Por que Diego Souza e não Fred?

Pedro Martins / MoWA Press

A convocação de Tite para os jogos contra Uruguai e Paraguai, pelas Eliminatórias, deixa bem claro que o técnico da Seleção, até segunda ordem, abdicou da presença de um centroavante típico, inclusive no banco de reservas, na ausência forçada do menino Jesus.

O que mais se aproxima dessa silhueta tradicional é Firmino, e o que mais se distancia dela é justamente Diego Souza, que, pelo jeito, ocupará o lugar de Jesus, outro de estilo mais fluido do que aquele centroavante genuíno, plantado na área e vivendo do oportunismo vocacional.

Quem poderia suprir essa vaga como autêntico homem de área, sem dúvida, seria Fred, que atravessa boa fase no Galo, fazendo gols às pampas. Mas, Fred, sacumé… Vive sendo perseguido por lesões recorrentes. Além do mais, por estilo e formação, é daqueles atacantes para quem o time todo tem de jogar. Por outro lado, sua retribuição ao jogo coletivo é reduzidíssima.

Pô! Mas, faz gols, que é o objetivo final do jogo. É verdade, e aqui entra o ajuizamento do técnico, que pretende implantar um certo jeito de jogar da Seleção que independa da figura ortodoxa do centroavante.

Já Diego Souza, que sempre atuou como meia ou volante, a não ser naquele último amistoso do Brasil, ganhou a preferência de Tite. E não se trata de nenhum absurdo. Afinal, tem, além da técnica esmerada no passe e no chute forte de direita, boa estatura, o que lhe permite fazer a parede lá na frente para seus companheiros que vêm de trás, disputar as bolas altas e até mesmo sair para compartilhar do jogo de troca de bola fora da área.

O que intriga é a chamada do outro Diego, o meia do Fla. Pra função que ele exerce e sempre exerceu, desde quando foi revelado pelo Santos no início do século –  meia ofensivo, distribuindo bolas lá na frente ou chutando a gol de média distância -, lá está P. Coutinho, uma espécie de cover de Diego, mais jovem e decisivo, em alta no competitivo campeonato inglês e na própria Seleção Brasileira.

E, no banco, lá estarão Willian, Giuliano e até Diego Souza, na necessidade de tê-lo mais atrás, com a entrada, digamos, de Firmino no centro do ataque.

Mais ajuizado seria, pois, ter chamado o veloz Robinho, que tanto faz a meia quanto qualquer uma das pontas, caso Neymar ou Douglas Costa se machuquem ou neguem fogo.

Mas, enfim, até agora, a Seleção está em ótimas mãos. E vale deixá-las livres para escolher a peça que melhor convier. A cobrança ou o louvor ficam pra depois do apito final.

 

5 comentários

  1. Essa seleção ai com Casemiro e Fernandinho é uma das maiores vergonhas da seleção de todos os tempos. É a prova mais clamorosa que Tite só sabe jogar com dois volantes lentos, sem habilidade cujo jogo se baseia na força física. Tite mostra que é incapaz de criar um esquema novo que torne o time mais veloz e com um potencial técnico mais apurado. Tite é mais uma desgraça de se abate sob o nosso futebol que um dia foi rei. O torcedor na sua imensa maioria como na política é manipulado pela mídia e aceita gato por lebre.

  2. Negócio bom, Helena.
    Vamos ver o lado da contusão, de fato o “menino jesus” está em ótima fase.
    Infelizmente, no esquema do Mestre Tite, com sua ausência, se fez uma nova convocação de outros jogadores que encaixam perfeitamente no time.
    Lembre-se que Mestre Tite é um estudioso do futebol e doutor em táticas e posicionamentos.
    Lógico, nem por isso é infalível, em algum momento o Mestre pode perder, coisas do futebol.
    Aposto mais em um belo jogo da seleção diante de um aguerrido guerreiro de Montevideo.
    Grande Abraço.

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