Mesmo na derrota, parabéns, Carille!

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Neste universo onde impera o resultado, elogiar técnico e jogadores na vitória é fácil, algo recorrente. Mas, na derrota, ah!

Pois, permita-me o amigo quebrar essa rotina, dando os parabéns ao técnico Carille por insistir na atual formação do Corinthians, com apenas um volante (Gabriel), dois meias de ligação (Rodriguinho e Jadson) e três atacantes (Romero, Jr. Dutra e Clayson), mesmo tomando a virada do Santo André, nesta noite de quarta-feira.

Não que o Timão tenha praticado um futebol sedutor, envolvente, decisivo, longe disso. Fez um primeiro tempo razoável, quando abriu a contagem com Rodriguiinho, numa boa escapada de Clayson pela esquerda, aos 38 minutos. Já na etapa final, errou demais e permitiu a virada dos azuis, num disparo fatal de Tinga, de fora da área, e numa cabeçada certeira de Lincoln, em posição de impedimento (meio corpo do atacante estava além da linha de impedimento), como revela o lance tecnológico da tv.

Mas, sim, porque esta quadra da temporada está reservada mesmo aos ajustes dos clubes que disputarão os verdadeiros certames do ano – Brasileirão, Libertadores, Copa do Brasil e Sul-Americana.

É o caso também do Corinthians, embora este venha de duas conquistas do ano passado, praticamente com o mesmo elenco, afora as defecções de Pablo, Arana e Jô, todas elas importantes, claro, mas não letais.

A questão nem é essa. A questão é que Carille poderia sentar-se no trono de campeão brasileiro e paulista para manter o mesmo esquema que o levou aos honrosos títulos.

No entanto, o técnico, que não tem PHD da Sorbonne, não cumpriu ano sabático na Europa para desvendar os segredos recônditos da modernidade e tal e cousa e lousa e maripousa, inspirado apenas pelo seu instinto e a longa experiência adquirida como auxiliar técnico de várias treinadores famosos, resolveu sair da caixa, como gosta de dizer a jovem mídia esportiva, escondendo sob um palavrório da moda os cabelos encanecidos de seus pensamentos.

Sair da caixa significa romper as quatro linha do quadrado convencional, aquele que, embutido nas quatro linhas retas, não é capaz de enxergar além desses limites.

O campo é um retângulo verde, mas a bola é uma esfera de destino imprevisível. Ela é o objeto do jogo de um ser (o homem) também passível de movimentos e decisões incertas. Enfim, o campo é feito de linhas retas, mas o jogo é sempre circular, com a turma circulando em torno da esfera relutante, às vezes, submissa, em outras.

Quando você estabelece que os jogadores devem se perfilar em linhas retas, feito soldadinhos de chumbo ou bonequinhos de pebolim, estará contrariando a essência tanto do jogo quanto do jogador. E todos acabam enfiados na caixa, bem arrumadinhos, sem alma nem desejos.

Portanto, moçada, saia da caixa, que já é Carnaval essa reinvenção tão brasileira como o nosso futebol de outros tempos.

 

5 comentários

  1. SR. Alberto respeito demais sua opiniao, pois trata-se de um dos jornalistas mais serios e respeitaveis deste País.,, mas sabemso que assim que começar a libertadores o time e o jeito de jogar será semrpe aquele de primeiro defender e depois atacar, isso é assintaura do curintia….defesa e deer ataque!!

  2. Alberto,
    Duas coisas podem ser ditas sobre a escalação.
    A primeira é a sua análise da procedência do Carille em manter o esquema arquitetado, mesmo com a derrota.
    Pode ser que dê certo com o passar dos jogos…bem, quantos jogos?
    A segunda é a manutenção do esquema que levou o clube a dois títulos, mesmo sendo com 2 ou 3 volantes.
    Ao meu ver, como torcedor, o campeonato, seja ele qual for, não é para testes, mas sim para valer as idéias e treinos já realizados.
    Mesmo que não exista (ou seja curta) a pré-temporada.
    Daí, como competição, vejo que a lógica seria manter a postura do ano passado, mesmo que, digamos, não seja bonito aos olhos.
    Vamos ver se e quanto vai dar certo esse esquema.
    Grande abraço e saudações.

    1. Mas, é uma pena ver esse seu comentário ô bacana, depois de ler um texto tão bem arquitetado pelo sábio escrevinhador.

      Viva o futebol-espetáculo!.

  3. Alberto Helena, admiro seu jeito poético de analizar partidas de futebol e de sua cultura linguística impar, mas devo recordar que no brasileirão do ano passado os erros de arbitragens foram fundamentais na conquista corintiana, ressaltando aqui os erros contra o Flamengo e Palmeiras, que todos nós recordamos e que praticamente tirou do verdão a possibilidade de se aproximar do timão na tabela.

  4. Torço pelo sucesso de novos técnicos que surgem no futebol brasileiro e também para que Carille mantenha e prossiga com esta visão.
    Mas a história de que “não se faz omelete sem ovos”,compromete o esforço e a dedicação de qualquer um.

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