
Ou muito me engano, ou o Palmeiras decide seu futuro nas duas mais importantes competições que disputa este ano.
Isso porque terá de demonstrar diante do Flamengo, num Maracanã inflamado, se conseguiu dar a volta por cima internamente na derrota para o Boca pela Libertadores, em que está por um fio.
Mesmo que perca, manterá a liderança, mas aí já com o Flamengo a um passo de ultrapassá-lo em novo tropeço até o fim do Brasileirão.
Isso, claro, permite ao Verdão jogar como gosta seu treinador, embora contrariando a qualidade técnica de seu elenco: na defesa, aos chutões, em busca de uma escapada decisiva lá na frente de Dudu ou quem seja seu parceiro de ataque.
Em contrapartida, com Dorival Jr., o Flamengo passou a ser, nas últimas rodadas, um time mais coeso e que sabe aproveitar bem seu poder ofensivo, sob a gerência da dupla Paquetá e Everton Ribeiro.
Se a disputa girar em torno da questão emocional, bem que o Verdão leva a vantagem de possuir um treinador especialista na área da motivação do grupo, ainda que tosco na escolha do estilo de jogo de seus times. Mas, é sempre bom lembrar que um fio tênue separa as zonas da empolgação e do destempero. E o destempero pode ser fatal para o Verdão.
É de se ver no que isso tudo vai dar, estendendo o olhar até o meio de semana, quando o Palmeiras recebe o Boca no Parque, numa decisão de arrepiar. Ou recebe o visitante incômodo já abalado demais, ou cheio de brio e confiança.
NA LINHA DO GOL
E eu que esperava ver Tite dando passos adiante na Seleção, nesse período de experiências e mudanças necessárias! Não podia estar mais enganado. Na última convocação, nesta sexta-feira, não avançou um milímetro. Ao contrário, arrecuou ainda mais os arfos. Sim, porque, para o meio de campo, que é a zona mais nobre e decisiva quanto à maneira de jogar de um time, Tite convocou cinco volantes de ofício – Casemiro, Wallace, Artur, Paulinho e Alan, do Nápoli – e apenas um meia, que sequer é armador autêntico e sim o chamado meia-atacante – Coutinho.
Sim, é verdade que Artur seja um bom passador de bola, assim como Alan, de ótima presença no Nápoli, sabe ir e vir com a frequência de um Paulinho. Mas, a questão nunca foi essa, como comprovou nossa participação na Copa. A questão é a ausência de um meia-armador genuíno, aquele carinha que sabe se colocar no meio de campo e dali acionar seu ataque com descortino e técnica esmerada. Cadê esse cara na lista de Tite? Seria a chance de somar dois fatores vitais com a eventual chamada de Rafinha, pelo estilo de jogar exatamente nessa posição, e por seu entendimento no Barça com Artur. Mas, que fazer se a turma não consegue sair da caixa nem a pau.