Vitória e Timão, entre bocejos

Foto: Mauricia da Matta/ECV

A noite de quarta baixou no Barradão sob o signo do medo: o Vitória, na moita, à espera de um ou dois erros do adversário; o Corinthians atrás da esquina, cultivando o mesmo desejo.

Entre eles, um campo infértil onde a bola rolava imprecisa de lado a lado entre as duas intermediárias. Vez por outra, uma tentativa de ataque, mais por parte do Vitória, mas nem um pingo de verdadeira emoção.

E assim escorreu o primeiro tempo, entre bocejos.

No intervalo, as duas turmas tomaram uma dose do elixir da coragem, e o jogo ficou mais animado na fase final.

A entrada de Gabriel no lugar de Ralf, machucado no finalzinho do primeiro período, deu um toque de versatilidade ao meio campo alvinegro, o que incrementou um tantinho o ataque do seu time.

No Vitória, toda a animação esteve nos pés de Neílton, aquele que já foi chamado de o novo Neymar. Veloz, infiltrava-se aos dribles pela defesa adversária, sem, contudo, transformar em chances de gol tais investidas.

Assim, sem gol nenhum, a decisão dessa fase da Copa do Brasil ficou para o jogo da volta, no campo do Corinthians. Vejamos, vejamos.

NA LINHA DO GOL

Claro, todos os aplausos desse jogo que poderia ter sido a decisão da Liga dos Campeões vão para Marcelo, autor do gol que deu início à virada madrilenha em Munique, assim como para Navas, por suas defesas salvadoras, ou Casemiro, que deu um show de colocação em campo, atributo essencial para qualquer volante de alta classe; do outro lado, para Ribéry, que estraçalhou ali pela esquerda de seu ataque, Kimmich, autor de um golaço, sei lá quantos mais.

Mas, permitam-me focar a lente em Zidane, um dos cinco maiores meias-armadores que vi em ação nos últimos setenta anos e técnico não só vencedor (vai para seu terceiro título europeu em seguida) como refinado e ousado observador do jogo da bola, tudo isso embutido naquela esfinge de traços faraônicos, discreto no trajar e nos movimentos como nenhum outro de seu ofício.

Quando mais o Bayern pressionava o Real em busca do empate, Zidane perdeu o único lateral-direito disponível para esse jogo – Carvajal. Como não tinha um substituto da posição no banco e já mandara aquecer o centroavante Benzema, não titubeou: mesmo vencendo por um magro 2 a 1 no campo do adversário, mandou Benzema a campo e recuou o ponta Lucas Vasquez para a lateral, justamente onde Ribéry deitava e rolava. Imprudência ou ousadia? Ambas se confundem no geral, de tal forma que até os deuses da bola acabam por premiar esse gesto, seja qual dos dois for.

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