Já contei essa história de Natal. Mas, como as histórias de Natal são quase sempre as mesmas e a plateia se renova a cada ano, vou contar de novo, se o amigo me permitir.
Levado pelas mãos do pai, o menino de sete anos mal celebrados percorria a seção de brinquedos das Casas Pirani, uma das primeiras lojas de departamento da cidade, que ficava num prédio da avenida Celso Garcia, próximo ao Cine Universo, aquele que, em noites estreladas e quentes do velho Brás, abria seu teto conversível para os céus. Prédio, aliás, que havia sido construído por meu avô espanhol José Sanz Duro.
Eis que, de súbito, um objeto estranho e maravilhoso salta aos olhos do menino: um caixote retangular de madeira, pintado no fundo de verde, com duas metas e vinte e dois bonequinhos espetados em varas que cortavam o caixote e terminavam em punhos arredondados. Era a representação exata de um campo de futebol, com seus jogadores dispostos no formato clássico goleiro, dois beques, três médios e cinco atacantes, que, devidamente manipulados, empurravam em direção às metas uma bolinha de pingue-pongue.
Os jogadores estavam pintados com as cores das camisas do Flamengo e do Vasco, dois timaços dos anos 40, mas que chegavam vagamente aos ouvidos do menino naquela época. Quem comandava o espetáculo por aqui, em tempos do futebol doméstico, eram Palmeiras e São Paulo, que dividiram a década com cinco títulos paulistas para o Tricolor e quatro do Verdão, restando um para o Corinthians, que iniciara em 41 sua fila de dez anos.

O nome do estranho e maravilhoso brinquedo? Pebolim, certamente uma adaptação da recente moda entre os puristas de nossa língua pátria, que desejavam trocar o inglês foot-ball pelo nosso ludopédio ou pebola, em vão. Mas, pra garotada de então passou a ser mesmo pinbolim: pimba no bolim, muito mais autêntico e popular.
Claro, aquele seria o presente de Natal mais desejado pelo menino. Mas, o pai, depois de confabular com o gerente da loja, o Luís Pirani, voltou balançando a cabeça: era muito caro. Papai Noel não tinha tanto assim.
O milagre aconteceu na véspera do Natal, no finzinho da tarde, quando o menino, inesperadamente, surpreendeu o pai retirando do porta-malas de seu Ford cupê cinzento, o caixote tão desejado. E, ao deslumbramento do sonho realizado, juntou-se uma pontada de decepção: afinal, o menino flagrara o que já desconfiava – o Papai Noel não existia.
E, para o sonho se transformar em plena felicidade, lá estavam os bonequinhos com as cores do Palmeiras e do São Paulo, os devidos nomes escritos nas costas, hábito que só viria a ser adotado pelos verdadeiros times de futebol décadas mais tarde.
Aliás, vale aqui dar um corte e saltar para o presente, numa advertência para os jovens jornalistas até cinquenta anos que queiram contar a história das táticas no futebol brasileiro através das leituras dos jornais antigos. Vão cair na armadilha (muitos já caíram) do atraso.
E pego como exemplo essa disposição tática do meu primeiro pinbolim. Os jogadores estão enfileirados no sistema clássico, o 2-3-5, como a mídia da época escalava as equipes que, porém, já atuavam havia quase dez anos sob o signo do WM (3-4-3).
Isso, perdurou até o início dos anos 60, quando, então, já se jogava num 4-3-3 e a mídia dera um passo à frente, mantendo-se, porém, um passo atrás, pois escalava as equipes num 3-4-3, sistema alterado com o advento do quarto zagueiro. E assim vai.
Enfim…
Feliz Natal, cambada! Tempos em que as lembranças do passado se juntam à esperança de um futuro sempre mais promissor.
Dizem apaixonados casais perambulando pela vizinhança da Celso de Garcia que nas noites de natal de ruas vazias, é possível se ouvir ainda hoje o ronco e a silhueta de um velho Ford cupê . Nunca se consegue ver bem a pessoa que o dirige, mais muitos garantem que do seu interior muitos presentinhos são deixados para que as crianças pobres do bairro nas manhãs seguintes os recolham. Do motorista não se consegue enxergar além de um vulto, mais muitos que o viram o descrevem como sendo Papai Noel.
CARO AMIGO ALBERTO, DESEJO A VOCE E SUA FAMILIA UM FELIZ ANO NOVO, COM MUITA SAUDE, E TUDO DE BOM. ABRACOS, BERNARDO
Tostão escreveu na Folha que falta um craque entre Casemiro e Paulinho. Eu acho mesmo é que falta um craque atrás do Paulinho. E quem sabe o próprio Paulinho não poderia ser esse craque? Eu não consigo entender por que um jogador de talento não pode fazer a função que Casemiro faz, não entra na minha cabeça. Paulinho daria muito mais qualidade ao meio de campo além de fazer uma boa proteção da defesa porque é forte, tem altura e mais do que isso, tem muito mais habilidade que o o atual dono da posição. Porém Tite acha que na porrada e na cara feia ele vai barrar os craques dos times adversários. Vai pagar caríssimo como Dunga pagou.
Amigo Alberto Junior
Feliz 2018 a vc e os seus.
Com saúde,sorte e tudo mais.
Abraços
Paulo Vantini