O enigma dos grandes

O Corinthians vai passando pelo buraco da agulha, o que é positivo para o moral dos jogadores e do treinador, um pouco mais tranquilo pra ir fazendo as experiências necessárias nesta fase de remontagem da equipe. Lastimo apenas que os garotos da Copinha não tiveram ainda chance de se exibir no time principal para que se tenha uma ideia, ainda que vaga, do que podem produzir.

Mas, no país dos resultados, o que vale mesmo é juntar bens, e, no futebol, o bem mais valioso é a vitória – três pontos na caixinha, obrigado. E, se por força do destino vencer o Palestra nesta quarta, aí, então é que a tropa receberá aquela força espiritual que pode produzir a grande mudança de rumos.

Já no Parque, a exigência é maior. Não basta vencer, é preciso que o time de Eduardo Baptista jogue bem, com pinta de campeão. E, depois de alguns vacilos, o time cumpriu essa meta, domingo, mesmo sob o impacto da perda por um largo período de Moisés, o maior artífice da conquista do Brasileirão.

Sem ele e Tchê-Tchê, a dupla que dinamizou o meio de campo verde, o Palmeiras conseguiu fluir com naturalidade e talento, o que resultou na goleada sobre o Linense, revelando, mais uma vez, que, em qualquer competição, é sempre melhor ter o maior número de alternativas de alta qualidade. Foi o que demonstraram Michel Bastos e Keno, por exemplo.

Quanto ao São Paulo, há o respaldo do mito. Rogério Ceni é o grande anteparo junto à torcida às oscilações naturais de um time em formação e sem grandes recursos no banco de reservas.

No empate diante do Mirassol, um dos times mais bem classificados no campeonato, houve aquela falha grotesca de Maicon, que detonou a reação dos amarelinhos. Pura soberba, em busca do aplauso fácil da torcida que o adora.

Mas, houve também o equívoco de Rogério Ceni nas substituições, que desarmonizaram o conjunto tricolor. Não apenas porque sacou os três melhores em campo – Luís Araújo, Cueva e Cícero -, mas, também, pela intenção do treinador ao promover tais alterações.

A entrada de Buffarini, por exemplo, tinha a nítida intenção de fechar ainda mais sua entrada de área, fosse o argentino atuando como terceiro volante, fosse como lateral-esquerdo, com a passagem de Júnior Tavares, que, por sinal vinha bem na sua, para o meio. E, nem me refiro às limitações técnicas do legado de Bauza.

A hora era de matar o jogo de vez, não de evitar o desastre que se concretizou no finalzinho. Portanto, carecia, se necessária por razões físicas dos substituídos, a entrada de Lucas Fernandes, por exemplo, um meia de articulação vindo de longa recuperação, no lugar de Thiago Mendes, digamos, com o recuo de Cícero, um segundo volante até pela própria preferência do jogador.

O menino, nesse caso, entraria num time que vencia com dois gols de diferença, arrumado em campo e com o devido apoio dos mais técnicos e experientes. Mas, enfim, são coisas do futebol, e Rogério, cara inteligente, sabe onde pisa. Ontem, foi no tomate; amanhã, poderá ser nas nuvens.

Quanto ao Santos, que barbaridade estão fazendo com Dorival Jr. e sua tropa!

Não vi a derrota para a Ferroviária, em plena Vila, mas, que diabo!, esse time, atual campeão paulista e que acaba de se sagrar vice do Brasileirão, tem bala pra ir muito além na temporada, desde que esse bando de intolerantes tenha um pingo de juízo, se quiser mesmo ajudar o clube de seu coração.

A perda de Renato foi fatal para aquele toque de bola ciente e eficaz dos últimos tempos. Além do mais, Lucas Lima está jogando numa frequência bem mais baixa em relação às duas temporadas passadas. Poucos falam, mas o menino Luís Felipe, zagueiro de alta classe e eficiência, está há tempos no estaleiro, e os seus substitutos não estão à altura. Nem mesmo o experiente Cleber, que teve uma estreia desastrosa no time.

O Peixe, todos sabem, é um time, excepcional, diga-se. Mas, não é um elenco de peso. E isso deve ser levado em conta sempre.

 

2 comentários

  1. O São Paulo tem um bom elenco,mas o time não pode ficar mudando tanto nas mãos de Rogério ¨Osorinho¨ Ceni. Não vai entrosar nunca desse jeito !

  2. Alberto Helena Jr. parabéns pela sua matéria sobre os times paulista nessa rodada. O Santos já perdeu a segunda seguida em casa, coisa que não tinha acontecido faz tempo. Pode ser o atual campeão paulista, mas, tem que mostrar mais bola dentro de campo. E nesse aspecto o time da Vila Belmiro está deixando a desejar.

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