Felipão e o dilema da renovação

(Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

Nem o jovem significa necessariamente o novo, nem o velho é obrigatoriamente sábio.

No futebol brasileiro, então, estamos cansados de ver os jovens treinadores, tidos como estudiosos e carregando na bagagem a esperança de que os rumos sejam mudados no sentido vertical, nem os veteranos da beira do gramado têm se revelado detentores dos segredos mais profundos da bola a ponto de alterar, com sua experiência, o panorama estático dominante há duas décadas em nossos campos.

Todos, jovens e velhos, rezam pela mesma cartilha – um jogo cinzento, voltado muito mais para a defesa do que para o ataque -, desprovido de criatividade e ciência no toque de bola em progressão.

Claro que há raras exceções, com o Grêmio, que virou sobre o São Paulo na noite de quinta, tirando do Tricolor o sabor da liderança, que durou 47 minutos.

Dá gosto ver o Grêmio jogar, envolvendo o adversário do começo ao fim, com passes exatos, sob o comando de Maicon, mesmo diante de retrancas ferozes como a montada pelo São Paulo em Porto Alegre. E seu técnico nem é jovem, nem velho, tampouco o que se convencionou chamar por aí de estudioso.

É simplesmente um carinha inteligente, que viveu dentro das quatro linhas os últimos suspiros do nosso autêntico jeito de jogar bola, e que soube reproduzir nesse Grêmio os mesmos conceitos, sem temor de ser demitido por esta ou aquela derrota. Sabe por quê? Porque, se receber um pé no rabo, volta pra praia de Ipanema, cercado de belas mulheres, birra gelada no ponto, amigos divertidos e tal e cousa e lousa e maripousa.

Gaúcho de nascimento é daqueles cariocas de alma e gestos dos velhos tempos, cultor do prazer de viver e encarar o futebol como ele é em essência: mais uma diversão aos olhos e ao espírito. Isso não quer dizer que despreze a vitória ou que leve na valsa o contato com seus jogadores, nada disso. É duro e exigente, como qualquer chefe que queira seu departamento funcionando a contento. Mas, não eleva isso ao nível de prioridade. A prioridade é jogar bem. Para tanto, mais do que retesar as rédeas, é preciso soltá-las para que a moçada, lá campo, seja ela, sem peias, embora nos limites da responsabilidade.

Digo essas coisas pra recepcionar a chegada de Felipão ao Palmeiras, um gaúcho veterano assumindo o lugar de um conterrâneo novato, o Roger Machado. Meu Deus, como a gauchada tomou conta do pedaço, hein? Mérito deles, claro. Basta ver que a Seleção está sob seu comando há um bom período, com Dunga, Mano e Tite. Talvez, isso explique em parte o estilo mais defensivo adotado por todos os treinadores de origens diversas do nosso futebol. Alguém deu o balido inicial e o rebanho foi atrás.

Um desses pioneiros mais recentes, que retomou a linhagem de Brandão e Sílvio Perillo, lá atrás, foi Felipão.

Ganhou muitos títulos, perdeu outros, e cravou seu nome na história do Palmeiras, para o bem e para o mal, expressa claramente na sua última passagem pelo Parque, quando levantou a Copa do Brasil, para em seguida, afundar o time à Segunda Divisão, embora às vésperas da tragédia tenha tirado o time de campo.

Na verdade, Felipão, que já foi unanimidade no Verdão e agora é recebido mezzo a mezzo, volta como da última vez, na forma de escudo para uma diretoria que não tem um rumo certo. Tanto, que, em ano e meio, já trocou de cinco treinadores, cada um com perfil distinto do anterior. Traduzindo: os dirigentes do Palmeiras não sabem o que querem para seu time.

(Isso mais verdade que, na véspera da demissão de Roger Machado, o diretor de futebol Alexandre Matos, na Fox, garantia a permanência do treinador até o fim do contrato.)

Restauradas as finanças precárias do clube por Paulo Nobre, fruto de uma série de desmandos anteriores, o Palmeiras se escudou no patrocínio milionário de dona Leila para esbanjar contratações de alto nível. E, mesmo assim, já na gestão Galiote, não consegue alçar voo próximo da expectativa geral.

Assim, o que se prenunciava como o novo recai na velha rotina.

É bem possível que Felipão, com o elenco de que disporá, possa melhorar os índices de aproveitamento do  Verdão, que, diga-se, não são tão críticos sob o comando de Roger. Refiro-me a índices, estatísticas, não de desempenho.

Quanto a este, que é maior exigência das circunstâncias, permita-me o amigo a manter sérias reservas.

 

 

 

 

 

 

 

7 comentários

  1. Alberto Helena Jr.

    Você está corretíssimo na sua análise como sempre, bom jornalista dos velhos tempos aureos do nosso futebol, quando dito por você aflorava a pele de jogadores bons tecnicamente e não tão bons assim a vontade de jogar bola, colocando as vezes até a parte financeira em segundo plano, veja gênios do futebol como Garrincha e muitos outros morreram tão pobres como quando nasceram mais nos deixaram uma riqueza cuidada e mantida por suas pernas, algumas tortas, mais carregadas de muita técnica e agilidade e fluência nos dribles, um desses remanescentes é justamente o atual técnico do Grêmio, o Renato Gaucho, que faz do futebol uma alegria e um prazer sem deixar de lado as suas reponsabilidades com seu atual clube, porém o foco principal deste comentário é a volta, mais do que necessária do Felipão ao Verdão, que hoje é um dos clubes mais bem estrutrados da América Latina, do ponto de vista gestão de futebol no clube, nota dez para o Paulo Nobre e recentemente para o Galliotte, porém ambos marinheiros de primeira viagem não dentro das quatro linha mais nos bastidores do futebol, e um dos principais bastidores é o vestiário, o clube paga régia e muito bem e em dia a seus jogadores, muitos medalhões, cobras criadas, e administrar trinta cabeças e mantê-las em seus devidos lugares é necessário ter em seu comando alguém muito mais vivido nesse meio que é o caso do Felipão, quero ver gente que estava de bico, passeando em campo correndo agora como se fosse um juvenil aos olhos do Felipão e não corre para ver o que acontece, ele não é bobo está em Portugal ultimando os preparativos para desembarcar no Brasil para dirigir o Verdão e no treino de hoje lá ja estavam um de seus auxiliares técnicos e o seu preparador de goleiros o Pracidelli, de bobo o Felipão não tem nada, quero ver neguinho pulando miudinho para se mantar no time, ganho para o Verdão em raça, vontade de jogar, que é o principal combustível que alimentará o Verdão, esquemas táticos mirabolantes deixem para estes técnicos “de laboratório” cheios de pranchetinhas e notebooks e zero de vivência em campo, o tempo dos técnicos “bonzinhos” com a galera do vestiário é finito, novos tempos, novos rumos espero que para melhor, Saudações palmeirenses.

  2. Eu fiquei tão decepcionado com a campanha do Felipão em 2012 que tirei umas férias como torcedor palestrino. A volta do Felipão não acrescenta absolutamente nada de novo, podem escrever, tática de jogo que é bom já conhecemos a dele de sobra. Felipão não mudou nada nesse tempo, não inovou só sabe falar besteiras como seu conterrâneo Tite e pior ameaça os jornalistas que não concordam com ele. Age como se os jogadores fossem escravos os intimidando sempre que pode, algumas vezes de forma explícita. Felipão como bem disse a diretoria veio para “por ordem na casa”. Esse discurso foi o mesmo de 2012 que acabou no vexame do rebaixamento. A grande novidade é que Murtosa não ficará no banco como assistente só falta a mídia falar da volata da famigerada Família Scolari. Lamentável.

    1. Alberto Helena Jr.

      Gostaria de discordar do internauta amigo João Sardinha, desportivamente, mais uma vez, eu acho que o Felipão, como todos os treinadores, tem seus pontos fortes, comando, voz ativa, educação na medida certa para jogadores e principalmente para a mídia esportiva brasileira que na maioria das vezes torce para o quanto pior melhor visto serem clubistas antes de serem jornalistas, temos jornalistas que honram a profissão como o Alberto Helena Jr., o Mauro Betting, o Osvaldo Pacoal e algun outros, mas para a maioria o Felipão lhes dá o que eles merecem uma chacoalhada das boas para ver se aprendem a se comportar profissionalmente e não como mariquinhas fofoqueiras de fundo de quintal, outro ponto forte do Felipão é de que ou o jogador joga bola ou conta porque não joga, com o Felipão não tem jogador de bico, enrolando em campo dando passinho de lado e figindo que corre, o treinador que estava no Palmweiras não era ruim, estudioso do futebol, com algumas boas idéias mas muito “educadinho” para lidar com jogador no vestiário, o jogador vem da sociedade e de todas as camadas da população, então no meio de tantas frutas boas sempre vêm algumas não tão boas e é preciso um Felipão para depura-las, todos jogam sobre o Felipão o fracasso frente a Alemanha em 2014 mais será que a culpa foi só dele, a responsabilidade como treinador sim, mais a culpa por tantos gols tem que ser dividida, afinal treinador não entre em campo para jogar e sim para orientar, ser ouvido pelos jogadores ou não são outros quinhentos, então acho que para o Felipão foi questão de honra retornar ao Brasil, treinar o Verdão para recuperar sua imagem frente a torcida brasileira, tenha calma João Sardinha no final do ano seremos campeões da Libertadores e da Copa do Brasil, o brasileirão está dificil porém não impossível pois o líder é o amarelão rubro negro do cheirinho. Saudações palmeirenses.

      1. O palmares sem mundial retrocedeu 100 anos com o felipao.nunca foi treinador.so sabe fakar besteira.ganhou copa como ganhou vicente feola em 58.porque o time jogava sosinho. Foi o maestro do nosso maior vexame .nao vai agregar nada.o problema la é jogadores que pensam que sao craques.culpa da midia e da tia leila.nao vai ganhar nada esse ano de novo.vai é assistir o meu imortal ganhar a liberta de novo.kkkkk

      2. JJunior você como palmeirense sabe o que sofremos em 2012. Esse cara prometeu o mundo e não fez absolutamente nada e depois quando viu que o time ia cair covardemente caiu fora. Sem falar das sacanagens que fez com Alex e Rivaldo.

  3. Eu tenho uma raiva só de olhar pra cara desse carinha, filho da mâe, fez o Brasil passar o seu maior fiasco na história. Se tivesse um tico de inteligência, jamais teria aceitado o convite da Cbf pra voltar a dirigir a Seleção. Não passa de um motivador, apenas isso. Nunca na vida foi técnico, seu velho e manjado jogo é : dá chutão lá pro pirulão da frente, resume-se a isso. Foi campeão do mundo, porque aquele Brasil era um timaço. Mas, como foi campeão? Time fechadinho na casinha, só esperando um erro do adversário para dá o bote na efiência de Ronaldo ,Rivaldo e Ronaldinho. E, ainda sim, levou um esculacho da rapaziada que disse a ele que se o time não tivesse uma postura mais agressiva, eles perderiam a Copa.

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