Vencemos, graças a Neymar

(Foto: Oli Scarff/AFP)

Abstraindo-se a justificável cautela da turma sob a sombra da Copa que se aproxima, de fato, a atuação do Brasil diante da Croácia, pode ser resumida nos dois gols que nos deram a vitória nesse amistoso necessário mas perigoso, em Liverpool.

No primeiro, Neymar que entrou no intervalo cheio de dedos, embora apenas um estivesse em recuperação, ao receber a bola de Coutinho pela esquerda, bem ao seu estilo, cortou dois adversários e tocou para as redes. Esse é Neymar, meu! Digam o que quiserem dele, que já está esbarrando em Romário, na lista dos maiores artilheiros da Seleção de todos os tempos.

No segundo, um lançamento exato, pelo alto – e esse é um dos melhores truques dele -, Casemiro colocou a bola no peito de Firmino na cara do gol; o artilheiro matou a bichinha e tocou com categoria por cima do goleiro.

De resto, ao longo de todo o primeiro tempo, a Croácia foi sempre mais efetiva do que o Brasil, sobretudo na marcação por pressão no campo verde-amarelo, o que forçou nossa defesa a sair trepidante em várias ocasiões. Ainda mais que, pela formação de meio de campo com três volantes de ofício, a transição para o ataque ficava limitada a longos lançamentos inócuos,. Apenas William imprimia um toque de habilidade, além do círculo central, mas praticamente isolado pela direita.

Melhorou noa etapa final, depois da entrada de Neymar.

Ah, mas Paulinho e Fernandinho se atiram à frente com frequência, responderão os nossos treinadores atuais, sobretudo os da escola gaúcha. Se atiram, meu, não armam, não sabem pensar o jogo, dar aquele passe inesperado e preciso, alternar o ritmo de seu time com a bola colada aos pés, essas coisas básicas de um autêntico meia-armador. Vão e vêm, como cabe a um volante típico, seja ele mais ou menos ofensivo.

E aqui cabe a minha maior  preocupação,. Dentre os vinte e três convocados, por estilo e vocação, só há um meia-armador autêntico – Renato Augusto -, que, por sinal, está machucado.

As alternativas para essa posição são todas inadequadas. Ou joga um Fernandinho, um Fred, dois volantes, ou joga por ali um atacante, como Coutinho, cuja compulsão é bater de fora da área, não exatamente arquitetar as jogadas de ataque.

Talvez, William se desse melhor nessa função. Talvez, embora ele goste de carregar demais a bola.

O carinha certo pra cumprir essa tarefa e que está jogando o fino há muito tempo seria Maicon, do Grêmio, que, por sinal, entrou na lista dos reservas dos reservas de última hora. Mas Maicon não foi testado uma única vez na Seleção. Logo…

Que fazer, então?

Talvez apressar um prognóstico que faço de Neymar já veterano, quando não mais tiver aquele arranque prodigioso pela esquerda, centralizando-o para armar as jogadas, pois tino pra tanto não lhe falta.

E perder aquele aríete pela esquerda? Afastá-lo da área, onde é rei?

Bem, sempre se pode esperar de Coutinho, na esquerda, onde fez nome no Liverpool, algo mais efetivo. Ou até mesmo entregar aquela faixa de campo a Douglas Costa, cujo estilo (velocidade e habilidade) mais se aproxima do de Neymar, sem a genialidade, claro, deste.

Mas, enfim, vencemos e isso serve sempre pra dar moral ao time, o que vale muito numa disputa de tiro curto como a Copa do Mundo.

 

 

5 comentários

  1. Hmmmm, não sei, meu chapa. Pois o técnico do Barcelona (outro trajado no conservadorismo, igual este da Seleção) quer fazer o mesmo do Messi, recuá-lo ao meio campo pra arquitetar o ataque, ainda mais agora com a saida do eximio armador Iniesta. Mas, cá entre nós, nem Messi, nem Neymar pode ficar tão distante assim do gol, se são eles os goleadores por excelência do time. Se este comandante da Seleção não fosse tão retranqueiro teria montado sua equipe com um penca de meias armadores ao
    invés do seu fiéis e amados volantes.
    Já vimos que o menino Neymar vem salvando a pele do Tite, jogo após jogo, resta saber agora, até quando isto irá acontecer?

    Abços.

  2. Concordo com Cartola e Alberto.
    Pelo visto até agora, essa Seleção vai na Copa até onde Neymar conseguir nos levar, tal como foi em 2014.
    Com a diferença que Tite não vai nos deixar passar outra vergonha.
    Minha aposta é fazermos uma figura parecida com 98, digna, mas sem elenco para ganhar o caneco.

  3. Helena Jr., a pergunta que não pode calar: o que, Paulinho e Fernandinho, estão fazendo na seleção? Sabemos o porquê do primeiro ter sido chamado; corinthianismo, mas o segundo, não há justificativa que acalme nossa mente.
    Infelizmente, a mídia esportiva brasileira só tem “senso crítico” para pegar no pé do Neymar, enquanto fica cega às bobagens titiquences.

  4. Alberto Helena Jr.

    Todos alegrinhos a selenike ganhou, milhões de camisas a serem vendidas, pares de chuteiras, e outros materiais esportivos após o time que veste a camisa do Brasil, mais que definitivamente não representa a vontade do povo brasileiro, suou sangue para ganhar na individualidade de um jogador sobre o aplicado time croata que vendeu caro a derrota, mesmo não sendo da primeira linha das seleções européias deu muito trabalho principalmente no primeiro tempo à nossa seleção com marcação alta e velocidade na recomposição, vamos esperar a selenike enfrentar Alemanha, Espanha, Inglaterra e até a Belgica para de verdade vermos até aonde vai a selenike na Russia e cuidado com a Islândia hein…..já basta o 7 x 1 da Alemanha né. Saudações palmeirenses.

  5. O craque e o gênio. O que diferencia um do outro? É difícil dizer mais é fácil comprovar. Neymar é craque sem sombras de dúvidas. O craque é aquele jogador que usa a sua habilidade para realizar uma jogada difícil mais PREVISÍVEL. Por exemplo o gol que ele fez contra os croatas foi um gol de craque ,mais mesmo usando toda a sua habilidade a jogada era previsível. Quem estava vendo na TV sentiu o lance. Já o gênio é diferente, ele faz aquilo que para nós mortais observadores parece ser impossível ou fora dos padrões normais.. Por exemplo. Pelé em 70 contra o Uruguai fez duas jogadas que só os gênios são capazes de fazer. IMPREVISÍVEIS. O corta luz que ele deu no goleiro uruguaio Marzukievski, um lance que ninguém que estava assistindo o jogo no mundo, muito menos o goleiro foi capaz de antever. A outra foi o voleio sem a bola cair no chão num tiro de meta defendido pelo mesmo arqueiro. Outro exemplo de genialidade do Rei foi o gol que ele fez contra a Argentina no Maracanã quando o Brasil empatava por 1 x 1 e no final do jogo cercado pela defesa alta da Argentina e tendo no gol o excelente Cejas, Pelé conseguiu mesmo com uma parede na frente e sem espaço, cobrir com um leve toque a defesa o goleiro portenho e colocar a bola no único local que ela poderia passar desempatando o jogo. Nessa mesma copa Pelé para variar fez outra jogada de gênio contra a Tchecoslováquia, quando do meio de campo arriscou um chute que por pouco não resultou num gol sensacional. Onde esteve a genialidade? De novo, na imprevisibilidade da jogada. Tanto é verdade que o Gerson ao vê-lo arriscar o chute e sem perceber a trajetória da bola gritou: oh! negão você tá ficando doido? Só percebeu a besteira que tinha falado quando viu o estádio todo delirando pelo perigo que a bola levou ao goleiro. Claro que muitos já fizeram gols de gênio mundo afora uma vez na vida, uma exceção. Pelé não, fazer o impossível era regra.

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