com um carrinho, que odeiam um chapéu … . E para fechar a conta, torcedores que não conseguem raciocinar, assinando em baixo … Paciência ! Paciência !
Caro Helena, sou torcedor do peixe desde que me lembro, e to contigo, prefiro meu time jogando bem e vencendo, perder faz parte do jogo. Gosto de futebol bem jogado, tambem de ganhar é claro, mas não troco por esse jogo de resultado. Hoje sou fâ do campeonato ingles e torço pelo Liverpool. Um grande abraço e boa sorte ai nossos red’s.