Seleção, uma eterna discussão

Nunca houve unanimidade em convocação de Seleção Brasileira, desde que a bola começou a rolar por aqui.

Portanto, os escolhidos de Tite para a Copa do Mundo, que está aí, ó, na próxima esquina, não fogem a regra.

Na verdade dentre os vinte e três chamados nesta segunda-feira, não há nenhuma surpresa, pois todos frequentaram a Seleção, desde que Tite assumiu. O que há é discordância em relação a certos nomes. Por exemplo: Taison, Fred e Filipe Luís.

Taison e Fred jogam no Shaktar, da Ucrânia, mas seus nomes soam com um tom de gauchês, tchê, posto que ambos saíram do Inter, time que Tite dirigiu lá no Sul. Abstraindo-se isso, são dois bons jogadores.

Taison, embora até outro dia vivesse um longo período de estiagem de gols, ganhou manchetes com aquele marcado em alto estilo recentemente, é o capitão de sua equipe e o cara mais badalado do time de maior destaque daquelas bandas, aquele que pratica o futebol mais vistoso e eficiente do Leste Europeu, graças, sobretudo, à presença maciça de brasileiros bons de bola que lá estão e que por lá passaram nos últimos anos.

Para seu lugar, Tite poderia ter apostado num jovem tipo David Neres, que anda encantando os holandeses pelo Ajax, ou, quem sabe, Vinicius Jr., sei lá, já com os olhos espiando além, pra Copa seguinte. Mas, esses nem chegaram a ser cogitados para os amistosos recentes. Portanto…

E Fred é um clone canhoto de Fernandinho, volante que vola o tempo todo, vai e vem, leve e habilidoso com a bola nos pés e dono de chute forte de meia distância.

Ora, como já temos o original, Fernandinho, e Paulinho para essa função, mais ajuizado seria escolher um meia-armador – fosse um escolado, Maicon, do Grêmio, ou mesmo o menino Lucas Paquetá, do Fla. Pra essa posição, de fato, só lá está Renato Augusto, já que nem P. Coutinho, nem William têm esse perfil exatamente, o cara que dá o ritmo adequado à equipe a partir do meio de campo.

A propósito, tudo indica que ambos estarão no time titular, com Coutinho fazendo as vezes do armador e William mais aberto pela direita, como gosta de jogar pelo Chelsea. Perigo, pois Coutinho se dá bem mesmo é lá na frente, pela esquerda, no reino de Neymar.

Mas, enfim, Tite é competente o bastante para dar um jeito nessa situação.

Discutível também foi a escolha do substituto do insubstituível Daniel Alves, na lateral-direita. O técnico brasileiro optou pela lei da frequência: Danilo e Fagner, os dois mais vezes chamados, disputarão a posição.

Assim como do lado esquerdo discute-se a presença de Filipe Luís, que está saindo de grave lesão, além de nunca ter empolgado o torcedor e a crônica esportiva tupiniquim por conta de seu futebol linear. Mas, Tite vê nele uma alternativa mais defensiva do que Marcelo, que só deixará o campo de maca ou num caixão de defunto porque se trata de um dos dois melhores do mundo na posição (o outro é Alaba, do Bayern).

Creio que, nesse caso específico, Tite estaria levando em conta o nível intelectual do lateral do Atlético de Madri, tido como leitor voraz e um aconselhador discreto e eficaz para o grupo. Essas coisas também contam, embora Alex Sandro, da Juve, seja tecnicamente superior.

Por fim, é animadora a presença de Geromel, tantas vezes preterido por Rodrigo Caio. Equívoco desfeito na hora certa.

De resto, é torcer pra que ninguém se machuque e que Tite possa engrenar esse time pra que façamos boa figura num torneio que se prenuncia extremamente difícil, com vários outros candidatos ao título, como Alemanha, França, Espanha, Bélgica, Inglaterra e, quem sabe, a Argentina de Messi e o Uruguai da dupla Suárez-Cavani.

 

 

 

 

Um comentário

  1. Pesquisa CNT/MDA publicada hoje mostra que assombrosos 70% da população não está interessada, ou pouco interessada na copa do mundo, contra 30% que estão muito interessados. Essa pesquisa é corroborada pelo que se vê nas ruas, ou seja, um total desinteresse do povão pela seleção. Anos atrás, o dia da convocação era quase um feriado nacional ,bares, lojas, clubes cheios de gente, hoje não passa de uma simples entrevista coletiva onde meia duzia de jornalistas privilegiados perguntam o de sempre, sem claro perguntas embaraçosas para o chefe. Para completar, Tite coloca no esgoto a tradição do futebol brasileiro preferindo levar consigo, suas convicções de um futebol de resultados para dar no fundo uma resposta ao mercado.

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