O capitão da técnica e da elegância

 

Reprodução TV Gazeta
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Eis, então, que Pelé parou à entrada da área italiana, ali pela meia-direita, e simplesmente rolou a bola naquele espaço vazio cavado por Jairzinho que se deslocava para o meio, levando consigo o mítico lateral Facchetti. Foi o tempo exato para Carlos Alberto chegar e bater de peito de pé, cruzado, fechando com chave de ouro a mais perfeita participação de uma Seleção em todas as Copas do Mundo até então e nas que a sucederam.

Foi marcar o quarto gol sobre a Itália, subir ao pódio e beijar a taça que conquistávamos pela terceira vez com aquela que foi considerada pela Fifa a melhor seleção nacional de todos os tempos no planeta Terra.

E, no meio de tantos craques inexcedíveis e um gênio incomparável, Carlos Alberto Torres era o escolhido pra levantar a taça, na qualidade de capitão de uma equipe cheia de líderes natos – Gérson, Piazza, Pelé, Tostão e cia. bela.

Logo na primeira e única Copa do Mundo de que Carlos Alberto disputou, pois foi estupidamente esquecido em 66 por Feola e Havelange, juntamente com seu primo, Djalma Dias, pai do nosso Djalminha também inesquecível. Diziam a boca pequena que ambos eram chegados a uma erva do norte e por isso foram cortados, mesmo sendo ambos os melhores, disparados, em sua posições – a lateral-direita e a zaga.

O tempora! O mores!

O tempo, contudo, haveria de timbrar o que corria mundo: Carlos Alberto Torres era simplesmente o melhor lateral-direito do mundo, superando o rei da posição até então: Djalma Santos, um portento de força, resistência, velocidade e técnica.

Carlos Alberto, porém, o excedia em tudo isso, acrescentando ao vai e vem com a bola um toque de refinada elegância, além de precisão e potência nos cruzamentos e disparos a gol.

Vê-lo disparar pela lateral-direito era como se revíssemos Newton Santos repetindo o mesmo percurso pela esquerda – de fraque, cartola e bengala com castão de prata na empunhadura.

E, quando a velocidade se reduziu com o passar dos anos, ambos viraram zagueiros extraordinários.

Fora das quatro linhas, Carlos Alberto era um cavalheiro. Mas, um cavalheiro sem papas na língua, que dizia o que pensava sobre o futebol na bucha, depois de um longa e não tão gloriosa passagem pela beirada do campo como treinador de futebol de grandes e pequenos times.

Tive a honra e o prazer de conviver com Carlos Alberto desde quando ainda jogava e, depois, como parceiro de microfone.

E é desse que sentirei mais saudade. Pois o outro, o craque, já alcançou a imortalidade há muito tempo.

 

8 comentários

  1. Sim.
    Época boa, bom futebol e pouco dinheiro envolvido.
    Hoje, tempos modernos mais dinheiro envolvido e/ou só dinheiro envolvido.
    Eis a questão respondida, simples assim, craque do passado como Carlos Alberto Torres reverenciam a alegria tão sonhada que o povo gosta, ah, claro, sem muito dinheiro envolvido.
    No entanto, hoje…..hummm…é melhor parar por aqui.
    Que o grande Capita descanse em paz e tenha o seu lugar especial reservado lá no céu.

  2. Déjà Vu. Mano voltou ao Cruzeiro com festas e lantejoulas. Cumpriu o ritual de sempre. Boas vitórias no início, depois o de sempre, o esgotamento de um sistema de jogo que acaba quase sempre em fiasco. Para ser justo, não é só o Mano. A maioria dos técnicos do Brasil segue à risca o receituário do resultado a curto prazo. Os técnicos brasileiros excetuando-se Micale e Fernando Diniz são um agrupamento de soldadinhos de chumbo, todos produzidos a partir da mesma forma. O sistema de jogo então é uma receita onde só se muda a temperatura e a pressão. Os ingredientes são todos os mesmos, sem nenhuma dose de criatividade, sem nenhum condimento ou especiaria que diferencie um dos outros. Simplesmente não se vê nada que se possa dizer: Ai tem algo novo, há uma forma nova de jogar. Falta aos treinadores criatividade, inteligência para inovar e assim continua o nosso futebol batendo cabeça esperando quem sabe um novo Saldanha.
    Vi Carlos Alberto pela primeira vez em 69 na seleção. Jogador de personalidade e de extrema categoria. Fiquei triste com sua morte precoce. Junto com Everaldo e Fontana formarão lá no céu um zaga de respeito.

    1. J. Sardinha -Verdade e real sua colocação quanto aos “treinadores” , porque técnicos de futebol no Brasil em atividade não existe,,apenas treinadores e entregadores de camisa no vestiario.

  3. Alberto Helena Jr.

    Excelente texto como sempre e concordo com você Alberto, o Carlos Alberto Torres juntamente com o Djalma Santos e o Cafu foram os três melhores laterais direito que vi jogar, estará sempre na lembrança de todos os brasileiros e que descanse em paz merecedor de todas as honras a que tem direito. Saudações palmeirenses.

  4. PERA AÍ:

    Não esqueçam de incluir o Super Zé Maria , usabndo uma linguem futebolística, o Cafú não serve nem para engraxar a chuteira .

    PATRÍCIO AUGUSTO CORINTHIANO DOS SANTOS REIS

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