
Peço um milhão de desculpas pela longa ausência desta Bola Virtual no campo de visão dos amigos. É que desde sexta-feira fiquei aqui isolado na minha caverna de Ibiúna, graças à Vivo e suas linhas mortas. Parece que roubaram os fios telefônicos da minha região e a empresa teve de importá-los sei lá de onde, Marte, talvez.
Mas, esse foi um transtorno mínimo diante das tragédias que nesses dias se abateram sobre todos nós. Na esteira da lama de Brumadinho e das obscurantistas ideias espalhadas pelos poderes constituintes, o incêndio que matou uma dezena de meninos cheios de vida e de esperança nos alojamentos do Ninho do Urubu adquire uma proporção sem igual, sucedido por outro em propriedades da Aeronáutica, no Rio, onde descansavam garotos do Bangu. Este, graças a Deus, sem vítimas.
Some-se a isso a queda do helicóptero que matou nosso querido Ricardo Boechat, um dos mais lúcidos, íntegros e independentes jornalistas brasileiros de sua geração.
Não sei quais são os culpados por todas essas tragédias, pero que los hay, los hay. Só sei que eles foram guiados pelas mãos da imprevidência, essa incapacidade que fez deste rincão abençoado pela natureza um eterno país do futuro, um futuro cada vez mais longínquo.
Por falar em futuro, qual o futuro do nosso futebol, tema recorrente deste espaço?
O amigo pôde assistir o mais recente vexame dos nossos meninos sub-20 no Sul-Americano. Passamos o torneio inteiro sem acertar três passes em sequência, não criamos sequer oito chances de gols claras em meia dúzia de jogos e acabamos lá embaixo, fora da classificação para o Mundial da categoria, pela segunda vez consecutiva.
E olhe que lá estava um grupo de jogadores promissores, alguns até já atuando no Exterior. Mas, o conceito do nosso jogo, a forma de atuar, essa coisa básica no futebol, foi um horror.
Mais ou menos o que Corinthians e São Paulo mostraram em suas recentes derrotas pelo Paulistinha e Libertadores.
O Tricolor, por exemplo, joga sua vida diante do Talleres, no Morumbi, nesta quarta-feira, cumprindo um roteiro que começou lá na Flórida, nos primeiros passos em direção à redenção tão almejada nos últimos anos.
Pois, lá, já foram dados os primeiros sinais do descaminho, quando o técnico, contrariando suas teses de um time de posse de bola, troca de passes progressivos com viés ofensivo, preencheu seu meio de campo com três volantes de ofício e ficou lá atrás defendendo a tese furada do futebol de resultado.
Prosseguiu nessa trilha mesmo depois de praticamente ser eliminado pelo Talleres de jogo tão mediano, e, na sequência, a perda diante da Ponte, pelo Paulistinha.
Pode passar pelo Talleres e seguir em frente na Libertadores? Claro que pode. Afinal, não seria nenhum milagre chegar aos 2 a 0 que levariam à disputa por pênaltis na partida desta quarta-feira – um contragolpe bem sucedido, uma bola parada, isso ocorre com frequência em disputas desse tipo.
Mas, não espere o amigo uma exibição ao menos convincente do Tricolor, a não ser uma renhida disputa pela bola e as canelas dos contendores, como tem sido o futebol sul-americano em geral e o brasileiro em particular.
Como o nosso futebol vai à frente se a mídia só fala no futebol europeu? O futebol brasileiro continua firme nas séries B e C nos campos esburacados resistindo.. Porém, a propaganda e a manipulação massivas da mídia que martela que só é bom e bonito o futebol inglês e o espanhol. Permitam que os nossos craques tupiniquins que por aqui ficam e lutam, joguem o seu futebol e que ainda é muito bonito sim senhor. Mais não, nós mesmos cuidamos de destruir o que é nosso. nós usamos Neymar como o exemplo a ser seguido e copiado. Quem não fizer pelo menos 50% do que ele faz não serve, não presta. Aliás por falar nisso já estão tratando de inventar um novo Neymar que é esse rapaz Vinícius Jr. logo logo toda criança deverá copiar esse jogador. Precisamos voltar a valorizar o nosso jogo que ainda resiste por aqui. Há muita arte ainda nesse futebol mambembe é só se dignar a assistir. Se não tem tu, serve tatu.
PS Flávio Prado está de parabéns por seu post O Sistema. Recomendo lerem. É a pura verdade.
Se não tem tu, serve tatu? Só rindo. Talvez, Brucutu.
O comentarista resumiu em poucas linhas o paupérrimo futebol brasileiro no recente torneio do Chile. Era uma seleção frouxa, ruim, quase pavorosa. Com um acréscimo: as outras também. O futebol sul-americano está em um nível perigoso, de tão ruim. Salvo engano, parece um reflexo do continente há bom tempo em decadência social e econômica, portanto o futebol (ou o esporte) como meros reflexos.
Como aqui não se trata de uma fórum social, OK, fiquemos no futebol. Talvez seja melhor um retorno aos tempos da várzea, do jogo disputado e suado com possibilidades e alternativas, em outras palavras, empolgante, partidas empolgantes. Os campos esburacados produziram ótimos jogadores; os novos, “high tech”, meninos mimados (alguns), atletas medianos (outros) e “mascarados” (emnúmero crescente e preocupante). Alguém prestou atenção na forma de aquele jogador do Flamengo, e da seleção sub-20, cobrar um pênalti?
Está tudo muito igual, pasteurizado e com uma qualidade sonolenta. A preocupação dos jovens jogadores com “uma transferência milionária” os transformou em algo diferente do necessário, simples assim. Naturalmente alguns especialistas não vão gostar desta constatação, muito provavelmente.
Tudo bem, os resultados – em outras palavras, as derrotas e eliminações – vão dizer a verdade. Vão dizer, não; já estão dizendo! Este é o fato, este é o presente, este é o futebol brasileiro do momento.
Mestre Helena, discordo do Sr. Augusto Santos. Este forum pode sim mostrar que os erros das instituições contribuem para a falta de qualidade do futebol. No caso dos serviços de teleco, por ex., tínhamos excelentes empresas que foram doadas para as multis pela privataria e aí esta o resultado: o pior serviço do mundo pelos maiores preços. Entretanto concordo com o Sr. Santos a respeito do que ocorre claramente no futebol. no Paraná decidiram transformar o gramado no carpete da vovó e noutro dia, de calor infernal, tiveram que parar o jogo para espalhar gelo no carpete que apresentava temperaturas acima dos 60º Celsius. E não me usem o canhestro termo “grama sintética”! Grama é grama e carpete é carpete. Li e concordei ipsis literis com o sr. Flavio Prado e um exemplo é esse corintians que tem na base jogadores muito melhores do que esses come-e-dorme que os empresários colocam lá dentro( Fernando Garcia et. al.) Nínguém pode desenvolver habilidades jogando bola no tapete da sala da vovó, nem soltar pipa no ventilador.Mas o nazi-fascismo, sendo estruturado no país, nos trouxe hoje a reinvenção dos manicômios e “tratamento’ de eletrochoque. Bon apetit!
(risos)
Mr. Siuzudra, obrigado pelo tratamento respeitoso (ótimo, por sinal!) e pelas ideias bem expostas. Concordando ou não, temos algo em comum, estamos insatisfeitos com o futebol nacional.
Entretanto, prego o otimismo: vai melhorar, quem sabe, um dia. Afinal, quem sofreu tanto de 1930 ao consagrador 1958, pode esperar novos 28 anos, assim imagino!
Bon jour!
Caro Mestre, faltou no meu texto anterior fazer a pergunta que não quer calar: Até agora não foi esclarecido se 10 pessoas(jogadores e funcionários) morreram ou se foram somente jogadores. A dúvida precisa ser esclarecida pois há rumores de que, na verdade, os garotos estivessem trancados no container e por isso morreram. Se foram somente jogadores, a morrer, os citados rumores podem refletir a realidade. Com a palavra as autoridades.
Minas irá se transformar no futuro num gigantesco buraco a céu aberto abandonado pelas mineradoras internacionais que após explorarem todo os minérios vão embora levando lucros fabulosos e deixando para trás um passivo de mortes e destruição ambiental. E não é só isso. Aguardem o que vão fazer como o pré-sal e a amazônia. É a mesma tragédia anunciada. Vendem-se os nossos tesouros e o nosso óleo a preço de bananas, os caras vem aqui levam tudo e depois vão embora levando consigo o lucro e as riquezas e de novo deixando um rastro de destruição para trás. Bola pra frente que aqui não é lugar de falar dessas bobagens.
Alberto Helena Jr.
A providência divina escreve certo e por linhas certas e não tortas como falam alguns, espero que este exílio por você relatado na idilica “caverna” de Ibiuna (acredito que seja uma bela casa encrustada numa bela chacara ou condomínio fechado) tenha servido de reflexão para pensar nas coisas terríveis que aconteceram neste ultimos dias, tragédia em cima de tragédia sufocando a todos nós porém sem perdermos a fé naquele tudo pode e tudo sabe inclusive sobre o destino de todos nós, estamos passando provação a todo tempo e o importante é não desistir do ser humano e nos mantermos firmes na fé em Cristo pois tudo seguirá seu rumo na vida de cada um de nós…não precisa se desculpar velho amigo….um abraço. Saudações palmeirenses.