O que não falta é emoção

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Para os que ainda defendem o sistema mata-mata no Brasileirão, sob o argumento de que aos pontos corridos falta a emoção dos jogos decisivos, vale apresentar-lhes o cenário do atual torneio nacional.

Nunca antes um time disparou tanto na tabela como o Corinthians no primeiro turno. E nunca antes tantos candidatos ao título de início abandonaram vezes sem conta o Brasileirão em nome de outras disputas paralelas – Copa do Brasil, Libertadores e Sul-Americana, por exemplo. Mas, bastou um início de segundo turno trôpego do líder, e eis que o título volta ao alcance de, pelo menos, dois outros times – o Palmeiras e o Santos, que tropeçam num dos tantos momentos decisivos que o campeonato oferece ao longo do ano. Mesmo assim, si se puede.

Paralelamente, a luta para escapar do rebaixamento cria outro polo de disputa lancinante. Lancinante e irônico, pois o São Paulo, por exemplo, que passou o ano em agonia, pode terminá-lo até mesmo com uma vaga num torneio continental , o que era impensável até antes da vitória sobre a Ponte.

Quer dizer: quem não vê emoção num campeonato como esse (obviamente, não falo do nível técnico e tático, que é deplorável), tá de sacanagem.

Pegue-se a  rodada deste fim de semana como exemplo.

Corinthians e Palmeiras fazem, no domingo, um clássico que, além de toda a histórica rivalidade, pode vir a ser o marco definitivo da disputa. Se o Palmeiras vencer, não só se aproxima perigosamente do líder, como joga nas costas do Timão um peso insuportável. Caso contrário, o Mosqueteiro praticamente mete a mão na taça, embora matematicamente ainda sobre uma margem pequena de revertério.

Claro que, diante desse quadro, as dúvidas  permeiem as cabeças de todos, sobretudo dos treinadores, dois novatos no ofício, que vêm de longos anos nos bastidores.

Carille não poderá contar com dois jogadores essenciais naquela arrancada prodigiosa do primeiro turno, mas que ultimamente não vêm jogando bem. Assim como Marquinhos Gabriel, sempre o primeiro recurso para qualquer posição do meio de campo e das extremas, também está baleado. E, mais: Clayson, que tem sido decisivo nas últimas partidas com seus gols providenciais, segundo o treinador, quando começa jogando cai demais de produção no fim da partida. Logo… Logo, Carille tem de tirar um coelho da cartola.

Já Valentim não tem esse tipo de problema. Seu elenco está nos trinques, todos à disposição. E olhe que é um elenco de respeito, muito superior, tecnicamente, do que o do adversário.

Devem voltar Mina e Bruno Henrique, e, mesmo diante da pressão da figura de William, não pode desestimular Borja, que, sob seu comando, parece ter renascido.

Assim, time por time, o Verdão é melhor. Mas, sacumé, ainda mais que a Fiel estará em campo, lá das arquibancadas de Itaquera.

Se o medo de perder não travar as pernas dos jogadores dos dois lados, é jogo pra mais de metro, meu!

 

2 comentários

  1. Sim, Alberto.
    É o jogo do campeonato, fato!
    Eu pensava que seria apenas um “jogo” comum, com o corinthians mantendo uma larga vantagem.
    Pois, agora, vejo que é o jogo dos jogos, quem levar, ganha o campeonato.
    Pôxa, o timão sempre fica envolvido em momentos deste porte, quando é não é!!!
    Enfim, já estou acostumado com isso, o corinthians protagonista de mais um momento que vai mover o País.
    Grande abraço e saudações.

  2. Ilustre Alberto Helena é uma satisfação continuar lendo seus textos. Acompanho seus artigos, já se vão mais 40 anos, escrevendo sempre com elegância, sobriedade, clareza e um português irretorquível. Lhe desejo longa atividade, continuando à dar exemplos aos profissionais mais jovens. Grande abraço!

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