
Uma sombra recai sobre a permanência de Renato Augusto na Seleção, às vésperas da Copa, segundo as informações que nos chegam da Inglaterra onde o jogador tenta se recuperar de vez de uma lesão no joelho.
Claro, Renato Augusto não é nenhum Neymar, um desses craques capazes de decidir uma partida, senão uma campanha inteira.
Mas, por seu estilo de jogo, como único meia-armador autêntico no grupo dos vinte e três que lá estão, passa a ser fundamental para que o time tenha aquele tal equilíbrio tantas vezes repetido por Tite e demais treinadores brasileiros.
Sim, porque aqui, a turma pegou a mania de achar que equilíbrio é, de fato, traduzido em bem defender-se e atacar com vigor.
E o meio de campo, o cerne de qualquer time no futebol de hoje em dia, como o era no passado mais distante, o setor que transforma o bem defender-se em bem atacar? É onde a bola ganha um toque de inteligência, antevisão da jogada, o passe certo no momento certo, essas coisas tão essenciais para que o time tenha fluência e equilíbrio de fato.
E aqui transparece o desequilíbrio da convocação de Tite: a ausência de um outro meia-armador, com jeito e vocação de meia-armador, além de Renato Augusto. Seus eventuais substitutos ou são volantes (mais ou menos ofensivos), ou atacantes (mais ou menos habilidosos).
No elenco atual, restam a Tite duas opções. Ou entra com mais um volante, tipo Fernandinho, Fred etc., ou entrega essa função a Coutinho ou William. Qualquer dessas opções provoca exatamente o desequilíbrio, seja tornando o time mais defensivo, no caso de Fernandinho ou Fred, seja teoricamente mais ofensivo, no caso de Coutinho ou William, dois atacantes que gostam muito mais do drible, da infiltração e do chute a gol do que em arquitetar o jogo com descortino e habilidade específica para essa função. Essse modelo é sempre um convite ao contra-ataque do adversário, pois coloca a bola em perigo o tempo todo.
Nessas circunstâncias, o melhor remendo seria Coutinho mais à esquerda, no ataque, William, pela direita, como ambos gostam de atuar por seus respectivos times, e Neymar mais centralizado, pela alta capacidade do craque em meter bolas açucaradas para seus companheiros. Perderemos aquele aríete pela esquerda tão fatal, mas que fazer?
Ah, dispensar Renato Augusto, e chamar um dos doze reservas restantes.
Qual deles?
Há, pelo que me consta, três meias ali no banco do banco: Lucas Paquetá, Maicon e Giuliano, que não é exatamente um armador, o único desse trio que já serviu à Seleção por várias vezes, e, muito provavelmente, por isso mesmo seria o escolhido de Tite.
Mas, se o olhar do técnico ganhasse sintonia fina sobre a questão, teria de escolher entre Paquetá e Maicon. Refinando mais esse olhar, veria que Maicon tem o perfil mais próximo do de Renato Augusto: sabe trabalhar com ciência a bola, dando o ritmo necessário para organizar o meio de campo e acionar o ataque, ajuda mais na marcação e está em fase deslumbrante no Grêmio há um bom tempo.
Enfim…
Uma correção. Como a lista foi entregue ontem, só poderá haver substituição em caso de lesão e pode ser qualquer jogador, ñ precisa da lista.
Fred me parece alguém que adiciona alguma capacidade de armação e dinâmica melhor que o Fernandinho, visto que era meia armador no início da carreira.
Se houver uma substituição, acredito que fique com o Giuliano. Uma pena o Jorginho ñ poder defender a seleção e parece que o Allan ñ é uma opção.