
Roger Machado esteve domingo no Mesa Redonda do Flavinho, e essa foi a primeira vez em pudemos conversar pessoalmente. A propósito, peço desculpas a ele e aos telespectadores por me ter excedido em meus comentários. Mas, é que estou aqui e lá pra defender sempre uma única camisa: a da excelência, não me importa qual escudo ela exiba. Por isso mesmo, estou pelas tampas com essa praga dos dois volantes que mimetiza e rebaixa o nível dos nossos espetáculos ao porão escuro do mais profundo sono.
E, se há um elenco no futebol brasileiro capaz de atingir níveis de excelência em seu desempenho (não falo de resultados, que isso é outro departamento) esse é o do Palmeiras de Roger, assim como o do Flamengo, qualquer que seja seu treinador.
Isso, porque investiram muito em bons jogadores numa quantidade suficiente pra enfrentar esse calendário maluco do Brasil.
E o que chamo de excelência? É a capacidade de um time jogar perto, pelo menos, de seu mais alto nível, de acordo com as circunstâncias, claro. Que circunstâncias? Se está atuando no campo do adversário, se o inimigo joga marcando por pressão ou, ao contrário, afivela uma retranca deslavada e assim por diante.
O Palmeiras, por exemplo, deverá ter coisa de setenta por cento dos jogos em que estará diante de retrancas, disfarçadas ou não. Porque esse é o destino dos considerados favoritos e porque a maioria de seus adversários no Brasileirão é composta por times de menor expressão técnica e histórica.
É assim aqui, na Oropa, França e Bahia, como dizia o poeta.
Abra a janela para arejar um pouco nosso saturado ambiente doméstico e dê uma espiada como se comportam nessas mesmas situações enfrentadas pelo Palmeiras diante da Chapecoense os grandes campeões da temporada em três dos principais centros futebolísticos do mundo: Inglaterra, Alemanha e Espanha.
City, Bayern e Barça levantaram o cetro de campeão com várias rodadas de antecedência e batendo recordes de invencibilidade, de gols marcados e saldo de gols (o que exalta a força tanto do ataque quanto da defesa).
E como esses times resolvem essa questão? Simples: avançam a marcação, plantando-se no campo inimigo e trocam bolas até achar as brechas necessárias para dar o golpe fatal. Sucede que, pra tocar a bola com proficiência, é indispensável ter os jogadores com a devida capacidade para esse empenho. Ou seja, meias de ofício e vocação. Com apenas um volante, quando não sem nenhum deles, como habitualmente o faz Guardiola ao escalar o trio de armação do meio de campo, na ausência de Fernandinho, com De Bruyne, Gundogan e David Silva.
Como sempre há dois pontas abertos, assessorados pelo devidos laterais, amplia-se o campo de ataque, permitindo que os meias possam evoluir por dentro, opção desde muito tempo descartada pelo futebol brasileiro em geral.
Aqui, sob o pretexto de que, pra enfrentar retrancas, só há o caminho das laterais do campo, de onde nascem aqueles inúteis chuveirinhos para um ou dois gatos pingados na área, desprezou-se de vez a figura dos meias, que virou apenas um símbolo solitário e equivocado do tal Camisa 10. Este, no fim, acaba tendo que abrir para um dos lados (no caso, leia-se Lucas Lima), a fim de dar passagem aos dois volantes que sabem marcar, sabem chegar na área vez por outra, eventualmente fazer um lançamento longo e preciso, mas não sabem armar, tocar a bola com habilidade e ciência.
Essa tem sido a trava que impede o Palmeiras de praticar um jogo de excelência, evoluindo lá de trás com passes envolventes etc., como sugere seu elenco bem dotado e realmente moderno, por ser eterno.
Por las puntas!, sim, como recomendava o saudoso Malandro de Camisa de Seda, Filpo Nuñes, técnico de uma das mais afamadas Academias Verdes da história. Mas, sobretudo, pelo meio, pelos meias, que é o caminho mais curto para se chegar ao gol inimigo.
O que é o quadrado mágico?
excelente comentário, meu caro alberto helena jr. o problema é enfiar isso dentro da cabeça de nossos treinadores. o medo de perder tira a vontade de ganhar, ja dizia um tal de vanderlei luxemburgo. abraço.
Alberto Helena Jr.
Não vi o programa pois como assino a SKY no pacote não está incluso o canal da Gazeta Esportiva, portanto não posso fazer nenhum juízo do que você chamou de excesso de cobrança junto ao Roger Machado, porém imagino que você Alberto como eu curte o futebol praticado de forma ofensiva, tipo Bercelona, Bayer de Munich, Real Madrid, mas o Roger vem da escola gaucha de treinadores, cuja a retranca é quem predomina na cabeça dos treinadores por lá criados, mais eu acho que Roger é um dos técnicos atuais que coloca mais jogadores no ataque, pois é vísivel que o esquema preferido por este treinador é o 4-3-3, portanto com três atacantes, também acho que o 2º volante do Verdão de acordo com as circunstâncias do jogo deveria partir mais vezes para o ataque mais como se faz isso com times que vem jogar contra a gente com cinco ou seis jogadores povoando o meio de campo se houvesse mais meias jogando contra um time desses seria suícidio tático pois perderiamos a força de marcação e portanto equilíbrio no jogo, gosto como você do futebol que se praticava há alguns com um volante de contenção e dois meias normalmente um esquerda e um destro também chamado de ponta de lança ou meia direita….tempos bons Dudu, Ademir da Ghia e Leivinha…..tempos bons….tempos idos. Saudações palmeirenses.