O clássico dos clássicos

Foto: divulgação/La Liga

Real e Barça se enfrentam neste sábado como uma extensão da tensa realidade política que vivem Madri e a Catalunha.

No campo da política, Madri tem a força a seu favor, enquanto os catalães mantêm o espírito inquebrantável de se desligar da Espanha, depois de praticamente quinhentos anos de domínio, que se fixou nos tempos de Isabel de Castela e Aragão e revigorado com a ascensão de Franco, já nos meados do século passado.

No gramado viçoso do futebol, ambos se alternaram, ao longo da história, na supremacia da Espanha e Europa, desfilando craques inolvidáveis e verdadeiros esquadrões imbatíveis.

Aliás, vale lembrar que por causa da disputa por um jogador húngaro, lá pelos anos 50, quase não se detona uma segunda Guerra Civil. O troféu chamava-se Kubala, e até o caudilho Franco teve de intervir na encrenca. Kubala acabou mesmo no Barça, ao lado do nosso Evaristo de Macedo, que por sinal vestiu as duas gloriosas camisas, e que, certa vez, me falou maravilhas do húngaro – um atacante completo, de passes exemplares.

Mas, o Real respondeu com ninguém menos do que Alfredo Di Stefano, simplesmente considerado o maior do mundo de todos os tempos que precederam o aparecimento de Pelé. Começou como um ponta-direita veloz e hábil no River Plate, apelidado de Saeta Rubia (Flecha Loira), para terminar sua fulgurante carreira como um centroavante  ao mesmo tempo cerebral e artilheiro ao lado de Kopa, Gento e Puskas no memorável Real dos anos 50/60.

De lá pra cá, os merengues desfilaram uma infinidade de craques que culminam com a chegada de CR7, vindo do United, eleito cinco vezes o melhor do mundo nos últimos anos.

O mesmo número alcançado por Messi, sua contrapartida do Barça, um meia-atacante de domínio de bola sobrenatural, drible fácil, passes inesperados e muitos gols que continuam se multiplicando jogo após jogo.

O Barça que encetou sua marcha em direção à hegemonia do futebol espanhol com a chegada do técnico holandês Rinus Mitchels, acompanhado por um dos atacantes que fariam história no futebol mundial: Johann Cruyjff. Começava, então, em meados dos anos 70, o estabelecimento de um estilo de jogo ao mesmo tempo encantador e vencedor, no qual prevalecia a posse de bola, a marcação avançada e talento exalando por todos os poros de seus jogadores, muitos extraídos de suas própria canteras, como Xavi, Iniesta, Busquets etc.

Nas duas últimas temporadas, o Real virou o jogo sobre o Barça, ganhou uma série de títulos, dentre eles, os bicampeonatos espanhol, da Liga dos Campeões e Mundial de Clubes.

Mas, neste exato momento, embora os merengues festejem ainda o título do Mundial diante do nosso Grêmio não andam lá muito bem na campeonato nacional. Basta dizer que estão a onze pontos do líder Barça, que, se ainda tem problemas com a saída de Neymar e a queda de produção de Luisito Suárez, ganhou poder de fogo com as investidas de Paulinho, um volante que se atira à área com precisão e eficiência, a ponto de ser um dos principais artilheiros da equipe, apesar de seu estilo incisivo quebrar a fluência daquele toque de bola hipnótico do meio de campo de outras temporadas.

Já o Real, no campeonato espanhol, tem padecido exatamente da escassez de gols dos seus dois atacantes mais efetivos nesse quesito: CR7 e Benzema. Mas, isso pode virar de uma hora pra outra. No entanto, Modric e Casemiro têm sido essenciais tanto no desarme quanto na armação da equipe. Casemiro, embora mais recuado, compensa isso com seus lançamentos longos precisos, além das chegadas intermitentes à área, o que lhe tem valido alguns gols. Modric, por seu lado, multiplica-se em campo como um verdadeiro motorzinho, suprindo as ausências de outros companheiros.

Enfim, é jogo pra se ver de joelhos, com o espumante (de preferência, um Freixenet) gelando na mesinha ao lado.

 

 

 

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