Peixe: pelas beiradas, vice.

(Foto: Ivan Storti/Santos FC)
(Foto: Ivan Storti/Santos FC)

O Peixe, deslizando pelas margens das expectativas gerais, saltou sobre a Ponte, superou o voo do Urubu e já está no encalço do Periquito.

Arpoado nas costas pela incompetente e bandalha CBF, esse Peixe, porém, tem escamas duras e um futebol flexível, capaz de vencer as adversidades, a partir da tórrida e traiçoeira manhã de Campinas e o gol inicial da Macaca, em pênalti de David Braz sobre Wendell, que o artilheiro Pottker converteu.

E aqui – a virada no placar que o elevou à vice-liderança do Brasileirão -, deve-se muito à percepção do técnico Dorival Jr., tão competente como subestimado, que, no segundo tempo, fez duas alterações fundamentais: a entrada de Iuri na zaga, de onde o passe errático virou ciência, e a de Léo Citadini no meio de campo.

Assim, aos 22 minutos, Léo invadiu a área e disparou para defesa de Aranha; no rebote, o sempre atento Ricardo Oliveira guardou.

A partir daí, o Santos passou a pressionar a Ponte de tal maneira que a virada era inevitável. Copete teve duas chances – uma na trave, outra no Aranha -, até que, finalmente, acertasse as redes, no retoque da ação entre amigos de Iuri e Leo Citadini.

Assim, o Santos, que ofereceu, juntamente com o Galo, o futebol mais aprazível, num certo momento do campeonato, mas que havia declinado, de fininho, se reergueu e chegou lá.

Mesmo que não consiga, sob o peso da nova responsabilidade (a possibilidade de disputar o título), já se provou como um modelo de comportamento para os demais times grandes brasileiros: sem grandes investimentos, com olho clínico na molecada e mantendo um treinador articulado, civilizado e dedicado, mostra aos demais o caminho das pedras. Quem quiser que o siga.

3 comentários

  1. O que a CBF (ou PMSP, ou seja lá quem for!) fez com o Santos revela um desprezo tanto pela história do clube quanto pela organização do campeonato. O jogo já estava marcado desde sei lá quando, enquanto a decisão da Série C foi definida há cerca de 10 ou 15 dias (poderiam ser outros clubes, que não o Guarani). Ora, então que se modificasse o horário deste último jogo. Mas o que se deve esperar de uma instituição que vem conduzindo o nosso futebol à situação em que se encontra?

  2. A meu ver, o futebol brasileiro afinca o paupérrimo da obviedade. Palmeiras, Santos e Flamengo são muito aquém de um time com algum poderio semântico. As jogadas são simples, as funções táticas cumpridas até aqui nada mais são que ululantes etc. Ademais, o futebol brasileiro de há tempos deve e muito. Em contrapartida, pela notória igualdade técnica presente, pois bem, sobra emoção. Arrisco a dizer que o Flamengo e o Santos indubitavelmente diminuirão a diferença para o Palmeiras na próxima rodada. Mas, e daí? O desafio dos times neste momento não é o título, e sim fazer com que o torcedor não durma em meio ao patético espetáculo que subleva tão somente o óbvio. Helena, um forte abraço. Quisera eu ter o teu talento, tal como um espaço a ponto de frisar o que penso. Bom dia.

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