Até quando?

Foto: CRF

A noite das semifinais da Copa do Brasil de quarta-feira exemplifica bem o miserê técnico em que vive o futebol brasileiro atual.

Eram quatro dos maiores clubes brasileiros, dois deles (Palmeiras e Corinthians) recentes campeões nacionais, além dos dois que mais investiram na formação de seus elencos (Palmeiras e Flamengo), e o que nos mostraram foi um espetáculo de quinta categoria.

No Maracanã, empate de zero a zero do Flamengo com o atual campeão brasileiro jogando a la Juventus de Milton Buzeto, todo retrancado lá atrás, sem conseguir passar do meio de campo. Por seu lado, o Rubro-Negro atacando desvairadamente, com mil chuveirinhos e nenhuma ciência no toque de bola, apesar de possuir jogadores com técnica e habilidade suficientes pra tanto.

No Parque, um Cruzeiro, igualmente fechadinho, mas saindo mais vezes no contragolpe, a ponto de vencer por 1 a 0 um Palmeiras com três volantes, a exemplo do Fla, cruzando bolas na área inimiga pra deleite de Dedé e cia.

Quer dizer: esses treinadores e jogadores que ganham manchetes a toda hora e um salário milionário a todo mês, são decididamente incapazes de encontrar outra maneira de jogar – ou se trancam lá atrás, ou atacam na base de cruzamentos na área. Não há envolvimento, toque de bola, dribles, penetrações coletivas na zona de perigo dos oponentes nem a pau. é só bola alçada na área.

Com um adendo: espie só quantos atacantes estão na área inimiga no instante do chuveirinho – um, quando muito três, contra meia dúzia de inimigos, sem contar o goleiro.

É de uma indigência atroz.

O amigo mais otimista, que já nasceu para o futebol sob o signo do medo que estigmatiza nosso jogo há duas décadas, por baixo, dirá – ah, mas mata-mata é assim mesmo.

Não é não, meu. Basta ver as disputas em torneios desse tipo dos principais centros europeus de hoje em dia. É lá e cá, jogos emocionantes, bem disputados no combate ao adversário, mas, quando um dos times tem a bola sai pro jogo.

Além do mais, estamos falando de quatro grandes do Brasil se enfrentando, não de um jogo entre o grande e o pequeno, mesmo porque, técnica e taticamente, todos os nossos grandes são pequenos, tenham ou não uma história gloriosa.

Até quando esses fraudadores do espetáculo vão nos impingir essa porcaria? Até que as novas gerações, aos poucos, acabem trocando suas paixões clubísticas pelos estrangeiros que desfilam na nossa tv a semana toda, oferecendo uma exibição de escol que já se vai perdendo na memória do brasileiro?

 

13 comentários

  1. Pois é, Alberto.
    E olha que as “semis” tinham tudo para serem grandes espetáculos, mesmo com baixo nível técnico.
    Ao menos, na raça e vontade de vencer, já bastaria para encher os olhos.
    Vamos ver se existe luz ao fim do túnel, passou a hora de mudar os fatos do nosso futebol.
    Grande abraço e saudações.

  2. Desculpe, não sei em que país vocês vivem, mas aqui no Brasil em que os times são desmontados a cada 6 meses, é um milagre o que nossos técnicos fazem para se adaptar à venda de jogadores.
    Enquanto não tivermos bala na agulha para segurar os melhores jogadores aqui, o que vamos ver nos campeonatos é só isso mesmo.
    Então aconselho parar de reclamar e curtir mais o espetáculo oferecido, é o que tem para hoje.

    1. É isso mesmo Anderson!! Que adianta ter jogador talentoso se logo é mandado pro exterior e a preço de banana, e a midia que critica aqui é a peimeira a fazer festa e looby pra jogador ser vendido e ir pras europa da vida, fazem de tudo pra divulgarem e apoiar a venda de jogadores e agora reclamam!! Essa lei Pelé facilitou a vida dos empresarios e de dirigentes gananciosos!! Entao nao tem como termos mais bom futebol, pois nao só os melhores vao embora como tambem ate os mais ou menos vazam daqui!! Tanto a midia quanto torcedores vao ter de se contentar com essa draga e droga de futebol nivel C mesmo, e que continuem a reclamar e fiquem sem fazer nada!! Cada vez mais os jogadires saem do Brasil e cada vez mais jovem, daqui ha pouco ja na barriga das maes deles!!

  3. Meu caro Alberto Helena. Ora, se esses times investem tanto dinheiro, faturam tanto com a venda de jogadores, ganham fábulas com a cota de tv, tem os melhores jogadores e os times não jogam nada, qual o problema? Estamos vivenciando um paradoxo. Muito dinheiro, muito investimento e pouco futebol. Não seria o excesso de dinheiro o causador de tudo isso? Quando olhamos o passado essa resposta parece ser indubitavelmente a mais apropriada. Menos dinheiro, menos investimento e muito mais futebol.. Nos debrucemos então sobre as razões que poderiam corroborar com a primeira tese. A primeira, é que quando você investe dinheiro num negócio a contra partida é o que no mercado chama de ROI(return on investments). Esse retorno sobre o invstimento gera pressões nos administradores e nos entes que participam direta ou indiretamente do negócio. Os motivos dessas pressões vem principalmente da competição, do mercado, para atingimento da lucratividade e as pressões secundárias mais tremendamente importantes, dos patrocinadores. No caso do futebol brasileiro há ainda outro componente crítico que é o uso político da CBF. Ou seja, a política como fator desestabilizante do futebol. Então você joga tudo isso no liquidificador e serve sem gelo aos jogadores de futebol no seu dia a dia. Então, o que esperar deles no final de semana dentro de campo? Essa pode ser a razão de uma grande equipe ou mesmo de determinado jogador mesmo nadando em dinheiro de uma ora para outra entrar numa espiral de baixa performance ou de derrotas sem um motivo aparente. Será que a volta ao passado a níveis menos escandalosamente inudado de dinheiro não seria a redenção do futebol?

  4. seria um paradoxo semelhante na política ou nas escolas, ou nas relações administrativas ou seja, não é um paradoxo é sim um modo de ser das instituições esportivas que apoiam decisões estapafúrdias de uns juízes mal intencionalmente instruídos por pessoas que controlam e “patrulham”. LEMBRAM

  5. Não sei qual a diferença do futebol que é jogado no Brasil com o que é jogado no resto do mundo? Vide copa do mundo, todos os times fechados lá trás e jogando por uma bola, foi uma das piores copas que eu já vi e olha que acompanho desde a década de 70. Agora querer comparar o poder de fogo dos times brasileiros com os times estrangeiros, já é um pouco injusto, mesmo pegando o Palmeiras que mais investiu no futebol brasileiro, não chega aos pés dos times europeus. O que a gente vê é uma demandada dos melhores jogadores brasileiros para o exterior. Fica complicado exigir morango de pé de laranja.

  6. SÓ A PASSAGEM DE UM CLUBE A SEMI FINAL VALE 20 MILHÕES FORA A AUDIENCIA E A RENDA, ENTÃO NÃO PODE HAVER ERRO DE NENHUM LADO, OS QUATRO GRANDES CLUBES SÃO DE ALTO NÍVEL (PARA O PADRÃO BRASILEIRO) COMO UM TIME VAI JOGAR DE PEITO ABERTO, VEJA O PALMEIRAS QUE TENTOU DE TODOS OS JEITO ENTRAR NA DEFESA CRUZEIRENSE E FOI MUITO DIFICIL, 1×0 VALE MUITO NESSA ALTURA DO CAMPEONATO, NUM FUTEBOL ALTAMENTE PROFISSIONAL QUE SEM DINHEIRO NÃO EXISTE, O RESTO É PASSADO

  7. Incrivel, alberto helena jr., como você consegue em poucas palavras sintetizar a qualidade do nosso futebol atual. E disse tudo o que eu penso a respeito e tenho vontade de falar. parabens!

  8. Boa Tarde Sr. Colunista, venho através deste dizer que até concordo com sua coluna em que se refere aos jogos semifinais da copa do Brasil, assisti Flamengo x Corinthians, realmente o time de São paulo jogou como time pequeno, mais não discordo da maneira que o Corinthians enfrentou o Flamengo, pois se joga como os caros colunistas querem e leva um 3 x 0, no outro dia estes mesmos colunistas vão pegar o seu microfone, sentar ao Ar condiciona e começam a descascar a lenha, dizendo do porque o Corinthians se abriu tanto, podia ter jogado especulando, jogar no contra-ataque etc etc, assim jogou como tinha que jogar, sem correr muitos riscos, tem muito jornalista( palpiteiro, sabe tudo) mais não entendem nada, absolutamente nada do conteúdo que se chama futebol, mais são os donos da verdade,por outro lado tem ficar bem claro que nenhum cronista ou palpiteiro de plantão vai pautar de que maneira vai jogar este ou aquele clube ou time de futebol, ou será que estes mesmos pensam que os times tem que jogar a seu gosto de futebol?quem define isto é o treinador do clube juntamente com sua comissão técnica, está na hora de dar um basta em certos jornalistas arrogantes, prepotentes, sem educação, sem moral nenhuma que querem que os times de futebol Brasileiro deem espetáculo em todos os jogos, se os Srs. não gostam da maneira que os times Brasileiros jogam, vão comentar a Premier Ligue, Campeonato Inglês, Francês ou outros, se não gostam do futebol Brasileiro vão morar na Europa, pois lá segundo voçes se joga o futebol Arte, se precisar pago a passagem de ida, desculpe mais estou farto de ouvir cronistas esportivos só falar mal do futebol Brasilerio, mais quando são interpelados para darem a solução, correm que nem ratos do navio.

  9. Alberto Helena Jr.

    Concordo com você em gênero, número e grau no que concerne que o atual futebol brasileiro é de uma pobreza técnica de dar dó, os melhores jogadores técnicamente são retirados dos braços da mamãe Brasil, ainda de fraldas e entregues a madrasta Europa (para nós) para que eles acabem de ser criados e moldados para um futebol de nível superior ao nosso atualmente, mais como diz a minha irmão é o que temos para o momento, não se muda o foco de nossos dirigentes, de clubes e de federações que em concluio com empresários não colaboram em nada para segurar as nossas jóias da base e as entregam placidamente e financeiramente para os europeus para virarem lá sim diamentes muito bem lapidados, nós ficamos com uma casta pequena de jogadores medianos, veteranos retornados da Europa e muitos mais muitos cabeças de bagre ou pés de rato como queira para ludibriar a sofria torcida brasileira do meu Brasil varonil. Saudações palmeirenses.

  10. Pessoal, ótimos comentários.
    O importante é perceber que não existem culpados, quem como empresário, dirigente ou jogador deixaria de fazer um negócio em que todos ganham?
    E daí também perceber que só existe quem não quer ver a realidade e entender que o campeonato brasileiro como era até o início dos anos 80 não existe mais, que somos uma série B da Premier League e que isso não é o fim do mundo.
    E que a solução disso é o Brasil ter um economia que pague salários melhores que a Europa, ou seja, isso não está na mão dos clubes de futebol.
    Conclusão, vamos aproveitar mais o nosso futebol atual, que é melhor que a imensa maioria dos países do mundo!

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