Que vergonha, Tricolor…

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Tenho lido e ouvido boa parte da turma da mídia esportiva exaltando a tática adotada pelo São Paulo ao longo de todo o Majestoso de quarta-feira.

Só isso já dá a medida do nível de mediocridade em que chafurda o Brasil atual em praticamente todos os seus segmentos, aqui espelhados num campo de grama, uma das expressões culturais do nosso povo mais significativas. esse Brasil analfabeto, mergulhado na corrupção de suas  elites e dividido numa guerra ideológica (na verdade, bestialógica, pois esse pessoal sequer sabe o real significado da palavra ideologia) do tipo Palmeiras versus Corinthians, os adversários da final de um campeonato velho e superado no espaço e no tempo.

O São Paulo, minha amiga, meu amigo, praticou a mais vergonhosa exibição a que um time grande poderia se submeter: uma retranca deslavada, daquelas de causar inveja a um Milton Buzetto, um Kapan, o inventor do Ferrolho Suíço, um De Domenico, imigrante italiano que aqui, durante mais de meio século, aplicou nos seus times pequenos as chamadas Cerrada e Cerradinha – a Cerrada era a composição com oito defensores à entrada da área, um mais avançado e outro aberto pela ponta; a Cerradinha era o que vimos o Tricolor utilizar na noite de quarta-feira: dez atrás, mais o goleiro e um terço nas mãos.

Fosse o São Paulo um Nacional de De Domenico ou um Juventus de Buzetto, vá lá. Mas, não é. Nunca foi. Mesmo porque os atuais elencos de São Paulo e Corinthians se equivalem, como ficou evidente na vitória tricolor no primeiro jogo entre ambos, embora o Timão tivesse jogado mais desfalcado naquela partida do que seu oponente.

E, mais: o São Paulo entrou em campo, em Itaquera, com uma significativa vantagem moral, o que ficou evidente nos primeiros movimentos, quando o Timão revelava extremo nervosismo refletido  na sucessão de passes errados e faltinhas cometidas.

Dizer-se que o Tricolor adotou a tática do Timão campeão, invertendo a situação do jogo, é uma tremenda besteira. O Corinthians, embora privilegiasse ao longo da temporada passada tão vitoriosa o sistema defensivo, jamais se escondeu atrás de uma retranca desavergonhada como a adotada pelo rival neste decisão da semifinal paulista.

E, se isso merecesse críticas por parte de quem exigia do Corinthians um jogo mais fluente, ofensivo etc., o time de Carille sempre buscou um certo equilíbrio entre defesa e ataque. Já o Tricolor, não. Só se defendeu, apesar de duas ou três escapadas que poderiam ter resultado no gol definitivo da disputa.

No fim das contas, prevaleceu a justiça no placar, mesmo aos 47 minutos do segundo, mesmo com o baixinho Rodriguinho marcando de cabeça entre aqueles grandalhões todos da defesa tricolor, pois foi o único dentre os dois que tentou jogar futebol, enquanto o outro buscou apenas impedir que isso acontecesse.

Menos mal.

14 comentários

  1. Perfeito novamente, Alberto.
    Infelizmente nosso futebol atual não merece elogios, essa é a grande verdade.
    Tirando a seleção de Tite (ele não gosta que assim o digam), o Brasil possui muitos jogadores, campeonatos, bem fraquinhos, todos nivelados por baixo.
    E isso não se aplica apenas ao São Paulo, mas em todos os clubes chamados “grandes”.
    Fato consumado, vamos ter que detalhar somente a tática e comentá-la vigorosamente.
    E, quem treinar melhor sua equipe taticamente, levantará o troféu, seja qual for o campeonato a nível nacional.
    Quem sabe um dia qualquer a coisa muda de figura?
    Até lá, grande abraço e saudações.

    1. O problema é que além de jogadores de terceira linha que jogam nos “grandes” clubes brasileiros os técnicos não sabem nada de tática. Porque se entendessem mesmo com jogadores medianos nos iriamos ver jogos bons, pois a tática bem aplicada permite movimentos coordenados que dão uma boa visão do jogo. Mais o que eles fazem? Coloca os jogadores para dar chuveirinho na área e ver no que vai dar. Ai esses treinadores da “nova geração” fingem que entendem de alguma coisa e tratam mau os jornalistas, torcedores.

  2. Não exalto a maneira como São Paulo jogou como ideal ou como eu quero ver este time que tanto amo jogar.

    Porém compreendo que não havia outras opções de jogo a ser praticado, isso devido ao novo reinício de um trabalho, um técnico que chegou em meio a decisões e provavelmente não deve ter tido um mísero treino tático é técnico.

    Claro, conforme o tempo passar, espero ver um futebol bem mais apropriado que o praticado neste último ano.

  3. Analise muito bem feita. Os formadores de opiniao desse pais, incluidos ai os cronistas esportivos, estao com o passar do tempo igual o futebol brasileiro – uma palida imagem do que ja foram um dia.
    Um time “grande” como o Sao Paulo jogar como jogou e um acinte a qualquer torcedor. E um time sem centroavante em campo como o Corinthians e outro absurdo que nao consigo entender.

    1. Caro amigo, a Seleção espanhola, que vem encantando os olhos do mundo, hâ mais de um década atuou sem um centroavante tipico na final da Euro 2012 versus os italianos.
      Sabe o que eles fizeram?
      Entrou com uma formação recheada dee meias armadores: Xavi, Iniesta, David Silva e Fabregas. E o mundo viu um recital de bola dos espanhóis, espetáculo!.
      O Corinthians não precisa de um centroavante, precisa de jogadores habeis, assim como esse futebolzinho brasileiro.
      Habilidade, meu amigo, sempre a habilidade.

      Abços.

  4. Aguirre é retranqueiro por princípio. Não espere nada além. Mais um Técnico de meio de tabela. Que saudades de quando o time jogava bola

  5. Parabéns pela sua análise da partida de ontem Sr. Alberto Helena. O que dói mesmo ( para quem acompanha futebol desde os anos 50 ), que perdermos o glamour, o artístico. O que assistimos hoje é uma brincadeira de péssimo gosto. Simulações de faltas, numa disputa de lance, a mão do adversário toca o pescoço do opoente, este leva sua mãos aos olhos, nariz, como se necessitasse de uma intervenção da emergência de hospitais próximos ao esádio. Enfim acabou o charme, a irreverência de um Mané Garrincha, um drible de Luizinho ( o Pequeno Polegar do lendário Corinthians dos anos 50 ).
    Contentemo-nos com isso que nos restou, o irritante Petros, que fala mais do que joga, entre outras pálidas figuras, como se fossem fantasmas a nos assombrar ou ainda pior nos sufoca e nos mata com a saudades que sentimos do tempo, que íamos aos estádios assistir uma porfia do esporte bretão ( como se dizia na época), em companhia de amigos que torciam para o time adversário do nosso, algo inimaginável para a violência que permeia nos dias de hoje nossas arquibancadas. Palavras de um setentão que acompanha o Corinthians desde a infância e que viveu uma noite de sonho (28/11/1958, quando menino ainda com 13 anos assistiu pela primeira vez um clássico noturno entre Corinthians x Palmeiras. Ficou na poeira do tempo. Hoje trocada pela violência das ruas e das arquibancadas, Onde as famigeradas torcidas organizadas {?} ,mandam e desmandam. Que pena por você pobre futebol profissional !!

  6. Alberto vc é este programa é uma vergonha.
    não sabe nada o Corinthians não deu um chute no gol do sp. Mas sim o sp perdeu 4 gols feitos, teve até escanteio olímpico.

  7. Sério, concordo que o SP foi retranqueiro em excesso, errou e deu até vergonha comparado ao que tínhamos no início dos anos 90.
    Mas vamos lá, que time brasileiro atualmente consegue manter um técnico e um time decente por mais de um ano?
    E agora um time formado por Petros, Militão e Aguirre como técnico vai nos fazer reviver os melhores momentos do passado e impor sua forma de jogo?
    Sejamos realistas, o SP que temos hoje é isso aí mesmo e não vejo algo muito melhor no curto prazo…

  8. A IMPRESSA É RESPONSAVEL POR NÃO PUBLICAR AS COISAS HONESTAMENTE E ENDEUSAR TÉCNICOS QUE NA REALIDADE SÃO PAUS MANDADOS DE DIRETORES CORRUPTOS E MERCENÁRIOS POR ISSO NOSSO FUTEBOL ESTÁ SE ESVAINDO E OS JOVENS TALENTOSOS DEIXANDO NOSSO PAÍS NÃO SÓ PELO DINHEIRO MAS TAMBÉM PELA INDECENCIA QUE OCORRE NOS NOSSOS CLUBES .

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *