Rejuvenesça, Tricolor! Já!

(Foto: Acervo/Gazeta Press)
(Foto: Acervo/Gazeta Press)

Vou escalar aqui uma seleção de várias épocas e o amigo me dirá o que há em comum entre estes jogadores: Rogério Ceni; Cafu, Mauro Ramos de Oliveira, Roberto Dias e Nelsinho; José Carlos Bauer, Kaká e Silas; Muller, Serginho e Zé Sérgio, com Denílson entrando em campo só para dar um daqueles shows que lhe eram peculiares.

Claro que o amigo já sacou tratar-se de uma seleção tricolor de várias décadas. Todos eles craques de Seleção Brasileira, alguns campeões do mundo, como Rogério, Mauro, Muller, Kaká e Denílson (dois deles, capitães, do bi e do penta). E todos eles forjados nas bases tricolores.

Não é de hoje, depois daqueles vinte e cinco minutos finais do segundo tempo reveladores da virada sobre o Flu, que insisto no maior aproveitamento dos jogadores de Cotia pelo time principal do São Paulo, que já gastou os tubos em jogadores de terceira categoria, sobretudo os importados, com as devidas exceções.

Numa dessas – a contratação do zagueiro Maicon -, o São Paulo se desfez de um menino, lateral esquerdo chamado Inácio, que coloca no bolso o festejado Mena, Carlinhos e quantos mais jogadores dessa posição que o clube contratou a peso de ouro nos últimos tempos. Logo, logo, o amigo ouvirá que o rapaz foi vendido pro Barça, pro Real, por Bayern, pro City, sei lá, por uma quantia vertiginosa de euros.

Ah, mas apostar em meninos é sempre muito temerário. De repente, o garoto se perde pelas esquinas da vida, e adeus o-co-ló! Ou, se acanha a ponto de jamais reproduzir em cima o que fazia embaixo.

É verdade. Mas, isso pode ocorrer até com os mais afamados craques contratados por milhões e milhões. Querem um exemplo mais bem acabado disso? A  contratação de Ricardinho, anos atrás. Era o cara certo para o lugar certo. Não deu certo. Isso acontece.

Mas, se um garoto da base não vingar entre os titulares, o prejuízo sempre será muito menor.

E aqui vale a sintonia do olhar do diretor e do técnico. Há jogadores que estouram na base, mas que, se você tiver uma capacidade refinada de observação, verá que suas chances de êxito serão muito menores do que aparenta para o leigo.

Este, por exemplo, é o caso de Henrique, aquele centroavante da base tricolor que chegou a ser eleito o melhor do Mundial ou equivalente de sua categoria, mas que até hoje está à procura de um lugar ao sol.

(Foto: Rubens Chiri/São Paulo)
(Foto: Rubens Chiri/São Paulo)

Não é, no entanto, o caso desse menino David Neres, que acompanho há algumas temporadas na Copa São Paulo e congêneres. O bichinho sabe jogar bola – e isso é essencial. Canhoto, incisivo, goleador, mas também preparador de jogadas, é um garoto talhado para o êxito, mais cedo ou mais tarde.

E o mais importante: quando prestes a subir de categoria, sofreu grave lesão, o que o deixou afastado dos campos por vários meses.

Nesse período de encolha, para muitos meninos de sua idade e faixa social, é o bastante pra desistir e buscar um trampo que lhe permita ajudar a família. Em outros casos, a volta é reticente – o jogador sente receio de se machucar de novo, perde a confiança e tal e cousa e lousa e maripousa.

Pois, Neres de pitibiribas, Entrou numa fria danada e virou a cara do seu time e do jogo. Quer dizer; o jovem tem estofo, aquela força interior que diferencia o sujeito especial do comum.

Óbvio, nada nesta vida é infalível, nem mesmo as máquinas produzidas pela matemática segundo a qual dois mais dois sempre serão quatro.

Mas, que diabo! O risco de erro será sempre menor em apostar num menino promissor do que num cavalo velho manco.

Para tanto, é preciso dar segurança, confiança e insistir na escalação desses meninos, de preferência às bateladas, pra que cada um se sustente na parceria com seu congênere. A chance de dar certo, nesse caso, é sempre maior.

O claro exemplo disso é o Santos, que vem promovendo seus Meninos da Vila, assim ó, aos montes de uma vez. Como o foi, em se falando de São Paulo, nos tempos dos Menudos do Cilinho, que costumava tirar o talento do jogador fadado ao sucesso só no gingar em volta de um poste de rua.

E como seria se Ricardo Gomes, agora um pouco mais aliviado, escalasse o seu ataque para os próximos jogos com Neres, Pedro e Luís Araújo, deixando a garotada se divertir, nos divertindo?

PS: Meu caro Leco, livre-se das pressões, insinuações, sugestões e conselhos desses empresários e diretores da hora para contratar este ou aquele jogador, sobretudo os estrangeiros, pois as fronteiras entre o bem e o mal são praticamente invisíveis nesses casos.

NA LINHA DO GOL

O STJD, essa gigantesca e inútil excrescência do nosso futebol, acolheu o pedido do Fluminense pra anular o Fla-Flu porque o juiz anulou um gol claramente impedido do Tricolor, vencido legitimamente pelo Fla no campo do jogo. E agora? Sei lá! Caiu no STJD e dali pode emergir qualquer monstrengo. Mesmo porque seus membros são mais ávidos em ganhar espaço nos jornais, nas rádios e na tv do que em aplicar a justiça no seu estrito senso. Exemplo? Lembra o amigo daquela decisão da família Zveiter, botafoguense, que inverteu os 6 a 1 aplicados pelo São Paulo no Glorioso por causa do gato Hiroshi? Pois é.

Bem que há meio século venho proclamando que o melhor para o nosso futebol era acabar com esses tribunais de fancaria e substituí-los por uma comissão arbitral de poucos membros que simplesmente aplicariam um código disciplinar claro e conciso abrangendo as situações corriqueiras que se repetem a toda hora no futebol e que não são tantas. Mas, não: o brasileiro prefere mesmo essa bachaleirice cheia de descaminhos, montada desde as Capitanias Hereditárias para favorecer os mais poderosos ou os interesses da hora.

 

4 comentários

  1. Muito bom o texto. Concordo plenamente em gerar oportunidades aos garotos do São Paulo. Mostraram que é esse o futebol que tanto queremos, vimos cada vez mais os clubes gastarem milhões na contratação de jogadores estrelas que se comparado a muitos outros jogadores de várzea fazem o mesmo ou muito melhor. Com relação a questão do Fluminense, penso que abre precedentes e que irá manchar novamente o campeonato. Lamentável! Obrigado pelo compartilhar de seu post.

  2. È isso aí Dom Alberto, eu sempre lembrei que os meninos do sub-20 do spfc são em muito, superiores á maioria dos ditos “cascudos” só para deixar mais claro: J. schimidt, melhor que Hudson, Banguelê, melhor que Wesley, David neres, pode tirar qualquer um dos meias-atacantes, Luis Araujo e Pedro melhores que o Improvisado Carlinhos e o disperso Kelvin e o Mateus reis melhor que o horroroso em todos os fundamentos, Mena. além dos outros não citados. parabéns a vc curto seus comentários há muitos anos, sempre muito sábios e assertivos. abraços.

  3. Um grande time se começa com uma grande diretoria. Por isso que o São Paulo está nessa vergonha e lástima. Sábias as palavras do Alberto Helena Júnior. Coloquem os garotos e eles mostrarão como se joga bola e com salários bem menores que os dos considerados medalhões. Renan Ribeiro, Buffarine, Maicon, Rodrigo Caio, Mateus Reis, João Schimidt, Banguelê, Cueva, David Neres, Pedro e Luis Araújo.

  4. Estou sempre atrazado… muito interessante essa selecao que o Alberto bolou – lembro bem da estreia do Mauro Ramos com 18 anos e se tornou nao so titular como tambem foi ou indicado ou convocado p a selecao : logo na estreia arrebentou e se tornou o melhor zagueiro do futebol brasileiro. Quanto a jovens que dao certo na base mas nos profissionais nao dao eu digo que ha jogadores jovens que precisam um cuidado diferente mas nunca desistir deles. Nao e’ bem o caso mas vou dar o exemplo do Jairzinho (furacao da copa) que nos preparativos da selecao foi vaiado
    intensamente e nao jogou nada. Mas foi apoiado e depois na hora H foi o que se viu. Aqui entra o fator personalidade, no caso de um jovem nao repetir nos profissionais o que jogava na base: o futebol e’ o mesmo, a mesma bola, o mesmo campo, tudo igual.
    Hoje vamos contra a Ponte e quero ver se o Ricardo tem a coragem de escalar o que o Alberto sugeriu pois time por time (considerando o SP com as escalacoes antigas) a Ponte esta bem melhor. Fiquei aborrecido com o caso do Inacio que foi mencionado pois nao acompanhei. Mais um que perdemos, entre tantos outros…

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