Flu, de granfino a mendigo

A representação gráfica, então, do Flu era um granfino de fraque e cartola, bengala e monóculo, dono de suntuosa sede em estilo art-nouveaux, plantada em plena Laranjeiras, bairro nobre do velho Rio, a Capital Federal do Brasil.

Só pra se ter uma ideia de quão era exato esse símbolo tricolor, basta dizer que, quando foi implantando oficialmente o profissionalismo em terras tapuias, nos anos 30, agentes tricolores vieram a São Paulo e levaram praticamente toda a Seleção Paulista: Batataes, Orozimbo, Romeu, Tim, Sandro e cia. bela.

O Palmeiras, o mais abalado pela investida tricolor, chegou a esconder seus jogadores num sítio remoto de Atibaia, protegidos por uma guarda de segurança. Em vão. A debandada foi geral. Afinal, quem resiste ao apelo forte da grana?

O primeiro Flu que vi em campo ainda era um luxo, duas décadas depois, com aquele ataque irresistível formado por Telê Santana, Didi, Carlyle, Orlando Pingo de Ouro e Quincas.

A grandeza do Flu ainda persistiu, talvez, até a dupla Assis-Washington, o Casal 20, pra depois entrar em entropia. Chegou a cair para a Terceira Divisão do Brasileirão, de onde foi resgatado por uma penada da CBF.

Agora, na última rodada do Brasileirão, luta pra não cair novamente, fruto de uma campanha ridícula, na qual não faz um golzinho sequer, sei lá, há oito jogos. Basicamente, porque, endividado até às tampas, não consegue cumprir suas obrigações com o elenco e os funcionários do clube.

É a velha história do granfino que virou mendigo.

 

 

 

 

2 comentários

  1. Destacar a situação do FLUMINENSE nos leva múltiplas interpretações.
    Inicialmente, parece ser um comentário apaixonado, de torcedor veterano, inconformado com o que assiste.
    Na visão geral, o FLU passa a mesma situação da incúria dos demais dirigentes do esporte.
    Não só o futebol tem a marca sofrível de gestões incompetentes.
    Veja a cidade olímpica do Rio de Janeiro, um desastre do comportamento político-social de homens públicos e
    dirigentes oportunistas, de caráter criminoso, bandos da nação.
    Assim, para resumir, o FLU é o mesmo que o VASCO, e uma infinidade de clubes do esporte brasileiro.
    Ninguém quer saber de profissionalizar com fiscalização séria o esporte brasileiro.
    Uma lástima!
    Fausto Silva
    Comendador do Esporte de Santa Catarina

  2. Alberto Helena Jr.

    Concordo em gênero, número e grau que a crise em que se arrasta o “Florminenc” é fruto de desplanejamento (não sei nem se existe este termo mas tome como licença poética), fruto da egocentria de dirigentes amadores, clubistas, aproveitadores e alguns chegadinhos em corrupção e virada de mesa na CBF, que colocaram não só o clube mas também o futebol brasileiro abaixo do que derruba o cavalo do bandido quando está com dor de barriga, alguns clubes acordaram da mesmice gestão futebolística tupiniquim e procuraram um modelo de gestão de futebol similar aos dos grandes clubes europeus, seriedade, trabalho e profissionalismo em todos os setores do clube, vejam os exemplos do Verdão, do Grêmio, do Flamengo, do Cruzeiro só para citar alguns cujos dirigentes trabalham de forma séria dando todas as condições aos atletas de desenvolverem seu melhor futebol.. Deus disse assim “o plantio é livre porém a colheita é obrigatória” e o time das laranjeiras está colhendo o que plantou….simples assim. Saudações palmeirenses.

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