Nem novo, nem velho. Apenas inteligente

Foto: Miguel Locatelli/CAP

O brasileiro, cuja memória cabe na cabeça de um alfinete, detesta estudar a história, e o vocabulário se reduz a cinquenta palavras, tem nos termos novo e moderno seu fetiche. Tudo que desconhece e foge à rotina do que está acostumado a ver no seu dia a dia é tachado de novo ou moderno.

Agora mesmo estão chamando de novo o agradável futebol apresentado na noite de domingo por Grêmio e Atlético. Novo não é, embora seja um ponto fora da curva, como gostam de dizer por aí, na curso do nosso futebol estabelecido há quase duas décadas. Aquele que abdicou do toque de bola envolvente em favor de chutões e cruzamentos à área inimiga, fruto do medo dos nossos técnicos de perder o emprego, em nome do tal futebol de resultado. Não correr riscos, é isso aí!

Pois o Furacão do Fernando Diniz corre um tremendo risco em cultivar aquela saída de bola desde a defesa, na base de toques, espírito que contagia o resto da equipe dali pra frente.

E aqui me lembro de uma historinha que o meu querido amigo Raul Plassman, grande goleiro do Cruzeiro e do Flamengo, sobretudo, gosta de contar.

A cada devolução de bola, Raúl via o seu lateral-direito do Flamengo, Leandro, acenando pra receber a bola. Era hábito acioná-lo, como faziam todos os goleiros: bola pro lateral, que servia o volante iniciando a sucessiva troca de bolas até à área adversária. O diabo era que Leandro insistia em receber a bola mesmo cercado por vários atacantes adversários. Raúl relutava e recebia em troca os maiores impropérios do companheiro.

Certo dia, Raúl resolveu dar o troco e mandou a bola pra Leandro marcado por três adversários. Leandro matou a bichinha no peito, deu o chapéu num, a caneta em outro e saiu impávido com a bola dominada. E o Raúl ficou de queixo no chão.

Claro, Leandro era um fenômeno de técnica e habilidade.

Tampouco todos os goleiros são gozadores como Raúl.

O que quero dizer, porém, é o seguinte: tanto o jogo de pé em pé do Grêmio de Renato Gaúcho quanto o do Furacão de Diniz não é nenhuma novidade. É apenas inteligente, portanto eterno.

Tanto é eterno que assim se procedia por aqui há meio século como se pratica a cada fim de semana nos centros mais evoluídos do futebol europeu, com o City, o Liverpool, o Bayern, o Real, o PSG, o Barça, sei lá quantos mais.

E um futebol assim jogado, mesmo que termine em zero a zero, como aconteceu no estádio do Grêmio, faz a gente dormir feliz.

Não é novo nem velho, é apenas futebol bem jogado.

NA LINHA DO GOL

No jogo das fofocas, Rogério Ceni respondeu com discernimento à provocação do cartola Leco, que elegeu Raí como o maior ídolo da história tricolor: Raí foi um dos grandes ídolos do São Paulo, ponto. Como o o foram tantos outros – Ceni, por exemplo. A cada geração, nasce um ídolo e elegê-lo como o maior da história é problemático. A não ser em casos excepcionais, como um Pelé, um Di Stefano.

Pois o São Paulo teve dois desses: Friedenreich, o primeiro ídolo nacional, reverenciado aqui, na Oropa, França e Bahia, como dizia o poeta. E Leônidas da Silva, o Diamante Negro, o Homem de Borracha, o Pelé dos anos 30/40, artilheiro da Copa do Mundo de 38, e o jogador que elevou o São Paulo aos píncaros quando desembarcou na Estação do Norte, no Largo da Concórdia, em 42 e foi carregado nos ombros pelos torcedores até a sede do clube, no centro da cidade. E, cuja estreia estourou todas as bilheterias do Pacaembu, na maior lotação registrada pela história do estádio municipal até hoje. Fala-se em mais de 72 mil pessoas, embora a partir de um certo momento, não mais deu pra registrá-las. Com ele, a moeda caiu em pé no ano seguinte e o São Paulo somou mais dois bicampeonatos em 45/46 e 48/49.

E olhe que nesse time brilhavam Don António Sastre, outro ídolo eterno, a linha média mítica Rui, Bauer e Noronha, o eterno Teixeirinha, o Napoleãozinho Remo e o dr. Luiz Mesquita de Oliveira, o Luisinho do inesquecível Paulistano e da Seleção Brasileira.

E o que dizer de Roberto Dias, prata da casa, que carregou o Tricolor nos longos anos de estiagem enquanto se construía o Morumbi, na década de 60, sem falar em Zizinho, o Mestre Ziza, e Canhoteiro, o Mago, que o antecederam? O versátil Dias – zagueiro e volante – reinou no trono da idolatrai tricolor por uma década, sozinho. Na década seguinte, Gérson e Pedro Rocha, como pedras básicas do renascimento tricolor. E assim por diante.

Então, diante disso, roubo do príncipe espanhol a pérola que ofereço agora ao cartola Leco: Callate!

 

8 comentários

  1. Alberto Helena Jr.

    Desculpe meu amigo vir com notícia de última hora de assunto não pertinente a esse post mais de não menos relevância, o site UOL publica notícia das investigações da Kroll para desmascarar os gambas, a comissão de aritragem e dirigentes da F.P.F. e Rede Esgoto de Televisão naquele já manjado esquema de “ajudinha” externa ao time lá daquele fim de mundo de itaquera, aparece nas imgens de forma cândida um cachorrinho de recados da FPF de celularzinho na mão à beira do gramado na hora do penalti que depois de oito minutos virou não penalti por espontanea pressão gamba em cima de juiz que por sinal tem estabelecimento comercial vizinho ao entulhão de itaquera, mostram outras imagens o referido cachorrinho guardando o celular num tunel de acesso após cruzar com o Delegado da FPF que mentiu em depoimento ao TJD/SP quando disse que não se dirigiu aos assistentes de arbitragem porém outra imagem não só mostra que se dirigiu aos assistentes dos arbitros como brada em voz alta abrindo com sua enorme bocarra, áo saber disso o procurador TJD/SP “convenientemente” opta por mandar “arquivar” o inquérito, porém sua atitude mais uma vez comprova o concluio que ao final será demonstrado desmoralizando pratica renitente de gambas, comissão de arbitragem da FPF e Rede Esgoto de Televisão em proteger e manipular as coisas no futebol para beneficiar o time de itaquera em esquemas mais do que conhecidos por todos mais até agora não provados…..até agora pois o Verdão agora irá apresentar, independentemente da opinião de um procurador do TJD/SP, pedido de impugnação da partida ao pleno daquele tribunal e posteriormente se necessário recorrer até à FIFA isso com o apoio de toda a torcida palmeirense e de todos os times e torcidas que prezam só pelo resultado do futebol com a bola rolando sem ajuda externa…..não queremos o título embora fossemos mercedores dele queremos sim a moralização do futebol com o devido expurgo de dirigentes, mídia e times que gostam de corrupção….cadeia neles. Saudações palmeirenses.

  2. Discordo do sr. J Junior na forma, mas concordo com a premissa de se moralizar o futebol. Isso posto quero aqui trazer uma historia a mim contada, nos confins dos anos 1960, por um jornalista do grupo folha. Privei da companhia desse, infelizmente já morto, grande jornalista, e por isso não posso declinar seu nome. A historia, que o querido companheiro de peladas contava, seguia assim: certo time, dos melhores de Sampa, ia jogar no interior(Campinas) e parece que o vestiário do árbitro tinha uma porta com grande fresta junto ao chã, o que permitiu ao diretor do time da capital jogar certo pacote para dentro. O árbitro então chutava o pacote para fora, o dirigente chutava de volta e o árbitro fazia o mesmo dizendo .. Esta, e mais outras histórias( desse mesmo time campeoníssimo) nos era brindada nos domingos de pelada na Kombi da Folha pelo grande amigo. Nunca tivemos razão para duvidar da veracidade pois O.P. era um homem de caráter e um verdadeiro cavalheiro.

  3. Esse tal de J. Junior que não deve ser aquele narrador que em 1973/1974 narrava futebol em Limeira/SP., pela Rádio Jornal, só está vendo o lado do Palmeiras. è bom recordar aquele apito amigo do Palmeiras que expulsou o Gabriel sem ter sido ele o autor da falta. Ali o árbitro não aceitou ajuda externa e o timão foi9 prejudicado, mesmo assim pela incompetência do Palmeiras o timão ganhou o jogo. Acho que não se lembra daquele jogo da libertadores quando o árbitro interferiu a prejuízo do Corinthians em 4 lanches capitais e claros.
    No último domingo o árbitro anulou um gol legítimo do Inter e deixou de marcar um pênalti claro também a favor do Inter. Será que o falastrão e chorão presidente do Palmeiras vai ingressar na CBF com pedido de anulação da partida por erro de direito. Enquanto a tia Crefisa mandar no Palmeiras vai ser assim, contratam bondes e técnico ruim e inexperiente. Volta Paulo Nobre depressa ou esse atual presidente quer continuar mamando na teta chamada Crefisa.

    1. Alberto Helena Jr.

      Gostaria de responder ao José Paulo Pejon que não sou o narrador ao qual ele se refere pois em 1973 tinha 18 anos, e que esse pseudônimo faz parte do meu nome e queria reiterar que a principal “briga” que o Palmeiras comprou e das feias é contra esquemas “obscuros” que hà anos imperam no futebol não é pelo título e sim pela moralização do futebol com a consequente desmoralização de dirigentes de clubes e federações, e mídia corruptas clubisticas, eu pergunto ao José não sei qual seu time que você meu amigo mais você gostaria de acompanhar um campeonato inteiro já sabendo que determinado clube, cujos dirigentes dizem com a boca cheia “se não roubar não ganha nada” se movimentam nos subterrâneos do futebol com conluios e “acordos” por detrás das cortinas para ganharem títulos, concordo com você com relação ao Gabriel mais com relação ao jogo contra o Internacional foi um erro de marcação de impedimento sem qualquer interferência externa já preparada com antecedência como aconteceu na final do paulista….chega de time que joga covardemente ser “beneficiado” com esquemas de corrupção….chega de sujeira no futebol….se um dia acabarem com sujeira no futebol….aí cessam os títulos do time de itaquera…..corrupto tem que estar na cadeia dividindo cela com torcedor símbolo deles lá em Curitiba …furtebol tem que ser limpo para se ganhar jogando bola somente. Saudações palmeirenses.

      1. Então peça a seu presidente que devolva os três pontos para o internacional, nada mais justo, já que é para a moralização do futebol. Tem que alguém começar, que tal o seu palmeiras começar?

  4. Meu velhote, meu velhote, esta tua praia está deserta de visitantes, de bom
    papo e fina elegãncia, já dizia o poeta carioca.

    Abços

    1. Alberto Helena Jr.

      Ao internauta Cartola, que foi muito feliz no pseudônimo adotado, eu diria assim como seu xará famoso “queixo-me as Rosas mais que bobagem simplesmente as rosas exalam o perfume que roubam de ti”….Cartola Rosinha. Saudações palmeirenses.

  5. Mas o papo aqui não o ótimo jogo entre Grêmio e Cap? Olha gente não tem nada de novo e sim o novo do velho ,o futebol nada mudou na sua essência apenas mais velocidade com o aperto da marcação e com inteligência e ousadia assumindo a responsabilidade com a bola nos pés trocando passes e ludibriado o adversário para chegar na sua área e finalizar e está proposta foi colocada em prática neste bom jogo de futebol para encerrar o domingo deixando viva a esperança de um rumo novo ao nosso outrora apaixonante e técnico futebol!

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