As nuvens tricolores sem rumo

(Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)

Dos grandes paulistas, o São Paulo é o que se encontra em situação mais delicada. Não apenas por ocupar uma posição subalterna na tabela do Brasileirão, que isso é como as nuvens do político mineiro: ora se assemelham a um gato, ora a um elefante.

O mais grave é que o Tricolor irradia a sensação de que está à deriva, tropeçando em suas próprias incoerências.

Para se proteger de tantos anos de jejum, período em que viu seu cofre esvaziar-se como nunca antes em sua gloriosa história, por incúria e malversação de suas finanças, desde que Juvenal Juvêncio assumiu a direção do clube até seus sucessores em linha direta, a direção resolveu chamar o mito Rogério Ceni pra ser seu treinador.

Ora, Rogério tinha um projeto bem definido, quando pendurou as luvas e as chuteiras: partiria para a Europa a fim de aprimorar seus conhecimentos, fazendo estágios aqui e ali, até sentir-se devidamente preparado para dirigir um time da grandeza do seu São Paulo.

Esse projeto foi abortado em meio, mas o conceito de alterar a sistemática dos treinamentos e do jogo São Paulo estavam expressas na escolha de dois auxiliares europeus, um francês e um inglês.

E, no gramado, o Tricolor saiu distribuindo gols a valer, como manda o figurino mais moderno em vigor lá nas europas, ao contrário do futebol praticado aqui sob o signo do medo.

Isso, custou-lhe uma índice alto de gols tomados.

Como equilibrar o time, então?

Bem, pesquisa feita aqui na redação da Gazeta dava conta de que dois terços dos gols sofridos pelo São Paulo eram de bolas alçadas na sua área. Portanto, uma questão de ajuste entre beques e goleiro.

No entanto, Rogério deixou-se levar pelo lugar-comum do nosso futebol, entendendo que a vulnerabilidade tricolor era fruto do sistema de defesa, como um todo.

A partir daí, mudou o braço da viola e passou a jogar com três volantes, depois, mais três zagueiros de ofício e tal e cousa e lousa. Resultado: deixou de tomar tantos gols na mesma proporção em que parou de fazê-los.

Isso, sem falar na indefinição da equipe, o que não permite, num calendário como o nosso, a turma adquirir o entrosamento indispensável.

Pra ainda mais piorar a situação do técnico, eis que a diretoria passa a negociar seus principais jogadores – o último da lista, Luís Araújo (Maicon não conta, pois foi um erro brutal desde o início) – enquanto traz outros de qualidade técnica, no mínimo, discutível.

E, nesse vaivém, nenhum meia-armador típico, daqueles que dão ciência à arte de organizar o meio de campo e acionar o ataque, sequer foi cogitado. Em vez disso, vêm por aí mais dois volantes – Fernando Bob e Petros.

O que isso significa? Significa que Rogério ainda terá de mudar o time e alterar o esquema várias vezes antes de definir a escalação ideal, em meio a um campeonato renhido e sob a ameaça de ficar por ali rondando a zona do rebaixamento.

Então, qual a solução? A solução será Rogério optar de vez por um esquema – seja ele qual for – e por uma formação que julgue a melhor, e meter os peitos, pelo menos pra sair de situação tão incômoda. Ao mesmo tempo, projetar um elenco mais adequado pra próxima temporada, com lucidez e convicção do que deseja.

 

 

 

 

6 comentários

  1. Penso que o fato não está na visão futebolística de Rogério Ceni e as diferentes táticas que possam ser implementadas.Um rápido percurso pelas carreiras de técnicos internacionais como Ancelotti,Mourinho e Zidane,e dos brasileiros Luxemburgo,Tite,Felipão e tantos outros,veremos que o itinerário seguido por eles foi de baixo para cima,começando em equipes de menor expressão.Na linguagem simples popular e do futebol,”não deram o passo maior que as pernas”.O grande equívoco foi da Instituição São Paulo e do próprio jogador ao se precipitarem e serem vítimas das próprias opções.

    1. Pois é, mosqueteiro, concordo inteiramente com você; os futuros treinadores tem que começar a carreira em equipes de pouca expressão, em times pequenos. É exatamente isso que o Ceni está fazendo.

  2. Perfeito o comentario do Alberto. Simples, conciso e direto. Retrata a situacao catastrofica do SP.
    Nada a acrescentar a nao ser algumas observacoes pessoais do torcedor. Quem vai tirar o tricolor
    da zona de rebaixamento? Quem vai ter coragem de despedir o Ceni? Como disse recentemente o Marco Aurelio, ” contratacoes desastrosas. Ainda ‘e o paraiso dos empresarios. E’ torcer e rezar.

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