O Dia da Mentira e as verdades possíveis

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Foto: acervo/Gazeta Press

Há exatos sessenta e oito anos, o São Paulo partiu pra sua primeira excursão à Europa, onde se fundiu com o Bangu, que também estava por lá, momento em que pela primeira vez Mestre Ziza vestiu a camisa tricolor, seis anos antes de se consagrar de fato no clube do Morumbi ainda em construção.

Antes da esperada estreia do São Paulo por lá, a Rádio Record (ou teria sido a Panamericana, já não tenho certeza) anunciou, de surpresa, a transmissão do jogo entre São Paulo e Milan, no San Siro.

Geraldo José de Almeida, tricolor fanático, irradiaria o jogo. E irradiou. Uma catástrofe: Milan 4 a 0! Foi um estupor para a torcida são-paulina.

Em seguida, com o anúncio da emissora, sobreveio o alívio combinado com a indignação pela pegadinha: era Primeiro de Abril, o Dia da Mentira.

Naquela época, o brasileiro divertia-se com essa brincadeira, distribuindo pegadinhas por toda parte aos amigos.

Mas, a partir do Primeiro de Abril de 64, quando se instalou no Brasil a nefanda ditadura militar, com toda a sua arbitrariedade tingida de sangue e estupidez, a data cedeu a graça ao pavor, e as brincadeiras foram sumindo do cenário nacional. Até agora, quando ganha traços de humor negro, nas celebrações invertidas encomendadas por essa trupe de tétricos comediantes que passaram a mandar no país com o aval da maioria dos votantes brasileiros.

(Pra quem não sabe, a primeira mentira pregada pela ditadura militar foi a de que o golpe se deu no dia 31 de Março, quando, na verdade, o movimento de tropas de Minas, sob o comando dos generais Mourão e Guedes, em direção a Brasília, Rio e São Paulo, partiu de lá à meia-noite de Primeiro de Abril. Aliás, meses depois, como repórter especial da revista O Cruzeiro – uma espécie de Rede Globo da época -, entrevistei o general Guedes, no QG do II Exército em São Paulo, ali na Brigadeiro Luís Antônio, e ele, entre tantas baboseiras, me garantiu que o movimento deveria ter sido detonado no dia 8 de abril, por conta de seus cálculos astrológicos. Até os astros caíram na mentira…)

Mas, esse não é o nosso assunto principal por aqui. Ainda mais numa semana tão decisiva para os quatro grandes de São Paulo que definem domingo e segunda quem irá de fato disputar o título paulista. E, depois das lembranças amargas, as previsões temperadas pelas incertezas.

Clássico é clássico e vide versa, como diria o saudoso Adoniran Barbosa., pra nós, seus amigos, o Véio.

Portanto, nada é impossível. Mas, aquela vozinha interior, nem sempre profética, me diz que teremos, ao cabo das semifinais, a reprise da decisão do ano passado – Palmeiras x Corinthians.

O Palmeiras enfrenta o São Paulo em casa lotada. É o atual campeão brasileiro, tem um elenco milionário, mais experiente, um treinador especialista em mata-mata e um retrospecto avassalador nesses confrontos nas últimas temporadas.

Mas, tudo isso não assegura uma vitória no tempo regulamentar contra esse Tricolor renascido com os meninos de Cotia a partir das quartas de final. Vide o jogo de ida, terminado em 0 a 0. Mas, se a decisão for para os pênaltis, ainda assim o Verdão leva a vantagem da maior experiência de seus jogadores, além da especialidade do seu goleiro nesses assuntos, caso o seja Fernando Prass.

O Corinthians, por sua vez, joga pelo empate, resultado pelo qual está treinado desde os tempos de Mano, passando por Tite e chegando a Carille. Em contrapartida, embora Sampaoli imprima ao time santista um viés ofensivo, falta-lhe o matador, o centroavante que resolve a parada quando tudo está enevoado e cinzento.

De qualquer forma, se assim for, Palmeiras e Corinthians entrariam no Brasileirão de fronte erguida.

O Palmeiras, mesmo que na condição de vice do Paulistinha, sempre atribuirá o fato ao suposto complô da FPF contra ele. E o Corinthians, mesmo que saia como vice, ganhará confiança em razão da recuperação operada depois do início de temporada tão preocupante.

Assim como Tricolor e Peixe começarão o Brasileirão numa situação favorável, mesmo que se despedindo do Paulistinha antes da decisão.

Afinal, o Peixe, de elenco modesto, brilhou ao longo da fase de grupos e, agora, reforçado do lateral-esquerdo Jorge e de Jobson, tem sólidas razões pra esperar um bom desempenho daqui pra frente.

Mais ainda o Tricolor, que acaba de receber Pato e Tchê-Tchê, alimentando a esperança de reforçar-se com Vítor Bueno, sob o comando de Cuca, que já assumiu o time.

Como dizia o locutor lusitano, salvaram-se todos, os mortos e os feridos.

 

 

 

 

 

 

 

4 comentários

  1. Alberto Helena Jr.

    Fugindo um pouco do objeto comentado nesse post mas eu, na minha humilde opinião, gostaria de explicitar aqui no seu blog amigo Alberto sobre a novidade de hoje, no dia da mentira, em que mais uma vez recrudesce a verdade decorrente do que ocorreu naquela final do paulista de 2018 em que houve interferência externa, comandada por essa nefasta rede televisão, Rede Esgoto de Televisão que por sinal está a caminho da falência e arrastando o que resta da credibilidade do nosso futebol, nossas Federações e Confederações que se submetem aos desmandos da Rede Platinada carioca e aí de quem se coloca contra esses “mandos” e “desmandos”. Pois bem o TJD do F.P.F. em grau de recurso de sua própria “procuradoria” agrava a pena de suspensão de um para quatro jogos de um defensor do Santos e do Moisés do Palmeiras tirando os atletas do campeonato, enfraquecendo o time santista que já tem plantel limitado em número de atletas e do Verdão tirando o Moisés jogador multi funcional de meio de campo sendo assim sensivelmente prejudicado assim como o time santista, o Santos pagou o pato por ter feito o jogo contra o único time no Brasil, no caso o Verdão, que teve peito de peitar a F.P.F., C.B.F. e principalmente em quem manda nestes dirigentes bananas e incompetentes que se submetem aos desmandos da Globosta, o Verdão irá recorrer ao STJD para tentar retirar esses jogos a mais da pena do Moisés e se eu fosse dirigente do Santos faria a mesma coisa em relação ao seu atleta. #abaixo CBF,FPF liga indepedente de clubes campões já pelo renascimento do futebol sem sujeiras e maracutaias. Saudações palmeirenses.

  2. Há uma piada de que um homem por nome João Bosta era frenquentemente ridicularizado por onde passava e tinha que revelar seu nome completo. Um belo dia ele foi registrar no cartório o neto que acabara de nascer. O tabelião quando viu o nome do avô não se conteve. Chamando-o ao lado sugeriu: por que o senhor não muda de nome? Volte aqui semana que vem e eu faço toda papelada de graça para o senhor. Dito e feito. Na semana seguinte lá estava João Bosta no cartório para mudar o nome. O tabelião assim que o viu convido-o a entrar na sua sala. Tudo bem seu João? E ai escolheu um novo nome? Ah! doutor escolhi. O senhor pode mudar meu nome agora para Manoel Bosta.
    Essa piada tem muito haver com o famigerado VAR que veio para confundir não para explicar. Não é que a Globo é um João Bosta! Segundo reportagem do UOL, advinha, eles não exibem todas as imagens captadas pelas câmeras. A Globo depois do VAR mudou de nome. Agora é Manoel Bosta

  3. Eu vi nuns sites, dizendo Pedro Rocha ex jogador do Gremio em negociação com o São Paulo, são paulino das antigas que nem eu. já sonhou. imaginou um uruguaio conhecido como el verdugo, que jogava demais e demais.

  4. Jota Jr. Vc viu o São Lorenzo “papar” o palmares??? Chamam de paulistinha mas estão a morrer de mêdo da bambizada…e se passar já sabe né…outra humilhação no chiqueiro.Heheheheh….

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