O signo Guardiola

Foto: Oli SCARFF/AFP

O técnico Guardiola é muito badalado, mas poucos entendem a extensão do seu trabalho. A começar pelo conceito inicial desse extraordinário treinador catalão, justamente aquele pelo qual se justifica a existência do futebol: o espetáculo. O resultado do jogo deve ser consequência, não objetivo primordial.

O futebol toca as multidões do mundo inteiro porque se trata de um jogo como a vida. Há, claro, na vida, um forte apelo pela sobrevivência. Mas, isso não basta. É preciso que ela seja revestida de bem-estar, prazer, diversão, essas coisas que vêm acompanhadas de um trabalho, no mínimo, satisfatório. Com grana, melhor ainda, óbvio.

Para tanto, os homens se congregaram em sociedades; isto é, uma convivência em grupo, mas, sem perder o essencial – a individualidade de cada um. Não há dois seres na história da humanidade com as mesmas digitais, por exemplo. Contudo, é necessário, até por uma questão de sobrevivência da espécie, conviver com seus semelhantes o mais harmonicamente possível.

Essa discrepância entre o indivíduo e o grupo é controlada pelas leis sociais ou religiosas, não importa.E a cada um cabe uma tarefa complementar a outra na sociedade, de acordo com as habilidades e vocação de cada um.

Ora, transportando isso para o campo da bola, que nada mais é do que palco onde o cotidiano se dramatiza em torno de uma esfera de curso imprevisível, podemos mais ou menos dimensionar o alcance do trabalho de Guardiola.

Num mundo em que cresce a truculência por todos os lados e em que se buscam os atalhos mais obscuros pra se atingir objetivos ainda mais sombrios, a tendência natural é o futebol reproduzir esses parâmetros a uma plateia cada vez mais obtusa, fruto da paixão tribal e dos hábitos diários.

Da mesma forma que na vida real a educação é fundamental para o avanço das sociedades e, sobretudo, dos indivíduos, o futebol carece de reeducação diante do quadro atual.

É exatamente isso que Guardiola está fazendo. Fez na Espanha, na Alemanha e está fazendo na Inglaterra, que anda ameaçando um passo atrás com Conte e a conquista do último campeonato, com seus três zagueiros e toda aquela concepção defensiva da tradição de seu país de origem, a Itália de meus antepassados.

E o que faz Guardiola, em contrapartida? Arma seu City pra oferecer um espetáculo digno da própria essência do jogo. Isto é: em vez de pensar obsessivamente em se defender para obter o resultado (o empate já tá legal, pois é um ponto conquistado, melhor do que nada), distribui as tarefas de seus jogadores de acordo com suas habilidades e vocação, de forma a dominar a bola e o espírito do jogo, em busca do maior de todos os espetáculos – o gol.

Escala um goleiro, o brasileiro Ederson, que sabe sair jogando com os pés. Coloca à sua frente, dois zagueiros que também sabem passar, não só desarmar e dar chutões, pois a harmonia de um time começa exatamente no toque inicial. Solta seus dois laterais e arma seu meio de campo com um volante apenas, leve nos movimentos, que sabe atacar, postando mais à frente dele dois verdadeiros meias-armadores e de chegada – De Bruyne e David Silva, um destro e outro canhoto. E, lá na frente, três atacantes de fato – dois pontas velozes e incisivos, e um centroavante móvel, que sabe sair da área e jogar bola -, Sterling, Aguero ou Gabriel Jesus e Sané.

E dá-lhe goleada sobre goleada, tanto no campeonato inglês quanto na Liga dos Campeões, onde o City lidera com folga. O resultado é um sorriso no rosto dos espectadores, mesmo que disfarçado no dos adversários.

PS: Não é por acaso que Guardiola, tempos atrás, quando ainda iniciando seu trabalho no Barça, declarou pra quem quis ouvir, quando perguntado sobre em que se inspirou para adotar aquele estilo de jogo tão encantador por um repórter brasileiro, respondeu que se espantava com quem perguntava. Afinal, procurava apenas reproduzir aquele estilo bem brasileiro, expresso na Seleção de 70, conforme ouvira de  seu avô e seu pai. Tá mais do que na hora de nossos treinadores ouvirem seus  pais e avós.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

4 comentários

  1. Guardiola pra mim é um gênio!! Ele respira futebol, ele tem obsessão pelo futebol ofensivo!! Contra o Napoli, na Itália ele falo q pq ele ia falar pros jogadores joga pelo empate, se joga pelo empate, joga pela Vitória!! É os times dele, joga da mesma forma contra qualquer adversário, pode ser contra o Brighton em casa, ou contra o Manchester United em pleno o Old Trafford, o City vai propor o jogo!!! Torço pro City desde 2012 na Vitória da Premier League, naquele gol do Aguero aos 95min de jogo contra o QPR e sou fã do Pep!!!

  2. realmente o guardiola é fantástico,e teve em o grande gênio Messi que dava o tempero de genio,ao esquema tático do Barcelona.No tempo de Davi e iniesta e busquet foi o grande barça.tive a paciência de verntodos os vídeos de messi,pois vejo todos os jogos de barca por causa de messi para mim,o Neymar atrapalha quer time,muita palhaçada em campo.Messi e o maior jogador de todos supera maradona e pele. veja como os franceses estão vendo o Neymar no psg .no Barcelona ele tinha respeito por messi,seno Neymar fosse para o real ,o cr7 já o teria comido

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