Coutinho, CR7, Messi, Sané, Mané e seus feitiços

Foto: Acervo/Gazeta Press

Ele desembarcou na Vila com 14 pra 15 anos, a mesma idade com que o Peixe recebera Pelé três anos antes.

E, de imediato, plantou-se ao lado de Pelé, com quem passou a protagonizar um espetáculo singular – as tabelinhas mágicas que partiam do meio-campo e só terminavam nas redes inimigas.

Aos poucos fundiram-se ambos num só, como siameses unidos pelo fio invisível que ligava a bola aos seus pés. E tal era a semelhança entre ambos, a partir da negritude realçada pelo branco do uniforme santista, que, num determinado momento, Coutinho passou a ostentar uma bandagem branca no punho só pra se diferenciar do Rei com quem era confundido a todo instante pelos narradores de rádio e tv.

Coutinho, porém, muito cedo sofreu séria lesão no joelho, numa época em que a medicina esportiva ainda engatinhava. E os longos períodos de recuperação devolveram aos campos um Coutinho gordo e com os movimentos limitados. E assim ele passou a centralizar seu campo de ação à grande área, onde reinou por alguns anos mais, recorrendo ao essencial: um ou dois toques, petelecos fatais sempre no canto oposto ao do goleiro.

Assim, se Pelé, já dele distante nas articulações do jogo, era o Rei do Futebol, Coutinho passou a ser o Rei da Grande Área, até pendurar as chuteiras e se despedir outro dia de todos nós, deixando a quem o viu jogando na sua primeira fase a certeza de que ninguém mais foi tão Pelé do que Coutinho.

Guardadas as devidas proporções, e motivos, Cristiano Ronaldo sofreu a mesma transformação: do ponta veloz, cheio de dribles e gols dos tempos do Manchester, já nos últimos anos de Real Madrid, havia enxugado seu jogo ao essencial – o gol. Seus toques limitam-se ao mínimo possível, porém sua capacidade de atingir as redes ampliou-se a um nível que beira à magia.

Ainda nesta terça classificou a Juve diante do Atlético de Madri com três gols fundamentais – dois de cabeça e um de pênalti. Um portento.

Assim como, com mais amplitude de participação coletiva e variedade de jogadas, segue sendo seu maior rival, Messi, que nesta quarta-feira levou o Barça às quartas de final da Liga dos Campeões com dois gols e duas assistências, na vitória por 5 a 1 sobre o Lyon, em casa, num jogo que chegou a ficar tenso no segundo tempo, antes de os catalães dispararem a goleada.

E que dizer desse Sané, uma pluma ao vento, parodiando a clássica ópera?

Sané, com seus dribles, infiltrações em alta velocidade e passes exatos, conduziu o City de Guardiola às quartas de final da Liga dos Campeões, participando ativamente da goleada por 7 a 0 sobre o Schalke 04.

Por fim, pra rimar com Sané, o Mané, que longe está do nosso gênio de Pau Grande, mas é um caboclo decidido, autor e dois gols dos 3 a 1 que o Liverpool emplacou no Bayern, em plena Allianz Arena. No primeiro, deu uma ginga de corpo em Neuer digno de um mestre sala de escola de samba brasileira.

Enfim, o que pretendo aqui é prestar uma singela homenagem a esses craques que nos extasiaram e extasiam com sua inventiva, aquela que rompe com todo esse cabedal de números e equações em cujo pedestal muitos dos nossos analistas de futebol acendem um círio, que logo se apaga diante dessa turma de feiticeiros da bola.

 

 

2 comentários

  1. Assino em baixo, o que disse o Nobre, Tião Fiel. Permita-me parabenizar também, o Nobre Flávio Prado, pelo excelente texto a respeito de Coutinho. A injustiça, é talvez, o que mais me incomoda, por provocar tanto mal a vida de quem a sofre. Mas hoje, já em outra dimensão, Antonio Wilson Honório, terá resposta a todos os seus questionamentos, e a merecida Paz de Espírito, junto a DEUS

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